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Cinema Sonoro

cancao_saloia_do_filme_aldeia_da_roupa_branca_esp_michel_1_0911349001350907907 Outra das músicas que tanto sucesso fez era "As Princesas da Cidade", cantada pela Beatriz Costa, José Amaro e por populares. A canção tinha como objectivo indicar a superioridade das mulheres das aldeias face às mulheres da cidade. "AS PRINCESAS DA CIDADE" As princesas da cidade, oh, ai! São bonequinhas de armar / Só a nossa “colidade” / É de lavar e durar / Só a nossa “colidade” / É de lavar e durar / Se o noivo é de Caneças / E a noiva é da Malveira / Já podem pedir meças / Á saloiada inteira / Mas se não for com essas / Vá lá doutra maneira / A noiva de Caneças / O noivo da Malveira / Toma lá, dá cá / Quem não tem não dá / Quem estala a capa do canejo / Quem não deu, não dá / Quem já deu, dará / Não sejas tola Dá-me um beijo / Nossos braços são quentinhos, oh ai! Têm força para abraçar /E nos peitos redondinhos / Pode um homem descansar / E nos peitos redondinhos / Pode um homem descansar / Se o noivo é de Caneças / E a noiva é da Malveira / Já podem pedir meças / Á saloiada inteira / Mas se não for com essas / Vá lá doutra maneira / A noiva de Caneças / O noivo da Malveira / lol Não temos bocas pintadas, oh ai! Não temos a carne mole / “Semos” desenxovalhadas / E crestadas pelo sol / “Semos” desenxovalhadas / E crestadas pelo sol / Se o noivo é de Caneças / E a noiva é da Malveira / Já podem pedir meças / Á saloiada inteira / Mas se não for com essas / Vá lá doutra maneira /A noiva de Caneças / O noivo da Malveira. 7
25 "FADO DO RETIRO" É tão fresca a melancia / Como a boca da mulher / Nas tardes de romaria / Rapazes é que é beber / Chega a gente ao fim do dia / Sem dar pelo anoitecer / É para esquecer / É para aquecer / Que assim a beber / Tomei disto a vida inteira / Com este copo na mão / Quem tem de sofrer / Mais vale beber / Até perder / terei O sangue duma videira /Cá dentro do coração / Ó tristeza vai-te embora / Que a vida passa a correr / Se não te alegras agora / Quando é que o hás-de fazer / Bota vinho a toda a hora / Canta, canta, até poder / É para esquecer / É para aquecer / Que assim a beber / Tomei disto a vida inteira / Com este copo na mão / Quem tem de sofrer / Mais vale beber / Até perder / terei O sangue duma videira / Cá dentro do coração / Se cai um freguês que tem mau vinho / Para não estragar a frescata / É dizer-lhe com jeitinho / Bebe lá maia meia lata / Vá lá mais um pastelinho / É para esquecer / É para aquecer / Que assim a beber / Tomei disto a vida inteira / Com este copo na mão / Quem tem de sofrer / Mais vale beber / Até perder / terei O sangue duma videira /Cá dentro do coração. 10
13Continuando a falar das músicas do filme, estreava-se no cinema português uma jovem fadista que já tinha mostrado o seu talento nas caves do fado e no teatro de revista, alcançando a admiração não só da crítica como do público. Falámos da D. Hermínia Silva, que cantava dois belos fados neste filme, com música de Raul Ferrão e letra de Ramada Curto e Chianca de Garcia. É estes fados que iremos aqui recordar: "FADO DA FADISTA" Nasci num dia de chuva / Eu chorava, o céu chorava / Minha mãe cantava o fado / A ver se me consolava. / Depois palrei, Depois falei, Depois cantei, / Como quem sente um segredo / Represado na garganta / Vivi, sofri E no que vi, Compreendi / Que a fadista de nascença / Só é mulher quando canta. / Num dia de sol ardente / Passou pela minha rua / Olhamos um para o outro / E eu senti que ia ser sua / Ainda hesitei / Mas o que eu sei / É que cantei / Como quem canta, sentindo / Que a própria alma é que canta / E a fulgurar, a suplicar, o seu olhar / Tinha a mesma labareda / Que me queimava a garganta / Numa noite fria e escura / Não voltou á nossa casa / Pus os olhos no meu filho / Sentindo-me em brasa / E só então / Meu coração / Nessa traição / Entendeu a dor profunda /Que há na alma de quem canta / E me deixou / Me abandonou / Fez-me o que eu sou / Na agonia da saudade / Que enrouquece uma garganta.
