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Cinema Sonoro

14 Intérpretes: Beatriz Costa - Gracinda / José Amaro - Chico / Manuel Santos Carvalho - Tio Jacinto / Elvira Velez - Viúva Quitéria / Óscar de Lemos - Luís / Armando Machado - Zé da Iria / Hermínia Silva - Maria da Luz, a Fadista / Octávio de Matos - Simão / Jorge Gentil - Chitas e ainda: Maria Salomé; Mário Santos; Milú; Aida Ultz; Sofia Santos... Realização - Chianca de Garcia / Produção - Espectáculos de Arte / Diálogos - Ramada Curto / Fotografia - Aquilino Mendes e Octávio Bobone / Música - Jaime Silva Filho. 17
15 Argumento: A vida, costumes pitorescos, quezílias e paixões dos populares que se encarregam da lavagem de roupa dos Lisboetas, indústria artesanal, mas competitiva onde se destaca a rivalidade entre o Tio Jacinto (Manuel Santos Carvalho) e sua afilhada Gracinda (Beatriz Costa) e a Viúva Quitéria (Elvira Velez) e seu filho Luís (Óscar de Lemos). 16
-012 Curioso será que após a estreia deste filme já no início de 1939 no cinema Tivoli, tanto Chianca de Garcia como Beatriz Costa partem rumo ao Brasil, para tentar aí uma carreia artística. A 15 de Novembro de 1943 estreia em Madrid, Espanha, o filme "Aldeia da Roupa Branca" com o título de "Ropa Blanka", onde obtém assinalável êxito. O mesmo acontece no Brasil, e é devido ao seu enorme êxito, que faz com que Beatriz Costa parta para lá. 18
6 Beatriz Costa, a grande vedeta do teatro ligeiro, na protagonista da história, papel que assentava como uma luva ao seu temperamento de comediante, proporcionou-nos a melhor das suas interpretações cinematográficas, pela sadia vivacidade, alegria comunicativa, transbordante simpatia que irradiava da sua atuação. Dava-lha a réplica, com muito acerto, um núcleo de intérpretes onde se incluíam os nomes de Manuel Santos Carvalho, José Amaro, Óscar de Lemos, Elvira Velez, Armando Machado, Hermínia Silva, Octávio de Matos, Maria Salomé, Sofia Santos e o ciclista Joaquim Manique. Como colaboradores de Chianca de Garcia no sector técnico encontravam-se Aquilino Mendes, que pôs no filme uma luminosa fotografia, o grande especialista de montagem que foi Vieira de Sousa, responsável por um dos melhores momentos do filme, a famosa corrida das galeras, trecho digno de antologia, os compositores Raul Portela e Raul Ferrão, que sublinharam o filme de música inspirada.    
1 Este filme de Chianca de Garcia, filme genuinamente português, era um sonho que o realizador acalentava desde 1933. Aliás foi por pouco que o filme "Aldeia da Roupa Branca" não foi o primeiro filme da Tobis Portuguesa. Na altura, os responsáveis da Tobis optaram pelo filme de Cottinelli Telmo "A Canção de Lisboa". Agora em 1938, Chianca de Garcia recebe luz verde para o seu filme, e assim nasce "Aldeia da Roupa Branca". O filme é ambientado numa aldeia próxima de Lisboa, onde as mulheres locais lavavam a roupa dos habitantes da capital. O filme centra a sua história na rivalidade de duas dessas empresas, a do Tio Jacinto, papel magistralmente interpretado pelo actor Manuel dos Santos Carvalho, e a da viúva Quitéria, outro papel memorável que marca a estreia no cinema de uma grande actriz de teatro, Elvira Velez. 3
Tendo por base um argumento da autoria do próprio realizador e de José Gomes Ferreira, Chianca de Garcia com «Aldeia da Roupa Branca», realiza o seu mais feliz e brilhante trabalho como realizador. Assunto tipicamente português, cheio de caracter e de pitoresco, dando-nos a pintura, em traço ora amável ora levemente irónico, mas sempre simpático e espirituoso, das pequenas localidades dos arredores de Lisboa, «os saloios», foi ele tratado por Chianca de Garcia com um excelente sentido de observação e um acerto diretivo digno de referência.  
