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Tag: Alberto Cavalcanti

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Alberto Cavalcanti

cavalcanti-01 Alberto de Almeida Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro, a 6 de Fevereiro de 1897. Em 1908, Cavalcanti entrou para o Colégio Militar, saindo no quinto ano para a Faculdade de Direito da Escola Politécnica, onde travou conhecimento com o dramaturgo Roberto Gomes, que o influenciaria bastante. Foi nesse momento que nasceu o amor pelo Teatro, logo seguido do entusiasmo pelo Cinema. Mas eis que um incidente com o professor de Filosofia do Direito, Nerval de Gouveia, terminou numa greve dos alunos com repercussão por toda a cidade. O pai do rapaz achou conveniente mandá-lo para o exterior, até que tudo tivesse sido esquecido. Em 1914, Cavalcanti chegou à Suíça e se matriculou na escola Técnica de Friburgo, escolhendo o curso preparatório de Arquitectura. Ainda no mesmo ano foi aprovado no exame de admissão para a escola de Belas-Artes de Genebra. Diplomado, resolveu assistir às aulas de Deglane na escola de Belas-Artes de Paris, ouvindo depois as lições de estética de Victor Basch na Sorbonne. Em seguida, obteve emprego no escritório do urbanista Alfred Agache que, mais tarde, se ocuparia de projectos de modernização do Rio de Janeiro. Após ter trabalhado dois anos com Agache, transferiu-se para uma firma de decoração, a Compagnie des Arts Français. alberto-cavalcanti01 Passado algum tempo, tentou ser representante dessa e de outras empresas no Brasil, abrindo um escritório da Rua do Ouvidor. Projectou cenários para cineastas experimentais franceses na década de 20 e dirigiu seu primeiro filme em 1926. Em 1926, Cavalcanti estreou como director em Le Train sans Yeux. Os dois filmes subseqüentes, En Rade e Rien que les Heures, considerados uns dos mais importantes do movimento vanguardista, firmaram-lhe a reputação. Sucederam-se mais alguns trabalhos e, com o advento do cinema falado, foi contratado pela Paramount, fazendo em Saint-Maurice / Joinville, versões de filmes de Hollywood. Depois disso realizou comédias de boulevard para outras produtoras e alguns curtas-metragens. Nos anos trinta seus filmes mais conhecidos no Brasil foram a versão portuguesa do filme americano Sarah e seu Filho / Sarah and Son / 1930, exibida com o título de A Canção do Berço e O Tio da América / Le Truc du Brésilien / 1932. Mudou-se para a Inglaterra em 1934, fazendo documentários e, depois, filmes influenciados por documentários nos Estúdios Ealing. 070310cavalcanti718 Em 1949, retorna ao Brasil e ajuda a organizar a Companhia Cinematográfica Vera Cruz (em São Bernardo do Campo, SP), sendo convidado a tornar-se o produtor-geral da empresa. Em Novembro do mesmo ano, vai à Europa e contrata vários técnicos para virem trabalhar na companhia. Na volta, escreve e produz os dois primeiros filmes da empresa, "Caiçara" (1950) e "Terra É Sempre Terra" (1951), e produz, até o meio, "Ângela" (1951). Por causa de desentendimentos com Franco Zampari, Cavalcanti abandona a Vera Cruz em 1951. Fora dos estúdios de São Bernardo, dedica-se à elaboração de um anteprojecto para o Instituto Nacional de Cinema, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. Na Cinematográfica Maristela (em São Paulo), o cineasta dirige "Simão, o Caolho" (1952). No final do ano de 1952, Alberto Cavalcanti e mais um grupo de capitalistas compram a Maristela, a qual muda de nome para Kino Filmes e passa a ter como diretor-geral, Cavalcanti. Nesta nova empresa, ele realiza as obras "O Canto do Mar" (1953) - refilmagem, no Recife, do europeu "En Rade" (1927) - e "Mulher de Verdade" (1954), dois grandes fracassos. Por não ter como continuar pagando as prestações, a Kino é devolvida aos antigos proprietários em 1954. Com o fim da Kino, ele vai trabalhar na TV Record e depois estreia, no Brasil, como director teatral. Em Dezembro de 1954, Cavalcanti parte para a Europa, contratado por um estúdio austríaco. Morre em Paris a 23 de Agosto de 1982.  
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Os intérpretes de «A Canção do Berço»

 

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Os intérpretes eram:  CORINA FREIRE como Clara Serrano; Raul de Carvalho no papel do Dr. Stanley; Alves da Costa como Jim Grey; Alexandre Azevedo como Sr. Ashmore; Ester Leão no papel de Madame Ashmore; António Sacramento como Cyrii Belloc;o jovem Guilherme Reis no papel de Bobby, a criança desaparecida e ainda Alzira Gueta no pequeno papel de uma Criada.
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O argumento de «A Canção do Berço» - Parte III

 

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A primeira visita que Clara faz a Ashmore, resulta improfícua. O velho nega-lhe qualquer veracidade na palavra de Jim. Seu filho, sabia-o ela, devia estar crescidinho, meninote, mesmo. Mas não estava com ele e nem ele sabia nada disso. Desesperada, Clara procura o recurso extremo: um advogado. Ele resolveria o seu problema e tiraria o filho das mãos de Ashomre, se verdade fosse aquilo que Jim lhe havia dito. O advogado que ela procura é o Dr. Stanley, conhecido e proficiente jurisconsulto e, infelizmente para ela, advogado justamente do industrial Ashmore que ela queria processar. Desesperada, sem mais recursos, explica ela toda a sua situação de desespero ao Dr. Stanley e ele, sob sua palavra, lhe diz que tem a plena certeza de que o filho do casal Ashmore é deles, realmente, pois sempre acompanhara a vida de ambos e jamais haviam tido segredos para com ele. Suavizada, em parte, pelas declarações que lhe presta Stanley, Clara retira-se e, para melhor esquecer o seu infeliz passado e a eterna agonia da procura do filho, dedica-se com alma aos estudos musicais, até conseguir, depois de muita peripécia e esforço, um lugar saliente na ópera de Berlim. Artista célebre, em pouco tempo, Clara faz-se de viagem para os Estados Unidos, novamente e, sempre se lembrando do filho, torna a procurar o Dr. Stanley. Ele não a reconhece.

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  O episódio da criança dos Ashmore é que o põe ciente de quem se tratava. Não querendo acreditar, ainda, ele deixa-se engolfar pela impressão forte que lhe causa Clara, lindíssima, como nunca pensara que ela conseguisse ser e, saindo disso, continua a convence-la da quase inutilidade dos seus esforços. Clara, ali, tem, agora, outra recepção e outra atenção. Modificada, completamente, é uma mulher chique, cheia de fortuna e capaz de converter em admirador, qualquer homem, por mais sisudo que ele seja. A conversa recai sobre o filho dos Ashmore e como ela percebe claramente, que Stanley fora iludido pelo cunhado, ela lhe diz que a deixe falar com o pequeno e que, depois disso, dirá se é ou não o seu filho desaparecido. Um sinal que ele tinha seria o suficiente para provar o quanto ela dizia. Satisfeita a sua vontade, graças á intervenção de Stanley, já mais do que simples advogado dando conselhos úteis a uma cliente, consegue ela que os Ashmore lhe mandem o filhinho para um encontro. Madame Ashmore, entretanto, faz vestir o filho da cozinheira, um garoto mudo, da mesma idade de Bobby com as roupas dele e ela própria leva-o á presença de Clara. Desorientada, ela pede-lhe desculpas. Reconhece que o filho não é seu, Madame Ashmore é que se desculpa: - "Era por causa disso que tinha vergonha de lhe mostrar o pequeno..." E Clara ainda sente pena daquela " pobre" mãe. . . É na casa de Stanley que o primeiro encontro entre mãe e filho tinha que se dar. Ela, convidada por Stanley resolvera aceitar o convite para passar uma tarde na sua casa de campo. Stanley já a amava profundamente e ela também correspondia a esse puro afecto daquele distintíssimo cavalheiro. Bobby, por sua vez, ali se achava por ter discutido com seus pais e, genioso, correra para a casa do tio a fim de se vingar da hostilidade que lhe movera a mãe. Na lancha, á beira do rio, encontra-se ela com o garoto e é por este, convidada para um passeio. Aceita, sem saber que ele é seu próprio filho. Numa curva perigosa, a lancha tomba ao rio e ela, quase com sacrifício de sua vida, salva-se e salva ao pequeno. Ele, abatido, é acometido de uma violenta febre e, delirando, reclama por sua mãe. Defronte ao leito, Stanley compreende que Bobby é filho de Clara. Não podia haver duvida. E ele convida delicadamente Madame Ashmore a renunciar ao seu desejo cruel de separa-los. Ela aceita e o marido também. Com as melhoras de Bobby, Clara pode entregar- se com mais felicidade ao amor dedicado que lhe oferece Stanley. Era felicidade dupla. Encontrara seu filho e, ao mesmo tempo, o marido perfeito para seu coração amoroso. 3
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O argumento de «A Canção do Berço» - Parte II

 

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- Se tens amor ao teu filho, saberás trabalhar. Dinheiro emprestado, Jim, não dou a ninguém!

Perambula por aqui, por ali, sem nada encontrar. Uns anúncios mostram-lhe a vantagem de ser fuzileiro naval. "Conheça o mundo!" Viagens, aventuras... Jim alista-se. E para celebrar o alistamento, entra com os companheiros e "amigos' em uma grossa bebedeira. De volta para casa, altas horas, e não encontrando Clara, que saíra para comprar um pouco de alimento para o pequeno, apanha-o e sem sequer reflectir, leva avante o seu plano. Enrola-o e sai para leva-lo á um orfanato. Quando Clara chega, louca de dor, já compreende o plano do marido, corre em busca de Cyrii Belloc, amigo e vizinho que muito os ajudava sempre, e com ele põem-se em busca de qualquer vestígio que denunciasse o paradeiro de ambos. Nada entretanto conseguem. A mágoa de Clara é intensa. Seu coração sofre brutalmente. Passam-se armos. Vamos encontrar Clara, agora, em pleno "front", servindo na Cruz Vermelha americana, auxiliando a aliviar os sofrimentos daquela quantidade enorme de feridos e agonizantes. Entre os homens que lhe chamam a atenção está um que já tentara por vezes conhecer. Quando, á noitinha cantava a "Canção do Berço", cantiga sentimental com a qual costumava embalar seu filho, ouve que ele se mexe e volta-se para ela. Desfaz-se a mascara do esquecimento. Recorda-se ela, num instante, de quem é ele: Jim!! Seu marido! Mortalmente ferido e completamente perdido, nos últimos instantes de vida. As palavras de Clara, rápidas, ferem-lhe os ouvidos.

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  — Onde está nosso filho, Jim? Para onde o levaste? Diz-me! Não faço outra cousa senão procura-lo! Jim ouve-a. Raciocina. Compreende tudo aquilo e, num último esforço, quase num arranco, diz-lhe, impetuosamente, tombando morto; depois da palavra que lhe custa um verdadeiro sacrifício pronunciar, naquela extrema agonia: — Ashmore!!! E é com este nome que Clara passa seus últimos dias no "front" e com ele, sempre na memória, que de novo atravessa o oceano, de volta, em busca do seu filhinho adorado.

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O argumento de «A Canção do Berço»

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— Vamos. Tem coragem! Levanta-te, sai daí e vai trabalhar. És tão preguiçoso... - Falava Clara Serrano, diante de um fonógrafo, ensaiando os primeiros passos da nova dança que estudava para o acto de variedades ao qual pertencia. Já tinha cuidado de tudo, arrumado o quarto todo. Exercitava-se, pela luta da vida e aborrecia-se muito vendo a indolência de Jim, estirado sobre o leito, preguiçoso como ninguém e desalentado como nenhum outro. — Deixa-me em paz! Dança! Dança! até que te arrebentes... – diz-lhe o marido Eram palavras assim que ela ouvia sempre. Estavam casados há já algum tempo e embora amasse o marido com toda a sua força, nada mais fazia ela, do que sustenta-lo e ouvir-lhe os desaforos. Jim dormia e Clara fazia todo o serviço e ainda ensaiava para os bailados da noite. Ele tinha sido "chauffeur", mas depois de entrar para a vida de teatro, acha-a deliciosa e já não queria fazer mais nada. Mas o primeiro passo que ele e a mulher haviam dado para vencer, na arte, fora um tremendo fracasso. Clara conseguira colocar-se e ao esposo num número de variedades e, quando estrearam, foram os mais completos insucessos que já se haviam visto em todo o mundo. Ela desanimara um pouco. Passara a estudar com maior carinho, com maior dedicação. Ele, entretanto, vagabundo de origem, preferia continuar a dormir, sem ligar a nada, certo de que ela cuidaria de tudo, inclusive pela manutenção do lar... A vida, para ambos, faz-se um tormento. A senhoria não os deixa. E dinheiro não há para pagar os alugueres em atraso. A companhia de gaz acabara de cortar o combustível por falta de pagamento e, assim, nem sequer podem aquecer o leite do seu filhinho. Se ao menos tivesses o teu antigo emprego de "chauffeur”

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  "Chauffeur", eu?... Sei que agora só queres ser artista, bem sei... Mas o resultado é esta desgraça em que nos encontramos... E que culpa tenho eu? Sempre falavas num filho. Ele aí está. Sustenta-o! Depois, pensando melhor, dava a sugestão mórbida e inescrupulosa que lhe ditava o pouco escrúpulo de marido e a total ausência de amor de pai. — Queres-te ver livre dele? Interna-o num orfanato! Ninguém saberá. - Isso nunca! Eu dele jamais me separarei. E era a luta de todos os dias, a questão eterna que surgia por qualquer motivo. Levantava-se ele. Preparava-se, cantarolando, comia o pouco que havia por ali e saia. Á porta a mulher gritava-lhe, num assomo de desespero. - Sem o dinheiro do aluguer não me apareças aqui, Jim! E ele saia sem a menor intenção de lhe dar confiança...   A lembrança maior que acudiu ao cérebro de Jim, naquele instante, para ver se conseguia dinheiro, não para o aluguer da casa, não, mas para a jogatina que o espera, é procurar Ashmore, dono de uma importante fabrica e na qual seu pai fora empregado e pedir-lhe dinheiro. Ashmore, entretanto, veda-lhe todas as vasas e não lhe dá o menor "cêntimo" Aconselha-o a trabalhar e nem sequer dá ouvidos as lamurias dele quando cita a infelicidade da esposa e a fome do filhinho... CONTINUA...    
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«A Canção do Berço» estreia a 22 de Dezembro de 1930

 

«A Canção do Berço» foi portanto a primeira produção falada em Português que a Paramount estreou no nosso país. A expectativa era por isso enorme. As filmagens e sonorização decorreram nos estúdios da Paramount em Joinville, nos arredores de Paris. O filme «A Canção do Berço» surgiu do filme americano «Sarah and Son» que Ruth Chatterton interpretara magistralmente. Os artistas eram todos conhecidos do grande público: Corina Freire, Raul de Carvalho, Ester Leão, Alexandre de Azevedo, Alves da Costa e Guilherme Reis. O filme estreava a 22 de Dezembro de 1930 no Cinema Tivoli, alcançando um enorme êxito na altura.

 

 
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Finalmente cinema sonoro em Portugal

I0011029-02PX=000000PY=000000 Em 1930 estreia-se em Portugal o filme «Sombras Brancas no Mar do Sul». Era o primeiro filme sonoro a estrear em Portugal e provocou verdadeiras avalanches de público. Ficava claro o seguinte: era urgente a produção de filmes sonoros entre nós. Mas, a falta de meios técnicos, falta de dinheiro e de um estúdio adaptado a essa realidade levantavam grandes dificuldades à concretização desse sonho. Ao fim de largos meses a ouvir-se apenas a voz de artistas estrangeiros em filmes sonoros, a notícia caiu que nem uma bomba no nosso meio artístico e não só: anunciava-se a vinda a Portugal do realizador brasileiro Alberto Cavalcanti, a fim de contratar artistas portugueses para o filme falado «A Canção do Berço». A Paramount dispunha-se a filmar simultâneas versões em idiomas diferentes dos seus filmes. Após criteriosa selecção levada a cabo por Cavalcanti, algumas semanas mais tarde partiam para Paris, os artistas portugueses: Ester Leão, Corina Freire, Raul Carvalho, Alexandre de Azevedo, António Sacramento, Alves da Costa e o pequeno Guilherme Reis." Depois deste filme, a Paramount faz outros.” – Anunciavam as revistas e jornais da época. Evidentemente que uma das razões que moveram a Paramount nessa iniciativa — era satisfazer o Brasil, que, como se sabe, teve sempre um culto decidido e franco pelo cinema americano —- razão essa porque a Paramount  teve no mercado brasileiro uma formidável rede distribuidora que lhe permitiria a sua actual e arrojada iniciativa. Mas isso não interessava nada, o que importava era que finalmente se ia ouvir cinema falado em português. (A actriz Ester Leão assinando o seu contrato com a Paramount perante o realizador Alberto Cavalcanti)
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