Username:

Password:

Perdeu a Password? / Ajuda

Cinema Sonoro

1114

Depois de uma década de ouro para o nosso cinema, na década de quarenta vai-se explorar até ao limite os géneros que tinham feito sucesso na década anterior. As produções de António Lopes Ribeiro vão apostar na comédia à portuguesa, bem como Arthur Duarte; Leitão de Barros vai apostar nas produções históricas; Henrique de Campos no filme rural e por aí adiante. O sucesso dos filmes deve-se muitas vezes aos grandes actores do teatro de então: António Silva, Vasco Santana, Teresa Gomes, Ribeirinho, Maria Matos, Lucília Simões, Maria das Neves, Erico Braga, entre muitos outros. Numa altura em que a Europa estava envolvida na 2ª Guerra Mundial, que Portugal vivia um período de racionamento de alimentos, o cinema era considerado como a grande distracção do povo. laura1254

( Madalena Sotto)

(Filmagens do filme)

(Filmagens do filme)

 10001002

(Publicidade ao filme «A Varanda dos Rouxinóis»)

1001

 1041FCGpKeZ7JuJqZHZsfjZa

Ainda no setor técnico destacavam-se os responsáveis pela excelente fotografia do filme, Salazar Dinis e Octávio Bobone. Foi diretor da produção o Dr. Rodrigues Pinto, então Presidente do Conselho da Administração da Tobis, sendo António Vilar o caracterizador do filme. Foram assistentes António César dos Santos, Fernando Silva e Antero Faro. O som era de Sousa Santos e a montagem de Peter Meyrowitz e de Regina Fróis. Como anotador estava um profissional já muito batido nas lides do cinema português, Estácio de Barros. O filme estreia-se no Tivoli a 19 de Dezembro de 1939.    

 12

Na parte técnica e criativa colaboraram também na produção de «A Varanda dos Rouxinóis». João Bastos, além do argumento, como autor dos versos das canções que o filme apresentava: a «Canção da Varanda», com música de Frederico de Freitas, a quem pertencia também a música de «Janelinha da Trapeira» e de «Chapelinho ao Lado», sendo de Cruz e Sousa a melodia da «Marcha dos Campeões». Frederico de Freitas escreveu ainda a partitura musical do filme.

 36s

Destacam-se igualmente duas atrizes no filme «A Varanda dos Rouxinóis». Eram elas Madalena Sotto que estreava-se no cinema com este filme e Dina Teresa que regressava às telas oito anos após ter vivido o papel de «Severa» no filme com o mesmo nome. Madalena Sotto, jovem da província que sonhava em ser atriz, triunfaria neste filme deixando o público e críticos rendidos ao seu talento. Teria uma longa e prestigiada carreira teatral. Este filme seria a última oportunidade de rever Dina Teresa de novo nas telas de cinema. Oito anos depois de ter interpretado a "Severa" no filme com o mesmo nome de Leitão de Barros, Dina Teresa regressa ao cinema português com um papel sem dúvida bastante diferente. Ela interpreta a si própria, Dina, uma vedeta de teatro que de repente se vê relegada para segundo plano, com a estreia de uma nova vedeta, Madalena. As cenas em que participa, sobretudo os seus ataques de ciúme, são verdadeiramente hilariantes. Após o sucesso deste filme Dina Teresa partiria para o Brasil, só voltando no início dos anos 80, pouco antes da sua morte. 583

(Costinha, Oliveira Martins e Dina Teresa numa cena do filme)

 412

Maria Matos faz neste filme o papel de D. Inácia, madrinha de Madalena, que vem para Lisboa zelar pelos interesses da afilhada. Escusado será dizer que as cenas em que estes dois monstros do teatro português se confrontam são absolutamente hilárias. Não só o público, mas também a crítica rendeu-se ao talento destes dois atores. Pena será dizer que hoje não é possível visualizarmos este filme pois ele encontra-se incompleto.

 292280

António Silva regressa ao cinema Português num papel á sua altura, o de um empresário, António Gouveia, que numa visita a Alcobaça, conhece Madalena e se convence de que ela daria uma excelente actriz de revista. Faz novamente um papel de malabarista, ardiloso e meio aldrabão que tanto agradava ao público. Mas, o sucesso deste filme deve-se em muito a uma actriz que Leitão de Barros vai buscar para defrontar pela primeira vez nas telas de cinema a António Silva, falamos da grande actriz cómica Maria Matos. Embora já tivessem trabalhado juntos no filme "As Pupilas do Sr. Reitor", é neste filme que se confrontam como rivais, papéis que voltariam a repetir com igual êxito nos filmes "O Costa do Castelo" e "A Menina da Rádio".

 10421043

É o Pintainho quem salva a situação. O garoto, que ajuda no teatro, lembra-se duma subscrição e fala à Madalena. A bicicleta aparece e o sonho transforma-se em realidade. Na prova, toma parte também, o antigo carteiro, hoje «ás» do ciclismo. Dele nunca se esquecera a que o conheceu junto á varanda dos rouxinóis. E, talvez por despeito, tivesse querido auxiliar o novo rival, que vem a ganhar a corrida, com grande surpresa de todos. Depois…Não. Prometemos a Leitão de Barros não revelar o final, que é um achado. Digamos antes, que o antigo carteiro reencontrará aquela que lhe havia feito nascer o seu primeiro amor, após uma «trouvaille» engraçadíssima e inesperada. Como vêm, o argumento tem o sabor da graciosa sátira. As figuras são familiares e tudo tem um gracioso humor popular, saborosamente alfacinha.

Put here your trakcing code, e.g. from Google Analytics.