900 «Os Fidalgos da Casa Mourisca», estamos convencidos, vai fazer carreira. O público acorrerá e não terá dificuldade em reconhecer, nas personagens, as figuras da história que o maravilhou em longos serões, e que o fez chorar no teatro, nos bons tempos em que Brazão era «D. Luís», José Ricardo o «Tomé da Póvoa» e Ilda Stichini a «Berta». Voltará a emocionar-se na cena do jantar, na visita de D. Luís ao adormecido quarto da filha, na retratação do fidalgo perante o seu antigo servidor. E desta vez não sairá de lá furioso por lhe terem iludido a espectativa de poder servir de «ponto», na sequência das cenas, à vizinha do lado que nunca tenha lido o romance famoso de Júlio Dinis. Crítica extraída da revista «CINE JORNAL» de 1938. 1120
901 Arthur Duarte deve prosseguir. Tem qualidades e visão. Esperaremos um novo filme seu, para nos pronunciarmos em definitivo, sobre a sua maneira. Inteligentemente (reportamo-nos à sua entrevista no «Diário de Lisboa») ele advoga a colaboração com técnicos estrangeiros. Antes de mais nada, necessitamos em Portugal dum bom «découpeur». Exceção feita à «Canção da Terra» e «Revolução de Maio» quase todos os filmes têm tido «découpages» deficientes. A dos «Fidalgos» ressente-se de seguir, pela sua ordem, os episódios do romance. Há que eliminar, de vez, no nosso cinema, as ligações de cenas em locais diferentes por frases começadas por uns e concluídas por outros, ou com palavras iguais a servir de traço de união. Cortar uma cena para encaixar outra no meio, que abre e fecha com cortinas, não é boa técnica cinematográfica. É um erro de «découpage» também. O filme tem algumas paisagens lindas, pena é que não inclua mais. Arthur Duarte, sobretudo nas do final, deu prova do seu bom gosto, na escolha de enquadramentos. Os cenários de Fred Neto, cuidados. A fotografia de Goldberger e Aquilino Mendes, luminosa. Há duas lindas canções de Cruz e Sousa e a música de Júlio Almada, sob a direção de René Bohet, é certa e feliz. 17
754 A interpretação continua a ser um dos problemas mais graves do cinema nacional. Verdadeiramente, só com os artistas de teatro podemos contar. Lá aparece um ou outro, fora da gente do palco, com qualidades. Mas estas evolam-se, quando as responsabilidades do papel as sobrelevam. Nos «Fidalgos da Casa Mourisca» os artistas do teatro alcançam uma enorme vantagem sobre os restantes intérpretes. João Lopes, no «Tomé da Póvoa», Henrique de Albuquerque, no D. Luís (ainda que, por vezes, declame como se estivesse no palco); Emília de Oliveira, na «Ana do Vedor»; a trindade Vital dos Santos, Silvetre alegrim e Aurélio Ribeiro nos «Primos do Cruzeiro» (talvez caricaturados em demasia) impõe-se no desempenho. 15lDos outros há a notar uma autêntica revelação: Teresa Casal, que tem um desempenho sensacional, se atendermos a que nunca enfrentara a objetiva. Elegantíssima, vestindo com riqueza e bom gosto (tão raramente se aliam estas duas características), Teresa Casal fala com à-vontade, move-se com distinção, tem o «cachet» duma verdadeira vedeta. Esperámos, com muito interesse, vê-la em breve, num papel de mais relevo. Os dois galãs, Tomás de Macedo e Eduardo Fernandes, lutam com as tremendas responsabilidades dos papéis. A situação grava-se com o facto de terem que declamar longas tiradas. Maria Castelar, bonita, gentil, trás para a tela a sua graça e frescura, na figura de Berta. os fidalgos da casa mourisca2
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