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Cinema Sonoro

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O 3º Filme e último destas produções foi a opereta "Minha Noite de Núpcias", uma comédia baseada no filme "Her Wedding Night" de Frank Tuttle, estreada a 4 de Maio de 1931 no Tivoli tendo como intérpretes Beatriz Costa, Estevão Amarante, Leopoldo Frois, Maria Sampaio, Amélia Pereira e Alberto Reis. O filme teve como realizador o alemão E. W. Emmo. Das três produções da Paramount, esta foi a que alcançou maior êxito de público e de crítica.

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I0011489-12PX=000188PY=001556 Os intérpretes eram: Corina Freire como Helena Lee; Raul de Carvalho como Jorge Farland; Ester Leão no papel de Margarida Dell; Alexandre de Azevedo como Ernesto Lee; António Sacramento em Daniel Playgate; Alves da Costa como Alfredo Brown; a actriz Nirva do Rio como Mme. Carlton e ainda noutros papeis: Helena de Azevedo; Maria de Carvalho; Fernanda de Sousa e muitos outros...
6 Assim como «A Canção do Berço», o filme «A Dama que Ri» foi rodado nos estudos parisienses da Paramount em múltiplas versões linguísticas, com actores diferentes e ligeiras adaptações no argumento, estratégia corrente dos primeiros anos do sonoro europeu para conquistar os mercados nacionais. A notícia da vinda a Lisboa de responsáveis da Paramount para escolher os actores que participariam naqueles filmes gerou enorme comoção, não só entre os jornalistas cinematográficos, como entre os espectadores de cinema. Esta segunda produção voltava a agitar o nosso país que ansiava ouvir a sua língua nas telas de cinema. 7

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Helena Lee fizera um casamento por conveniência. O seu temperamento não era compreendido pelo seu marido, Ernesto, que apenas se preocupava com a sua vida de banqueiro. Nelly, a filhinha, era o unico elo que os ligava ainda aos preconceitos deste mundo. Um incidente, entretanto, modifica o destino de Ernesto e Helena. Esta, envolta num escândalo, habilmente explorado por um jornalista sem escrúpulos, passa a sofrer a censura e o enxovalho de todos os que a rodeavam. Ernesto, instigado pela amante, aproveita o ensejo para requerer o divórcio. A causa é julgada. Farland, o advogado do banqueiro, ataca Helena. Esta, sentindo a injustiça da lei e impotente para se defender do acêrvo de mentiras que ouve, ri, ri de ódio e raiva. Condenada pelo juíz, a filhinha é entregue a Ernesto. Então, Helena decide vingar-se.

A sua primeira vítima é Farland, que não resiste à sedução. E utilizando Drown, o jornalista, ávido de escândalos, Helena revela ao público a moral de Farland. Este, depois de conhecer a alma do banqueiro, modifica o seu pensar sobre Helena, a quem ama já. Um beijo une-os para sempre. Ambos, porém, se esqueceram de Brown, que lograra tirar uma fotografia comprovativa das relações íntimas de Helena e Farland. De novo se encontram na perspectiva de um escândalo. Que fazer? Farland, decide participar ao director do jornal, a que o jornalista pertencia, que ele e Helena tinham resolvido casar. Era a única solução que podiam encontrar para evitar mais um escândalo, e para serem felizes em companhia da pequena Nelly.

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  A 20 de Abril de 1931 estreava-se o filme "A Dama que Ri", versão portuguesa do filme "The Laughing Lady" de Victor Schertzinger, seguindo os mesmos moldes do filme anterior. Novamente surgiam como intérpretes Corina Freire, Raul de Carvalho, Ester Leão, Alves da Costa e António Sacramento. A realização desta vez coube ao realizador Chileno Jorge Infante. 2a-dama-que-ri2-c-dama-que-ri1
 

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Os intérpretes eram:  CORINA FREIRE como Clara Serrano; Raul de Carvalho no papel do Dr. Stanley; Alves da Costa como Jim Grey; Alexandre Azevedo como Sr. Ashmore; Ester Leão no papel de Madame Ashmore; António Sacramento como Cyrii Belloc;o jovem Guilherme Reis no papel de Bobby, a criança desaparecida e ainda Alzira Gueta no pequeno papel de uma Criada.
 

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A primeira visita que Clara faz a Ashmore, resulta improfícua. O velho nega-lhe qualquer veracidade na palavra de Jim. Seu filho, sabia-o ela, devia estar crescidinho, meninote, mesmo. Mas não estava com ele e nem ele sabia nada disso. Desesperada, Clara procura o recurso extremo: um advogado. Ele resolveria o seu problema e tiraria o filho das mãos de Ashomre, se verdade fosse aquilo que Jim lhe havia dito. O advogado que ela procura é o Dr. Stanley, conhecido e proficiente jurisconsulto e, infelizmente para ela, advogado justamente do industrial Ashmore que ela queria processar. Desesperada, sem mais recursos, explica ela toda a sua situação de desespero ao Dr. Stanley e ele, sob sua palavra, lhe diz que tem a plena certeza de que o filho do casal Ashmore é deles, realmente, pois sempre acompanhara a vida de ambos e jamais haviam tido segredos para com ele. Suavizada, em parte, pelas declarações que lhe presta Stanley, Clara retira-se e, para melhor esquecer o seu infeliz passado e a eterna agonia da procura do filho, dedica-se com alma aos estudos musicais, até conseguir, depois de muita peripécia e esforço, um lugar saliente na ópera de Berlim. Artista célebre, em pouco tempo, Clara faz-se de viagem para os Estados Unidos, novamente e, sempre se lembrando do filho, torna a procurar o Dr. Stanley. Ele não a reconhece.

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  O episódio da criança dos Ashmore é que o põe ciente de quem se tratava. Não querendo acreditar, ainda, ele deixa-se engolfar pela impressão forte que lhe causa Clara, lindíssima, como nunca pensara que ela conseguisse ser e, saindo disso, continua a convence-la da quase inutilidade dos seus esforços. Clara, ali, tem, agora, outra recepção e outra atenção. Modificada, completamente, é uma mulher chique, cheia de fortuna e capaz de converter em admirador, qualquer homem, por mais sisudo que ele seja. A conversa recai sobre o filho dos Ashmore e como ela percebe claramente, que Stanley fora iludido pelo cunhado, ela lhe diz que a deixe falar com o pequeno e que, depois disso, dirá se é ou não o seu filho desaparecido. Um sinal que ele tinha seria o suficiente para provar o quanto ela dizia. Satisfeita a sua vontade, graças á intervenção de Stanley, já mais do que simples advogado dando conselhos úteis a uma cliente, consegue ela que os Ashmore lhe mandem o filhinho para um encontro. Madame Ashmore, entretanto, faz vestir o filho da cozinheira, um garoto mudo, da mesma idade de Bobby com as roupas dele e ela própria leva-o á presença de Clara. Desorientada, ela pede-lhe desculpas. Reconhece que o filho não é seu, Madame Ashmore é que se desculpa: - "Era por causa disso que tinha vergonha de lhe mostrar o pequeno..." E Clara ainda sente pena daquela " pobre" mãe. . . É na casa de Stanley que o primeiro encontro entre mãe e filho tinha que se dar. Ela, convidada por Stanley resolvera aceitar o convite para passar uma tarde na sua casa de campo. Stanley já a amava profundamente e ela também correspondia a esse puro afecto daquele distintíssimo cavalheiro. Bobby, por sua vez, ali se achava por ter discutido com seus pais e, genioso, correra para a casa do tio a fim de se vingar da hostilidade que lhe movera a mãe. Na lancha, á beira do rio, encontra-se ela com o garoto e é por este, convidada para um passeio. Aceita, sem saber que ele é seu próprio filho. Numa curva perigosa, a lancha tomba ao rio e ela, quase com sacrifício de sua vida, salva-se e salva ao pequeno. Ele, abatido, é acometido de uma violenta febre e, delirando, reclama por sua mãe. Defronte ao leito, Stanley compreende que Bobby é filho de Clara. Não podia haver duvida. E ele convida delicadamente Madame Ashmore a renunciar ao seu desejo cruel de separa-los. Ela aceita e o marido também. Com as melhoras de Bobby, Clara pode entregar- se com mais felicidade ao amor dedicado que lhe oferece Stanley. Era felicidade dupla. Encontrara seu filho e, ao mesmo tempo, o marido perfeito para seu coração amoroso. 3
 

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- Se tens amor ao teu filho, saberás trabalhar. Dinheiro emprestado, Jim, não dou a ninguém!

Perambula por aqui, por ali, sem nada encontrar. Uns anúncios mostram-lhe a vantagem de ser fuzileiro naval. "Conheça o mundo!" Viagens, aventuras... Jim alista-se. E para celebrar o alistamento, entra com os companheiros e "amigos' em uma grossa bebedeira. De volta para casa, altas horas, e não encontrando Clara, que saíra para comprar um pouco de alimento para o pequeno, apanha-o e sem sequer reflectir, leva avante o seu plano. Enrola-o e sai para leva-lo á um orfanato. Quando Clara chega, louca de dor, já compreende o plano do marido, corre em busca de Cyrii Belloc, amigo e vizinho que muito os ajudava sempre, e com ele põem-se em busca de qualquer vestígio que denunciasse o paradeiro de ambos. Nada entretanto conseguem. A mágoa de Clara é intensa. Seu coração sofre brutalmente. Passam-se armos. Vamos encontrar Clara, agora, em pleno "front", servindo na Cruz Vermelha americana, auxiliando a aliviar os sofrimentos daquela quantidade enorme de feridos e agonizantes. Entre os homens que lhe chamam a atenção está um que já tentara por vezes conhecer. Quando, á noitinha cantava a "Canção do Berço", cantiga sentimental com a qual costumava embalar seu filho, ouve que ele se mexe e volta-se para ela. Desfaz-se a mascara do esquecimento. Recorda-se ela, num instante, de quem é ele: Jim!! Seu marido! Mortalmente ferido e completamente perdido, nos últimos instantes de vida. As palavras de Clara, rápidas, ferem-lhe os ouvidos.

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  — Onde está nosso filho, Jim? Para onde o levaste? Diz-me! Não faço outra cousa senão procura-lo! Jim ouve-a. Raciocina. Compreende tudo aquilo e, num último esforço, quase num arranco, diz-lhe, impetuosamente, tombando morto; depois da palavra que lhe custa um verdadeiro sacrifício pronunciar, naquela extrema agonia: — Ashmore!!! E é com este nome que Clara passa seus últimos dias no "front" e com ele, sempre na memória, que de novo atravessa o oceano, de volta, em busca do seu filhinho adorado.

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— