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Cinema Sonoro

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Intérpretes: Madalena Sotto - Madalena Reis / Oliveira Martins - Eduardo / Maria Matos - D. Inácia / António Silva - António Gouveia / Noé Almeida - Augusto / Dina Teresa - Dina / Costinha - Xavier e ainda: Silvestre Alegrim; João Manuel Pinheiro; Regina Montenegro; Aurélio Ribeiro... Realização - Leitão de Barros / Produção - Tobis Portuguesa /Fotografia - Salazar Diniz e Octávio Bobone / Argumento e Diálogos - João Bastos / Música - Frederico de Freitas. Duração aproximada: 102 mn. P/B Ano de produção: 1939 218  
150 Argumento: O idílio de Madalena e Eduardo, naturais de Alcobaça, é interrompido quando, num dia de festa, ele é convidado para corredor profissional de bicicleta, ela para ser actriz na capital. Só Eduardo aceita, sagrando-se campeão, e amado por uma actriz de teatro. Madalena não aceita essa traição e vai para Lisboa, onde torna-se uma actriz de sucesso. 134
291 Este filme chegou aos nossos dias bastante mutilado, faltam algumas partes incluindo até mesmo o final. O filme tinha tudo para agradar, pois tratava de um tema que girava em volta de um acontecimento desportivo que interessou vivamente a opinião de todo o país, a volta a Portugal em Bicicleta. No seu elenco contava-se com uma dupla de peso, António Silva e Maria Matos, que se defrontam pela primeira vez como rivais no cinema português. Como secundários entravam actores bastante do agrado do público, como Costinha, Dina Teresa que volta ao cinema depois de "A Severa", e antes de partir definitivamente para o Brasil, e ainda Silvestre Alegrim e Regina Montenegro. Como casal principal entrava de novo o galã Oliveira Martins e estreava-se no cinema aquela que teria uma longa carreira teatral, e hoje tão injustamente esquecida, Madalena Sotto. Dona de uma beleza invulgar e de uma vivacidade surpreendente, Madalena Sotto deixaria o país inteiro apaixonado. 43
1 O ano de 1939, como exceção ao que durante os anos subsequentes se verificaria, tem a assinalá-lo, unicamente, a estreia de um filme, «A Varanda dos Rouxinóis», segunda comédia cinematográfica que se pode apontar na carreira longa e bem preenchida de Leitão de Barros. Filme de ambiente desportivo, baseado num argumento de João Bastos e trazendo para a tela, como elemento acessório de atração espetacular, um desporto favorito do público, o ciclismo, «A Varanda dos Rouxinóis», velho sonho de Leitão de Barros, que já desde os tempos heroicos da Tobis se encontrava entre os projetos daquele realizador, teve a interpretá-lo um naipe valioso de comediantes: Maria Matos, António Silva, Costinha e Silvestre Alegrim. 2 Oliveira Martins fazia a sua reaparição num primeiro papel e verificava-se outrossim a estreia cinematográfica duma atriz que pouco antes vinha de começar também a sua carreira teatral, Madalena Sotto. Dina Teresa, depois da sua aparição em «A Severa», voltava a atuar no cinema; o ciclista Noé de Almeida intervinha igualmente no filme; João Manuel, o pequeno de «A Canção da Terra», aparecia também. António Salazar Dinis e Octávio Bobone foram os operadores do filme; assinava a partitura musical Frederico de Freitas; desempenhando António Vilar, em vésperas da sua primeira atuação cinematográfica, as funções de caracterizador. Estreou-se no Tivoli a 19 de Dezembro de 1939. 8
cancao_saloia_do_filme_aldeia_da_roupa_branca_esp_michel_1_0911349001350907907 Outra das músicas que tanto sucesso fez era "As Princesas da Cidade", cantada pela Beatriz Costa, José Amaro e por populares. A canção tinha como objectivo indicar a superioridade das mulheres das aldeias face às mulheres da cidade. "AS PRINCESAS DA CIDADE" As princesas da cidade, oh, ai! São bonequinhas de armar / Só a nossa “colidade” / É de lavar e durar / Só a nossa “colidade” / É de lavar e durar / Se o noivo é de Caneças / E a noiva é da Malveira / Já podem pedir meças / Á saloiada inteira / Mas se não for com essas / Vá lá doutra maneira / A noiva de Caneças / O noivo da Malveira / Toma lá, dá cá / Quem não tem não dá / Quem estala a capa do canejo / Quem não deu, não dá / Quem já deu, dará / Não sejas tola Dá-me um beijo / Nossos braços são quentinhos, oh ai! Têm força para abraçar /E nos peitos redondinhos / Pode um homem descansar / E nos peitos redondinhos / Pode um homem descansar / Se o noivo é de Caneças / E a noiva é da Malveira / Já podem pedir meças / Á saloiada inteira / Mas se não for com essas / Vá lá doutra maneira / A noiva de Caneças / O noivo da Malveira / lol Não temos bocas pintadas, oh ai! Não temos a carne mole / “Semos” desenxovalhadas / E crestadas pelo sol / “Semos” desenxovalhadas / E crestadas pelo sol / Se o noivo é de Caneças / E a noiva é da Malveira / Já podem pedir meças / Á saloiada inteira / Mas se não for com essas / Vá lá doutra maneira /A noiva de Caneças / O noivo da Malveira. 7
25 "FADO DO RETIRO" É tão fresca a melancia / Como a boca da mulher / Nas tardes de romaria / Rapazes é que é beber / Chega a gente ao fim do dia / Sem dar pelo anoitecer / É para esquecer / É para aquecer / Que assim a beber / Tomei disto a vida inteira / Com este copo na mão / Quem tem de sofrer / Mais vale beber / Até perder / terei O sangue duma videira /Cá dentro do coração / Ó tristeza vai-te embora / Que a vida passa a correr / Se não te alegras agora / Quando é que o hás-de fazer / Bota vinho a toda a hora / Canta, canta, até poder / É para esquecer / É para aquecer / Que assim a beber / Tomei disto a vida inteira / Com este copo na mão / Quem tem de sofrer / Mais vale beber / Até perder / terei O sangue duma videira / Cá dentro do coração / Se cai um freguês que tem mau vinho / Para não estragar a frescata / É dizer-lhe com jeitinho / Bebe lá maia meia lata / Vá lá mais um pastelinho / É para esquecer / É para aquecer / Que assim a beber / Tomei disto a vida inteira / Com este copo na mão / Quem tem de sofrer / Mais vale beber / Até perder / terei O sangue duma videira /Cá dentro do coração. 10
13Continuando a falar das músicas do filme, estreava-se no cinema português uma jovem fadista que já tinha mostrado o seu talento nas caves do fado e no teatro de revista, alcançando a admiração não só da crítica como do público. Falámos da D. Hermínia Silva, que cantava dois belos fados neste filme, com música de Raul Ferrão e letra de Ramada Curto e Chianca de Garcia. É estes fados que iremos aqui recordar: "FADO DA FADISTA" Nasci num dia de chuva / Eu chorava, o céu chorava / Minha mãe cantava o fado / A ver se me consolava. / Depois palrei, Depois falei, Depois cantei, / Como quem sente um segredo / Represado na garganta / Vivi, sofri E no que vi, Compreendi / Que a fadista de nascença / Só é mulher quando canta. / Num dia de sol ardente / Passou pela minha rua / Olhamos um para o outro / E eu senti que ia ser sua / Ainda hesitei / Mas o que eu sei / É que cantei / Como quem canta, sentindo / Que a própria alma é que canta / E a fulgurar, a suplicar, o seu olhar / Tinha a mesma labareda / Que me queimava a garganta / Numa noite fria e escura / Não voltou á nossa casa / Pus os olhos no meu filho / Sentindo-me em brasa / E só então / Meu coração / Nessa traição / Entendeu a dor profunda /Que há na alma de quem canta / E me deixou / Me abandonou / Fez-me o que eu sou / Na agonia da saudade / Que enrouquece uma garganta.
21Uma das razões do sucesso do filme eram as suas canções, todas ficaram nos ouvidos dos portugueses e algumas delas ainda hoje são cantadas. Tinham música de Raul Ferrão e letra de Ramada Curto e Chianca de Garcia. Recordemos a mais famosa canção do filme. "Aldeia da Roupa Branca" Ai rio não te queixes, Ai o sabão não mata, Ai até lava os peixes, Ai põe-nos cor de prata. Roupa no monte a corar, Vê lá bem tão branca e leve, Dá ideia a quem olhar, Vê lá bem que caiu neve. Água fria, da ribeira, Água fria que o sol aqueceu, Velha aldeia, traga a ideia, Roupa branca que a gente estendeu. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Ai rio não te queixes, Ai o sabão não mata, Ai até lava os peixes, Ai põe-nos cor de prata. Olha ali o enxoval, Vê lá bem de azul da esperança, Parece o monte um pombal, Vê lá bem que pombas brancas. Água fria, da ribeira, Água fria que o sol aqueceu, Velha aldeia, traga a ideia, Roupa branca que a gente estendeu. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Ai rio não te queixes, Ai o sabão não mata, Ai até lava os peixes, Ai põe-nos cor de prata. Um lençol de pano cru, Vê lá bem tão lavadinho, Dormimos nele, eu e tu, Vê lá bem, está cor de linho. Água fria, da ribeira, Água fria que o sol aqueceu, Velha aldeia, traga a ideia, Roupa branca que a gente estendeu. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. Três corpetes, um avental, Sete fronhas, um lençol, Três camisas do enxoval, Que a freguesa deu ao rol. 1004  
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