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Tag: A Canção da Terra

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Programa do filme «A Canção da Terra»

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Critica da época ao filme «A canção da Terra» – continuação

24 No cenário majestoso de Porto Santo, ilha escalvada em pleno Atlântico, Brum do Canto focou o problema angustiante da terra, através de uma história de amor, tão violenta como o clima, feito de contrastes e de convulsões. E Aquilino Mendes, um novo também, irmão gémeo de Brum do Canto no sonho que os irmanou, soube fotografar primorosamente os campos sedentos, o céu cor de cinza, as penedias calcinadas pelo sol, e dar-nos depois a outra face da natureza, a terra que ri, depois das primeiras chuvas, o céu que se abre em cataratas, o mar que ruge baixinho numa calma passageira, cuja duração ninguém pode prever. Elsa Rumina e Barreto Poeira são os protagonistas. Têm neste filme os seus primeiros papéis no cinema. E com que sinceridade vivem as suas figuras humaníssimas, tocadas de um sopro de poesia rustica, e daquele sentimentalismo, feito de amor e singeleza, que é apanágio dos portugueses. Todos os intérpretes são estreantes, nunca até aqui haviam pisado o palco ou enfrentado a câmara. E é por isso que, sem nomes de cartaz, e sem um título atrás de si, «A Canção da Terra» se alguma coisa constituir, constitui-o por si própria, sem arrimos nem bordões.  
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Critica da época ao filme «A canção da Terra» - continuação

760 «A Canção da Terra» é um filme notável, realizado por um novo, que se soube rodear de gente nova, animados da vontade de fazer uma obra que se impusesse, a todos os títulos. É uma concretização de um sonho plenamente realizado, um triunfo absoluto para quantos nele intervieram. Jorge Brum do Canto marca dum golpe, o seu talento de realizador. Razão tinham aqueles que nele depositaram fundadas esperanças. Brum do Canto tem o cinema nas veias. Domina as situações, com beleza plástica, dentro das mais puras regras cinematográficas. O filme é cinema, do princípio ao fim, cinema que vence e convence.
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Critica da época ao filme «A canção da Terra»

«A Canção da Terra» é um filme honesto na sua técnica, nos seus processos e nas suas intenções. É honesto na técnica, porque Brum do Canto o realizou dentro dos seus estritos moldes cinematográficos, sem recorrer a expedientes nem a rodriguinhos de efeito fácil. É honesto nos processos porque não assenta sobre nenhum romance célebre, não procura impor-se à custa de uma história conhecida, e não pretende triunfar por outros motivos que não sejam os do seu valor intrínseco, como filme e como espetáculo. É honesto nas intenções, porque foi realizado com uma nobreza absoluta, sem se escudar numa publicidade enganosa, com uma finalidade sã e humaníssima: ensinar os homens a amar a terra, ou melhor, a sua terra, e arrancar dela os tesouros que nela se escondem, e que valem mais, e bem mais, do que desses países da ilusão, que os portugueses demandam, em busca de uma fortuna enganosa, que só lhes traz desgostos.  
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Óscar de Lemos canta «Canção do Caçarola»

 

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«Canção do Caçarola» O Teu nome é Joaquina / E o meu nome é Manuel / Manuel e Joaquina / Cai como a sopa no mel / ai, ai, ai / cai como a sopa no mel / Minha avó foi-se deitar / Meu avô estava borracho / Desataram a brigar / caíram da cama abaixo / ai, ai, ai / caíram da cama abaixo / pois é / antes que não calhe / Aproveita agora / Dá-lhe agora, dá-lhe / pois é / antes que não calhe / Aproveita agora / Dá-lhe agora, dá-lhe / Se eu for um dia a casar / Há-de ser contigo ao lado / Para ter muitos meninos / De nariz arrebitado / ai, ai, ai / de nariz arrebitado / Eu andei pelo Brasil / Por aqui e por ali / Mas uma cara tão linda / Foi coisa que nunca vi /ai, ai, ai / Foi coisa que nunca vi / pois é / antes que não calhe / Aproveita agora / Dá-lhe agora, dá-lhe / pois é / antes que não calhe / Aproveita agora / Dá-lhe agora, dá-lhe /
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Óscar de Lemos canta «Gosto imenso de Pescar»

 