21Uma das razões do sucesso do filme eram as suas canções, todas ficaram nos ouvidos dos portugueses e algumas delas ainda hoje são cantadas. Tinham música de Raul Ferrão e letra de Ramada Curto e Chianca de Garcia. Recordemos a mais famosa canção do filme. "Aldeia da Roupa Branca" Ai rio não te queixes, Ai o sabão não mata, Ai até lava os peixes, Ai põe-nos cor de prata. Roupa no monte a corar, Vê lá bem tão branca e leve, Dá ideia a quem olhar, Vê lá bem que caiu neve. Água fria, da ribeira, Água fria que o sol aqueceu, Velha aldeia, traga a ideia, Roupa branca que a gente estendeu. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Ai rio não te queixes, Ai o sabão não mata, Ai até lava os peixes, Ai põe-nos cor de prata. Olha ali o enxoval, Vê lá bem de azul da esperança, Parece o monte um pombal, Vê lá bem que pombas brancas. Água fria, da ribeira, Água fria que o sol aqueceu, Velha aldeia, traga a ideia, Roupa branca que a gente estendeu. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Ai rio não te queixes, Ai o sabão não mata, Ai até lava os peixes, Ai põe-nos cor de prata. Um lençol de pano cru, Vê lá bem tão lavadinho, Dormimos nele, eu e tu, Vê lá bem, está cor de linho. Água fria, da ribeira, Água fria que o sol aqueceu, Velha aldeia, traga a ideia, Roupa branca que a gente estendeu. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. 1004  
20 Dias antes da filmagem do exterior a que aludimos, um dia de chuva por sinal, havia-mos ido ao Lumiar assistir a outros trabalhos. Filmavam-se umas crianças que representavam o auto da «Princesa Magalona». A Milú, um talento precoce, aguardava a sua vez. Mais adiante outras garotas garantem-nos que se trata de uma filmagem infantil. E era mesmo. Lá estava o Rafalex ensinando três miúdos a dançar o fandango. Junto da objetiva Aquilino Mendes, auxiliado pelo seu assistente José Queiroga, trabalhava na afinação de luzes. Era um interior de responsabilidade. Alguém bate-nos nas costas. Damos de cara com Vieira de Sousa, que está montando a «Aldeia». É a primeira vez em que numa montagem não intervém um estrangeiro. Tudo nos leva a crer, pois que «Aldeia da Roupa Branca» obtenha um assinalável êxito. CRITICA EXTRAÍDA DA REVISTA «CINE-JORNAL» 10101
10100 Beatriz Costa, sem dúvida a nossa primeira vedeta do teatro musicado, é duma simpatia sem limites. Nos seus gestos, nas suas palavras não há sombra de vaidade. É a mesma Beatriz de sempre, aquela Beatriz que o público se habituou a estimar. Sempre que entrámos no estúdio, lá a vemos. Está encantadora no seu traje de saloia de Caneças. Bota alta, saias de balão, um lenço puxando os cabelos, a Beatriz criou um «tipo característico». Falamos da «Aldeia». Beatriz mostra-se entusiasmada. Há muito que sonhava desempenhar o papel que há semanas lhe confiaram, e há muito que lho haviam oferecido. Mas, só agora, a «Aldeia da Roupa Branca» passou do argumento para a realização. E Beatriz põe toda a sua fé naquele filme. A figura que está a interpretar parece ter sido escrita propositadamente para ela. Deixámos Beatriz relendo os diálogos do seu papel, e damos uma volta pelo «decor», onde já se está trabalhando. Santos Carvalho, aproveitando um intervalo, dorme uma riquíssima sesta como qualquer saloio que se presa. Afirmam-nos que Manuel Santos Carvalho vai bem que se farta. A naturalidade de representação e o à-vontade com que diz, impõe-no como grande ator de cinema. Na «Aldeia» faz de padrinho da Beatriz. Alguém que está ao nosso lado comenta: «Se aqui estivesse o Óscar, ele não dormia!». É verdade, faltava o Óscar de Lemos, da «Canção da Terra» e que na «Aldeia da Roupa Branca» vai confirmar os seus créditos de artista. Começou a filmar-se. A cena representa os preparativos para o dia da festa. Fazem-se bandeiras, e preparam-se as decorações. O Antero Faro, sempre atento, como esplendido assistente que é, não perde um único momento. Fernando Barros, «doublé» de caracterizador e assistente geral, não tem também, um minuto de descanso. As filmagens prosseguem. 580
  Nas traseiras dos edifícios da «Lisboa Filme» construiu-se uma aldeia. Não julguem que se trata de um «pastel» sem ambiente, sem perspetiva, sem interesse visual. Pelo contrário. A aldeia é, no seu género, um belíssimo trabalho. Nada faltou. O espírito de observação do seu autor, Arlindo, nota-se a cada instante. Lá está a capelinha, com o seu estilo característico; as casas baixas, de uma porta e uma janela; as abóboras, como brasões de antepassados; o largo onde a rapaziada passa o seu tempo, e onde se realizará um dos maiores «clous» da «Aldeia da Roupa Branca», o encontro das duas bandas, no dia da festa. Enquanto os foguetes estoiram no ar, e o público em massa, se dirige para o largo, surgem, uma de cada lado, as duas filarmónicas. Ambas querem alcançar o coreto. Dá-se o choque e, não contámos o resto para não roubarmos o interesse desta cena que, cinematograficamente vai dar que falar. Constituindo um número de planos muito razoável, o encontro das bandas far-se-á no final das filmagens. Ninguém dirá, a não ser quem o saiba de antemão, que a aldeia é fictícia. Já houve até quem lhe chamasse a «Aldeia mais portuguesa de Portugal».
89 Com um método de trabalho modelar e uma disciplina que se pode reputar de exemplo, as filmagens de «Aldeia da Roupa Branca» avançaram sempre a bom ritmo. Os diálogos do Dr. Ramada Curto são primorosos. Não há literatura. Há a linguagem que fala aquela boa gente. Aquela linguagem muito nossa conhecida, até por tradição. Os versos, da autoria do Dr. Tomaz Ribeiro Colaço são, também populares. Junte-se-lhe a música dos maestros Raúl Portela e Raúl Ferrão, e teremos números que ficarão «no ouvido». Tudo nos leva a crer pois, que a «Aldeia da Roupa Branca» obtenha um justificado êxito. 10
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