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Tag: Lisboa crónica anedótica

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Ema de Oliveira

Ema de Oliveira Ema da Conceição Oliveira, nasceu em 1891. Actriz de teatro, deu os primeiros passos na Companhia de Teatro Rafael de Oliveira do qual tinha parentesco.  Fez inúmeras revistas, tais como «O Novo Mundo» em 1916; «O Ás de Oiros» em 1917; «Pé de Dança» em 1921; «Vida Nova» em 1924; «Cabaz de Morangos» em 1926; «A Rambóia» em 1928 onde alcança grande sucesso ao cantar «As lavadeiras de Caneças» e «Chá de Parreira» em 1929 onde ao lado de Hortense Luz contracena como Travesti e criam o famoso número «Recrutas e Sopeiras»; «Feira da Luz» em 1930; «A Festa Brava» em 1933; «Na Ponta da Unha» em 1939; «Boa Nova» em 1942 entre muitas outras. No cinema participou no filme «Fado», ainda no tempo do cinema mudo, em 1923 e «Lisboa Crónica Anedótica» em 1930. Já no tempo do sonoro, surge nos filmes «João Ratão» em 1940, «Lobos da Serra» em 1942 e «A Menina da Rádio» em 1944. Foi casada com o actor Manuel dos Santos Carvalho. Faleceu em 1951. Ema Oliveira2
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Adelina Abranches

11 Margarida Adelina Abranches, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866. Foi criada entre oito irmãos, ao encargo de sua mãe, que, apesar de muito se esforçar, não conseguia suprir todas as necessidades financeiras da família. Foram estas dificuldades que levaram os seus irmãos mais velhos a ir trabalhar bem cedo e a sua mãe a aceitar a proposta de um vizinho – porteiro da caixa do D. Maria – que recrutava crianças para figurantes de um espetáculo no Teatro Nacional, pagando “seis vinténs por cabeça”. Estreia-se como figurante num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II, a 10 de janeiro de 1872: «Os meninos grandes», tinha então cinco anos de idade. Trabalhou, depois, numa série de teatros da capital, por vezes em simultâneo, representando frequentemente papéis masculinos infantis devido a um certo jeito arrapazado. Aos doze anos, Adelina já tinha trabalhado na grande maioria dos teatros da capital, como o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro do Príncipe Real, o Variedades, o Teatro do Rato, o Teatro D. Fernando e o Teatro da Rua dos Condes, mas aqui foi despedida por gostar muito de improvisar em palco. Apesar de sua escolaridade reduzida, devido à sua condição social familiar e à intensa atividade teatral precoce, frequentou, contudo, o Conservatório entre 1876 e 1878. 12 Desde cedo, fez várias digressões por Portugal – continental e arquipélagos – e pelo Brasil. Firmou a sua carreira no Teatro do Príncipe Real, onde trabalhou durante vários anos, tendo posteriormente integrado a Companhia Rosas & Brazão (1877), o elenco do Teatro Livre (1904) e do Teatro da Natureza (1911), bem como a Empresa Rey Colaço-Robles Monteiro. Foi empresária teatral da Companhia Adelina Abranches e da Companhia Adelina – Aura Abranches, esta última em sociedade com a sua filha. Contraiu matrimónio com o empresário Luís Ruas, com quem teve dois filhos, ambos atores – Aura Abranches e Alfredo Ruas – mas divorciou-se em 1902. Entre os seus maiores êxitos destacam-se: Maria da Fonte – onde representou o “Fagulha” – e O tipógrafo (mais conhecido como O gaiato de Lisboa) em 1882 no Teatro do Rato; a Rosa enjeitada, de D. João da Câmara, em 1901, no Teatro do Príncipe Real; em 1902 participa na revista de sucesso À procura do badal; ainda nesse ano, no Teatro D. Amélia integra o elenco de As proezas de Richelieu, de Bayard e Dumanoir, e Uma anedota. No Teatro D. Amélia, Adelina brilhou em Ressurreição, espetáculo baseado no romance de Tolstoi, em 1903, interpretação que lhe valeu elogios de Joaquim Madureira, bem como em A cruz da esmola, de Eduardo Schwalbach, levada à cena no mesmo ano, e em O avô, de Pérez Galdós, em 1905. Nesse mesmo ano foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre, em papéis principais, como em Missa nova de Bento de Faria. 13 Após esta temporada, Adelina entrou para a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910 com êxitos como Afonso de Albuquerque, de Lopes de Mendonça (1906). Esteve, também, envolvida no projeto Teatro da Natureza, que, por motivos financeiros, foi extinto no mesmo ano da sua criação, em 1911. Durante as décadas de 1910 e 1920 Adelina Abranches envolveu-se, como empresária e atriz, em vários projetos levados a cabo em conjunto com sua filha Aura Abranches e Alexandre de Azevedo, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina – Aura Abranches. Na temporada de 1911-1912, Adelina regressou ao Teatro D. Amélia, entretanto nomeado Teatro República, o que entristeceu bastante a atriz, que era uma monárquica convicta. Aí representou Gil Vicente, pela primeira vez na sua carreira, destacando-se como “Brísida Vaz” no Auto da barca do Inferno. No fim da temporada do D. Amélia, Adelina, juntamente com a sua filha Aura e com Alexandre de Azevedo, rumou ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, para apresentar uma série de espetáculos de grand-guignol o que a levou, posteriormente, ao Brasil, numa digressão de um ano, entre 1913 e 1914. Foram, de resto, muitas as digressões que fez, entre 1886 e 1934, não só por Portugal, mas também pelo Brasil. Após o seu regresso a Portugal, em 1914, passou pelo Teatro Politeama, pelo Avenida e pelo Apolo (antigo Príncipe Real), antes de regressar ao Teatro Nacional para representar, entre outras peças, A mãe, de Russiñol, que constituiu um dos maiores sucessos da sua carreira. O êxito que se seguiu foi a sua criação da protagonista de O lodo, de Alfredo Cortez, no Teatro Politeama, em 1923. De nota é, também, a sua colaboração com a companhia organizada por Alves da Cunha, na temporada de 1926-27, para o Teatro Nacional, em que sob a direção de Araújo Pereira representou O Gebo e a sombra de Raúl Brandão. Trabalhou ainda com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro (1932-33, 1935-37 e 1940-41), concessionária do Teatro Nacional. Participou, em 1930, nos elencos dos filmes «Maria do Mar» e «Lisboa, crónica anedótica» de Leitão de Barros. E em 1938 despede-se das telas de cinema com o filme «A Rosa do Adro» de Chianca de Garcia. Morreu em Lisboa a 22 de Novembro de 1945. 14
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Chaby Pinheiro

Chaby Pinheiro António Augusto de Chaby Pinheiro, de seu nome completo nasceu em 12 de janeiro de 1873, em Lisboa. De espirito livre e insubmisso, fez tudo para vencer a oposição dos pais ao seu sonho de prosseguir a carreira de ator. Não deixou, porém, de matricular-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, embora não tivesse chegado a concluir a Licenciatura. Faltava frequentemente às aulas e as noites eram gastas nos grupos de teatro amador. Estreou-se no Teatro de D. Maria II com a peça “O Tio Milhões”, de H. Heule. Participou em grandes êxitos do teatro português, tendo trabalhado nos mais diversos géneros, incluindo a revista. Das peças em que entrou, destacam-se A Maluquinha de Arroios, de André Brun, Teresa Raquin, de Emile Zola, e A Casa de Bonecas, de Ibsen. Participou também nos filmes O Leão da Estrela (1925) e Lisboa, Crónica Anedótica (1930). Apesar dos seus cerca de 140 kgs de peso, Chaby Pinheiro soube utilizar o seu particular corpo em benefício da sua arte com uma mestria assombrosa. Foi professor do Conservatório Nacional e cavaleiro da Ordem de Sant'Iago. Retirou-se da vida artística em 1931. Tendo falecido em 6 de dezembro de 1933, no Algueirão. Chaby Pinheiro2
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«Lisboa crónica anedótica» estreia a 1 de Abril de 1930

19 Influenciado, como salientou Roberto Nobre, pelo documentarismo alemão, Leitão de Barros soube transcender-se numa expressão pessoalíssima e vibrante da Lisboa característica, e convém recordar o corrosivo de sua sátira, a frescura desconcertante do humor e carga erótica de algumas sequências, que tanto seduziriam em «Maria do Mar»: basta sugerir as conotações fálicas dos alhos e dos peixes, respectivamente nas cenas da empregada doméstica e da varina. «Lisboa crónica anedótica» estreia a 1 de Abril de 1930 nos cinemas S. Luís e Tivoli em Lisboa. 20
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Observações sobre «Lisboa crónica anedótica»

17 Observações: "Lisboa é um filme sincero, um filme de arte. Leitão de Barros deve orgulhar-se de o Ter composto, e, com ele, todos os portugueses, porque Lisboa está cheia de alma e do sentimento português". (Brum do Canto, Cinéfilo) "Uma autêntica obra-prima do cinema português, verdadeiramente inovadora pela concepção e pela linguagem na história dessa arte, síntese de caminhos formais, lídima expressão da sua (Leitão de Barros) veia de cronista, talvez a mais sincera do seu brilhante espírito." (...) 21 "Leitão de Barros recriou, como ninguém, o que mais tarde chamou o lado "pobrete mas alegrete" do "fatalismo sem revolta" do "povo ribeirinho da velha Lisboa". Sob uma aparência desenvolta (o lado "quadro vivo") o que surge nessa "crónica" é o horizonte fechado de uma cidade sem saídas, presa das suas próprias manhas e armadilhas, que não mais deixaria de insinuar-se, em filigrana ou como nota dominante, em quase todos os filmes (comédias ou dramas) que tiveram Lisboa como cenário dominante. Se houvesse que opor um desmentido cabal à lenda da "ville blanche" (cidade branca), emblema fácil e superficial do filme de Tanner dos anos 80, havia que o buscar em todos esses filmes portugueses, em que nunca se pintou cidade mais "escura" e cujo fulgurante marco inicial é o filme de Barros, certamente um dos mais desapiedados olhares de nós próprios sobre nós próprios." 18
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«Lisboa» pelos olhos de Leitão de Barros III

