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Cinema Sonoro

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Argumento: João Ratão é um dos muitos jovens portugueses mobilizados para combater na I Guerra Mundial, na batalha da Flandres. Para trás, na sua aldeia do vale do Vouga, João Ratão deixou a sua noiva, Vitória, com quem troca apaixonadas cartas de amor, que enlevam todos os seus vizinhos, que para mais o consideram um herói. Quando finalmente regressa a casa, é recebido com uma grande festa, apenas perturbada pelas histórias que chegam de França que ameaçam o seu noivado com Vitória. E quando um dia chega à aldeia uma francesa...

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(Fotos de cima: 1) Óscar de Lemos ao lado de Maria Domingas, Silva Araújo e Emília Vilas; 2) Álvaro de Almeida em pé e António Silva, Costinha, Manuel dos Santos Carvalho e Filomena Lima sentados; Fotos de baixo: ambas vê-se Óscar de Lemos ao lado de Maria Domingas)

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Como curiosidade, e como a primeira parte do filme era passado na 1ª Guerra Mundial, onde João Ratão tinha ido para lutar, foram construídos nos estúdios da Tobis Portuguesa, um abrigo subterrâneo, uma trincheira e as linhas alemãs. Já na segunda parte do filme e após o regresso de João à sua aldeia, ele vai trabalhar como madeireiro, para o efeito as filmagens da Faina dos madeireiros tinha lugar no Vale do Vouga. O filme teve tanto sucesso que se manteve em cartaz durante 10 semanas consecutivas. «João Ratão» estreou-se no São Luís, a 29 de Abril de 1940.

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 (Foto 1 e 2 Óscar de Lemos; Foto 3 António Silva e Manuel dos Santos Carvalho; Foto 4 Álvaro de Almeida e António Silva)

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Da extensa distribuição do filme faziam parte Óscar de Lemos, actor muito apreciado pelo público, e uma jovem que começava a dar os primeiros passos e que teria uma longa carreira teatral, Maria Domingas. Para completar o elenco surgiam os atores António Silva, Manuel dos Santos Carvalho, Teresa Casal, Costinha, Álvaro de Almeida, Filomena Lima, António Maia, Maria Emília Vilas, Aida Ultz, Fernanda de Sousa, Silva Araújo entre outros. Intervinham ainda, em atividade acessória da sua colaboração no sector técnico, Fernando Garcia e Perdigão Queiroga, que alguns anos mais tarde surgiriam como Diretores Cinematográficos.

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Na longa lista dos colaboradores diretos da obra estão incluídos Aquilino Mendes, que soube servir o filme com excelente fotografia, mormente nos lindíssimos exteriores do Vale do Vouga, onde grande parte da ação decorria; António Melo e Jaime Silva Filho, autores da música; o arquiteto Raul Faria da Fonseca, responsável pelas construções para o filme, entre as quais se destacavam, pela sua amplitude, uma aldeia beirã, erigida em locais anexos aos estúdios da Tobis Portuguesa, em cujo estúdio o filme se realizou; Arthur Duarte como Diretor de cena; Fernando Garcia, assistente de realização; Antero Faro, assistente geral e como caraterizadores, Fernando Barros e António Vilar.

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«João Ratão» foi levado à tela por Fernando Fragoso, especialista no difícil e importantíssimo sector da adaptação cinematográfica, e pelo próprio realizador, Jorge Brum do Canto, que foram, assim, os autores da adaptação cinematográfica, os quais se viram forçados a alterar sensivelmente o esquema da peça por forma a torná-la convenientemente cinematográfica, embora com a preocupação naturalíssima de manterem, tanto quanto possível, o entrecho de «vaudeville» e, sempre, o espirito da obra teatral donde provinha. «João Ratão» apresenta-se como o segundo trabalho diretivo de Jorge Brum do Canto. 1017

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O ano de 1940 apresenta no seu ativo três produções - «Feitiço do Império», «João Ratão» e «Pão Nosso». «João Ratão», a peça célebre da parceria de João Bastos, Ernesto Rodrigues e Félix Bermudes, e que tinha sido um dos mais extraordinários êxitos do teatro musicado vinte anos antes, interpretada pelo grande Estevão Amarante e levada à cena pela primeira vez no teatro Avenida, em Lisboa, a 23 de Janeiro de 1920, andara durante muito tempo, como é compreensível, nos planos da produção portuguesa, mas é só neste ano que tem finalmente a sua transposição cinematográfica.

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Durante os anos quarenta, Espanha e Portugal manterão uma série de contactos políticos e económicos que virão romper com a tradicional apatia que caracterizava as suas relações diplomáticas. As causas desta união são bastantes perceptíveis: ambos os países possuem uma cultura similar, e por sua vez são governados por uma ditadura que se manterá neutra perante um conflito mundial. Perante esta situação, decidem estreitar a sua amizade e suas relações comerciais. Estas conexões, no entanto, abrangem desde a alta diplomacia até a produtos de primeira necessidade, não sendo alheia a esta frutífera amizade a indústria cinematográfica. Porque será precisamente nesta altura que se realizará o maior número de co-produções luso-espanholas? Porque haverá nesta ocasião um intercâmbio constante de artistas e técnicos? Embora a Europa inteira estivesse em guerra com o irrompimento da 2ª Guerra Mundial, Espanha e Portugal declaram-se neutras perante o conflito.

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Posteriormente, Salazar e Franco assinariam um tratado de não-agressão e de amizade em 17 de Março de 1939. Este pacto foi o ponto de partida da transformação das relações de ambos os países, historicamente indiferentes e apáticas, em uma colaboração e amizade quase obrigatória, perante a aparente neutralidade da Península Ibérica. Os sucessos da linha central e os sentimentos germanófilos de alguns políticos fizeram com que Espanha saísse da neutralidade em Junho de 1940. Em consequência disso, o Embaixador Teotónio Pereira, a 29 de Junho de 1940, promove a assinatura de um protocolo adicional que rectificasse a amizade da Península Ibérica tranquilizando assim os portugueses. Quando os EUA entram na guerra em Dezembro de 1941, a Espanha adquire um papel mais moderado no seu posicionamento estratégico. Neste momento, uma aliança com Portugal, aliado histórico de Inglaterra, é fundamental para assegurar a continuidade da não agressividade entre ambos os Países. Neste momento, as relações cinematográficas entre ambos os Países multiplicam-se, começando assim uma política de colaboração, que vai levar ao início de inúmeras co-produções, embora seja digno de nota, que as relações cinematográficas entre ambos os Países já tivesse iniciado antes da guerra, no entanto foi durante e no após guerra que ela se vai intensificar. (Artigo baseado na obra de Isabel Sempere)

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Esta é também a década das co-produções com Espanha e com o Brasil, o que leva alguns actores portugueses a irem para lá para filmarem, e actores espanhóis a virem de lá para cá. E é precisamente com uma produção brasileira, "Vendaval Maravilhoso" que a década se fecha, o filme é um autêntico fracasso tanto no nosso país como no Brasil, e assinala o início da decadência do nosso cinema.

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Como não existia em Portugal actores de raiz de cinema, tinha que se ir buscar ao teatro os grandes actores de então, que acabam por trazer para o cinema a sua condição teatral. Mas, a partir de meados desta década começam a surgir os primeiros actores que não vinham do teatro, mas que eram escolhidos por concurso para entrarem no mundo do cinema, era o caso de Virgílio Teixeira, Milú, Leonor Maia, António Vilar, Julieta Castelo, Maria Eugénia, Fernando Curado Ribeiro, etc... Esta é a década das grandes produções históricas como Camões, Inês de Castro ou Vendaval Maravilhoso. É a década do surgimento de Amália Rodrigues no cinema, e o curioso é que são precisamente os seus filmes os que mais sucesso irão fazer.

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