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Tag: João Lopes

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Apontamentos críticos sobre o filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca» – continuação

900 «Os Fidalgos da Casa Mourisca», estamos convencidos, vai fazer carreira. O público acorrerá e não terá dificuldade em reconhecer, nas personagens, as figuras da história que o maravilhou em longos serões, e que o fez chorar no teatro, nos bons tempos em que Brazão era «D. Luís», José Ricardo o «Tomé da Póvoa» e Ilda Stichini a «Berta». Voltará a emocionar-se na cena do jantar, na visita de D. Luís ao adormecido quarto da filha, na retratação do fidalgo perante o seu antigo servidor. E desta vez não sairá de lá furioso por lhe terem iludido a espectativa de poder servir de «ponto», na sequência das cenas, à vizinha do lado que nunca tenha lido o romance famoso de Júlio Dinis. Crítica extraída da revista «CINE JORNAL» de 1938. 1120
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Apontamentos críticos sobre o filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca» – continuação

901 Arthur Duarte deve prosseguir. Tem qualidades e visão. Esperaremos um novo filme seu, para nos pronunciarmos em definitivo, sobre a sua maneira. Inteligentemente (reportamo-nos à sua entrevista no «Diário de Lisboa») ele advoga a colaboração com técnicos estrangeiros. Antes de mais nada, necessitamos em Portugal dum bom «découpeur». Exceção feita à «Canção da Terra» e «Revolução de Maio» quase todos os filmes têm tido «découpages» deficientes. A dos «Fidalgos» ressente-se de seguir, pela sua ordem, os episódios do romance. Há que eliminar, de vez, no nosso cinema, as ligações de cenas em locais diferentes por frases começadas por uns e concluídas por outros, ou com palavras iguais a servir de traço de união. Cortar uma cena para encaixar outra no meio, que abre e fecha com cortinas, não é boa técnica cinematográfica. É um erro de «découpage» também. O filme tem algumas paisagens lindas, pena é que não inclua mais. Arthur Duarte, sobretudo nas do final, deu prova do seu bom gosto, na escolha de enquadramentos. Os cenários de Fred Neto, cuidados. A fotografia de Goldberger e Aquilino Mendes, luminosa. Há duas lindas canções de Cruz e Sousa e a música de Júlio Almada, sob a direção de René Bohet, é certa e feliz. 17
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Apontamentos críticos sobre o filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca» – continuação

754 A interpretação continua a ser um dos problemas mais graves do cinema nacional. Verdadeiramente, só com os artistas de teatro podemos contar. Lá aparece um ou outro, fora da gente do palco, com qualidades. Mas estas evolam-se, quando as responsabilidades do papel as sobrelevam. Nos «Fidalgos da Casa Mourisca» os artistas do teatro alcançam uma enorme vantagem sobre os restantes intérpretes. João Lopes, no «Tomé da Póvoa», Henrique de Albuquerque, no D. Luís (ainda que, por vezes, declame como se estivesse no palco); Emília de Oliveira, na «Ana do Vedor»; a trindade Vital dos Santos, Silvetre alegrim e Aurélio Ribeiro nos «Primos do Cruzeiro» (talvez caricaturados em demasia) impõe-se no desempenho. 15lDos outros há a notar uma autêntica revelação: Teresa Casal, que tem um desempenho sensacional, se atendermos a que nunca enfrentara a objetiva. Elegantíssima, vestindo com riqueza e bom gosto (tão raramente se aliam estas duas características), Teresa Casal fala com à-vontade, move-se com distinção, tem o «cachet» duma verdadeira vedeta. Esperámos, com muito interesse, vê-la em breve, num papel de mais relevo. Os dois galãs, Tomás de Macedo e Eduardo Fernandes, lutam com as tremendas responsabilidades dos papéis. A situação grava-se com o facto de terem que declamar longas tiradas. Maria Castelar, bonita, gentil, trás para a tela a sua graça e frescura, na figura de Berta. os fidalgos da casa mourisca2
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Apontamentos críticos sobre o filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca» – continuação

504 Aqueles que bramaram, e com razão, contra as alterações injustificadas, introduzidas na «Rosa do Adro» e nas «Pupilas» vão delirar com «O Fidalgos da Casa Mourisca». O romance está lá, inteirinho, página por página, capítulo por capítulo. Apenas a personagem do «Frei Januário» se laicizou, por motivos que facilmente se compreendem. Arthur Duarte seguiu o argumento com escrupulosa verdade e o filme é a ilustração da obra literária, com legendas (diálogos) extraídas do texto. Discordamos em primeiro lugar, da adaptação, no caso português, de romance célebres. Em segundo lugar e, principalmente, discordamos ainda da adaptação servil, que redunda na simples ilustração duma obra e que corta as asas da fantasia e da iniciativa própria aos nossos cineastas. 13 Expliquemos: um filme, sob o aspeto espetacular, perante o público, impõe-se dum modo geral, pela realização, pelo desempenho e pelo argumento. Para o grande público, os fatores que o influenciam mais diretamente são o argumento e o desempenho. Claro que a realização tem uma importância capital. Para nós, é até o fator nº 1. Mas o grande público não a sente, e na maioria dos casos, não a sabe avaliar sequer, desde que ela seja simplesmente aceitável. Ora nós portugueses, não podemos exigir grandes realizações. Não temos, infelizmente, vedetas que só por si, imponham um filme. Seria lógico que consagrássemos toda a atenção ao argumento, procurando rodeá-lo de interesse, de qualidades de emoção e de imprevisto. Pois é justamente o aspeto que mais desprezado tem sido, nas realizações nacionais. Preguiçosamente, procuramos as histórias para os nossos filmes, naquelas que o público já conhece de cor. Roubámos assim ao cinema nacional, um dos fatores de interesse mais importante: o imprevisto do que se vai desenrolar na tela. E assim, o público, na maioria dos filmes nacionais, tem-se limitado a verificar se aquilo que se passa no ecrã condiz com as páginas da obra, onde o realizador foi beber os motivos do filme. 14
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Apontamentos críticos sobre o filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca» - continuação

11 O mais discutido aspeto dos «Fidalgos» foi o da atualização do conflito. Arthur Duarte justificou-a, dizendo que acha as situações do romance mais de acordo com a moral dos nossos dias. Pela nossa parte, cremos que tenha sido ainda o critério do comercial o mais direto responsável pela arrojada iniciativa do realizador. Com efeito, o orçamento ficaria extraordinariamente onerado se houvesse que se fazer um filme «à época», não falando já nas maiores dificuldades da realização. Hoje, mais do que nunca, estamos assistindo ao nivelamento das castas. De longe em longe, os jornais trazem-nos a notícia de príncipes que casam com burguesinhas. E ainda há pouco, na Inglaterra, onde a tradição e os preconceitos não são palavras vãs, um rei abdicou, por amor duma estrangeira que não tinha sangue azul. O que diria o Fidalgo da Casa Mourisca a este gesto? Nós não somos tão adversários da atualização que a não possamos admitir. Mas o facto de se reportar a ação aos nossos dias, implica outras alterações mais profundas na contextura do romance. No filme, as personagens vestem à 1938, vivem em casas mobiladas à 1938, mas falam e pensam tal qual os nossos avós. E é este o calcanhar de Aquiles da atualização. 12
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Apontamentos críticos sobre o filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca»

89O mais sincero crítico do filme foi o seu próprio realizador. Nas entrevistas que concedeu á imprensa, frisou que se trata dum filme «comercial», que tecnicamente desejava fazer melhor e que sabe realizar com outro sentido (Diário de Lisboa, dia 21 de junho de 1938). E se, por filme comercial, entendemos aquele que é realizado com o mínimo de despesa (ainda que à custa das suas próprias qualidades artísticas e espetaculares) e à sombra dum nome que despertará no público o desejo de o ver, facilmente compreendemos porque é que Arthur Duarte não fez melhor, embora consciente de que poderia fazer. Claro que o facto de trabalhar dentro dum orçamento limitado, que não podia exceder, não o absolve totalmente de certos pecados de realização. Mas é uma atenuante para alguns deslises que, com uma simples repetição da cena, por vezes, se poderiam ter evitado. O mesmo orçamento limitado não lhe permitiu incluir no filme mais exteriores, que a ação amplamente justificava, e tirar partido de certas cenas, que ficaram acanhadas, contra a vontade do próprio realizador. Claro que o público nada tem que ver com o que se passou nos bastidores do estúdio. Mas o crítico seria forçosamente desleal, se apreciasse o filme como se ignorasse estes factos, que Arthur Duarte aliás, foi no primeiro a focar. Pela nossa parte, ficaríamos de mal com a consciência se disséssemos que concordamos com esta política cinegráfica comercial. E anote-se, como regra, esta verdade: Todo o embaratecimento da produção, que for feito à custa das qualidades artísticas e espetaculares da mesma, será necessariamente prejudicial ao filme e à própria indústria.  
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Critica da época ao filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca» - Continuação

10 De todos, é Teresa Casal a única que, pela primeira vez, se encontra em frente duma objetiva. Teresa Casal reúne esplendidas qualidades. É uma belíssima cantora. A sua voz maviosa, dum timbre encantador e duma perfeição notável, garante-lhe, segundo informações que nos merecem melhor acolhimento, um lugar de destaque no teatro de ópera. Será um elemento precioso, assim o queira tentar. No cinema, após «Os Fidalgos da Casa Mourisca» o seu nome correrá célere. Teresa casal tem um rosto expressivo, belo, duma formusura que jamais passará despercebida. Duma graça natural, pode-se considerar uma das figuras mais elegantes de formas e maneiras das nossas telas. Quem a conhecer de perto verificará que as suas conversas inspiram simpatia, fazem nascer uma amizade espontânea. Tem espírito e uma delicadeza extrema. É encantador falar-se de Teresa Casal.
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Critica da época ao filme «Os Fidalgos da Casa Mourisca»

8 «Henrique de Albuquerque, ator dos mais sóbrios do teatro português vive o papel do Fidalgo austero, de princípios rígidos, do romance de Júlio Dinis. Henrique de Albuquerque há muito que foi consagrado pelo público e pela crítica. Pertence ainda á velha geração de atores de nomeada. Citamos também com enorme prazer, o nome de Emília de Oliveira. De entre os artistas teatrais, é das poucas que reúne condições cinematográficas. Os papéis que tem interpretado no cinema falam por si. O público habituou-se a decorar o seu nome. Os seus desempenhos têm merecido as mais lisonjeiras referências dos críticos. Eduardo Fernandes, aliás o Dr. Eduardo Fernandes, pois na altura deste filme já era um advogado formado, que tinha vivido o Quincas da «Canção de Lisboa» e o Eduardo de «Maria Papoila» encarrega-se do folião Maurício. Deve ser o seu primeiro papel de muita responsabilidade no cinema. A personagem estava talhada para a sua maneira de ser. Eduardo Fernandes encarnou-o com alma, viveu-o. Tudo leva a crer que nos dê um desempenho que agradará sem reservas.» 16
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O argumento de «Os Fidalgos da Casa Mourisca»

6 Argumento: Os Fidalgos da Casa Mourisca estão arruinados. Uma má gestão e o orgulho de D. Luís levaram a propriedade a esta situação. Porém Jorge, o filho mais velho, não está contente com isso e decide pedir ajuda a um agricultor que prosperou, Tomé da Póvoa. Ora Tomé da Póvoa tem uma filha, Berta, que fora educada fora da aldeia e que regressa a casa. Jorge apaixona-se por ela. Mas, o orgulho inflexível de D. Luís, pai de Jorge, não concorda nem com a recuperação económica proposta por Jorge, nem com a paixão que ele nutre por uma plebeia. O filme dá relevo aos amores sacrificados da filha de Tomé da Póvoa, Berta, com o fidalgo Jorge e, simultaneamente, a benquista ligação do outro filho de D. Luís, Maurício, com a dedicada prima Gabriela. 7
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Distribuição do elenco de «Os Fidalgos da Casa Mourisca»

4Intérpretes: Maria Castelar - Berta / Tomás de Macedo - Jorge / Teresa Casal - Gabriela / Eduardo Fernandes - Maurício / Henrique de Albuquerque - D. Luís / João Lopes - Tomé da Póvoa / Emília de Oliveira - Ti Ana do Vedor / Gabriel Lopes - Frei Januário / Antónia de Sousa - Luísa / Henrique Campos - Clemente e ainda: Vital dos Santos; Silvestre Alegrim; Aurélio Ribeiro; Regina Montenegro... Realização - Arthur Duarte / Produção - Continental filmes / Fotografia - Aquilino Mendes e Isy Goldberger / Música - Júlio da Conceição Almada e René Bohet. Curiosidades: Adaptação da obra de Júlio Diniz / Duração aproximada: 115 mn. P/B /Ano de produção: 1938 5
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