15 Esta transformação do documento em crónica, esta transfiguração anedótica do real, gerou alguns equívocos, pois se exigiu a Leitão de Barros uma maior dose de "verdade", de "verosimilhança", de "realismo", quando era outra coisa que estava em causa, do mesmo modo que uma crónica de um jornal não é uma reportagem. A nossa crítica mais responsável, durante muito tempo, preferiu "Nazaré" e "Maria do Mar" a "Lisboa, Crónica Anedótica", mas eu creio que este é muito mais moderno, muito mais imaginativo, muito mais original, muito mais "cinegráfico", se assim quisermos." Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986. 16
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«Lisboa» pelos olhos de Leitão de Barros II

14 Alguns documentos visuais também denotam um extraordinário poder de observação e ganham um sentido profundo no contexto do filme, como esses velhos dos Inválidos do Trabalho construindo os seus caixões, cena que liga com a terra e , através dela, com uma criança, sintetizando o ciclo da vida. E o pitoresco - como ao longo do filme os mais variados tipos populares - alterna com imagens de beleza pura, de notável recorte plástico, como os marinheiros no veleiro e as suas fainas, ou como as imagens das diferentes formas arquitectónicas da cidade. Leitão de Barros não deixa de nos mostrar o bulício da cidade, o seu movimento, culminando o filme na viva descrição de um domingo lisboeta, onde, a par de uma captação insólita de costumes, se transmite um "domingo desportivo" cheio de interesse - corridas de out-boards, provas de atletismo, desafios de futebol, touradas, etc. 13
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«Lisboa» pelos olhos de Leitão de Barros

11 Não se pode deixar de referir um conjunto de apontamentos ligados a esses actores, velhos e novos, que ainda hoje dão ao filme a sua graça, já que a ficção envelhece menos que o documento: o saloio Estevão Amarante olhando os manequins na montra e replicando ao aviso da empregada Josefina Silva "Não pode ver sem tocar?" com o imediato "Eu até era capaz de tocar sem ver!"; Nascimento Fernandes e as suas mãos maravilhosas seduzindo com boquinhas e piscadelas de olho as bonitas condutoras de automóveis; Vasco Santana e Costinha, no eléctrico do Campo Grande, às voltas com um burro que impede a passagem; o grande Chaby Pinheiro, na sua única aparição cinematográfica, no papel de um vendedor da Feira da Ladra que mostra um corno aos compradores; Alves da Cunha, num momento dramático no Arsenal da Marinha, uma das melhores descrições de ambiente operário do nosso cinema; Teresa Gomes na inenarrável cena de "peixeirada" da Praça da Figueira, com evidentes alusões eróticas de peixes e alhos; Erico Braga, galã convencional, descendo a Avenida da Liberdade no seu carro e declarando-se às bonitas transeuntes; o conto do vigário da bilha quebrada, com Perpétua Santos. 12
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Leitão de Barros filme «Lisboa» um clássico do cinema mudo

9 A ideia de fragmentação, de pequenos apontamentos inventados e ligados a outros apontamentos puramente documentais, facilita a crónica (...), a sequência dos factos. E facilita também o trabalho de montagem, que era, de facto, o calcanhar de Aquiles do realizador. Tudo depende da pesquisa, da paciência e da invenção. Por outro lado, a presença de actores misturados com personagens da vida real permite a Leitão de Barros aproveitar a sua capacidade histriónica, digamos, para fazer melhor do que o real. 10
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«Lisboa crónica anedótica» um documento vivo da cidade de Lisboa

7 "A ideia central de "Lisboa" é juntar o documento e a ficção numa crónica fragmentada que, através de subtis ligações interiores, nos revele progressivamente aquilo a que poderemos chamar a "alma" da cidade e o seu tempo actual e passado, perene, se assim quisermos. Mas a crónica é também "anedótica", entendendo-se a palavra no seu duplo significado: vinha de "anedota", como episódio, e vinha de "anedota", como "história engraçada". Em nenhum momento, mesmo naqueles em que predomina uma certa forma verista, dura, recortada, claramente influenciada pela escola soviética, o filme se pretende "realista", voltando assim as costas à tradução directa e formalmente carregada do real, que era a regra da escola. Esse propósito é brilhantemente transmitido quando, através, de um simples e espontâneo efeito de distanciação, nos mostra a câmara de Costa Macedo e a sua equipa filmando algumas imagens no Saldanha. Diria que Leitão de Barros organizou um fundo de ficção, episódico, anedótico, é certo, para melhor nos revelar a cidade. 8
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