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As canções tinham letra do próprio realizador, Jorge Brum do canto e a música era composta por Afonso Correia leite e Armando Rodrigues. Uma das canções que mais se destacavam era «Gosto Imenso de Pescar» interpretada pelo Actor Óscar de Lemos: Põe no anzol uma isca / Engoda bem a preceito / Deita pró mar o anzol / Aguenta a cana com jeito / Olha a curva do arame / tem cuidado no esticão / Puxa-lhe com toda a gana / Já tens um peixe na mão / Gosto, Gosto, Gosto / Gosto imenso de pescar / Quem quiser saber de mim / Vá procurar-me no mar / Gosto, Gosto, Gosto / De ver o peixe a saltar / Gosto, Gosto, Gosto / Gosto imenso de pescar / Tu cantas com muita força / Tens guelras de pirum / Mas a mim não me arrefece / Nem me dá calor nenhum / vai cantar isso pr’a outro / Que não te visse pescar / Pois quem não te conhecer / Ainda te pode comprar / Gosto, Gosto, Gosto / Gosto imenso de pescar / Quem quiser saber de mim / Vá procurar-me no mar / Gosto, Gosto, Gosto / De ver o peixe a saltar / Gosto, Gosto, Gosto / Gosto imenso de pescar / Ai o meu rico menino / Estás aqui estás a comer / E eu cá sou de qualidade / De pôr-te o juízo arder / Não te assustes é mentira / Que eu cá não era capaz / Nós somos unha com carne / E tu sempre és bom rapaz / Gosto, Gosto, Gosto / Gosto imenso de pescar / Quem quiser saber de mim / Vá procurar-me no mar / Gosto, Gosto, Gosto / De ver o peixe a saltar / Gosto, Gosto, Gosto / Gosto imenso de pescar.  
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Mais algumas observações sobre o filme «A Canção da Terra»

-013 OBSERVAÇÕES: "À época Jorge Brum do Canto defendeu que "A Canção da Terra" é quase um filme de cowboys (...) tem acima de tudo o mais, aquele ritmo feroz, impressionante e ofegante dos westerns, ritmo que foi o pai de todo o cinema de hoje". A comparação não é despropositada, como o não é a adjectivação do ritmo do filme. Mas, o que mais surpreende, a uma visão actual, é a elevação à máxima sacralidade do décor e da paisagem de Porto Santo. (...) Hoje o que sobreleva é a carga mitológica da obra, o seu animismo crucial a sua sensualidade mórbida e, por vezes, assaz escatológica." João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, col. Sínteses da Cultura Portuguesa, Europália 91, ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1991. 20
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Observações sobre o filme «A Canção da Terra»

753 OBSERVAÇÕES: «Visto à distância (...), A CANÇÃO DA TERRA não perdeu qualidades, sobretudo naquilo que sempre constituiu o seu forte: o ritmo visual, a sequência sempre dominada pela imagem, a beleza incomparável da terra e do mar, o tom lírico mantido com segurança e sem pieguice. (...) Jorge Brum do Canto soube traduzir essa imagem poética numa forma cinematográfica que muito deve ao seu operador Aquilino Mendes. Mais próximo de Flaherty ou de Epstein que dos russos, sobra-lhe uma sensibilidade e um conhecimento pessoal muito directo daquilo que mostra.» Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986 5
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A distribuição do elenco de «A canção da Terra»

3 Intérpretes Barreto Poeira - Gonçalves / Elsa Rumina - Bastiana / Óscar de Lemos - Caçarola / António Moita - João Venâncio / João Manuel Pinheiro - Nazairinho / Maria Emília Vilas - Sª Joaquina, Mãe de Bastiana / José Celestino Soares - Sr Zé Luís, Pai de Gonçalves e ainda: Mota da Costa... Realização - Jorge Brum do Canto / Produção - Jorge Brum do Canto e Aquilino Mendes / Fotografia - Aquilino Mendes / Direc. Musical - Afonso Correa Leite / Música das Canções - Afonso Corrêa Leite e Armando Rodrigues. Curiosidades: Filmado na Ilha de Porto Santo. Já existiu uma versão em vídeo lançada pela Imaginação Filmes, actualmente esgotada. Duração aproximada: 97 mn. P/B Ano de produção: 1938 4
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O elenco de «A canção da Terra»

1A um grupo de atores até então completamente desconhecidos do público confiou o realizador a interpretação do filme. Eram eles Elsa Rumina, Barreto Poeira, Óscar de Lemos, o pequeno João Manuel, Maria Emília Vilas, António Moita e José Celestino. Na ficha técnica vamos encontrar os nomes de Aquilino Mendes na fotografia, tendo como colaborador nos interiores do filme, Isy Goldberger, Peter Mayerowitz na montagem e Afonso Correia Leite e Armando Rodrigues, autores da música. «Canção da Terra» foi estreada no São Luís a 29 de Março de 1938. 2
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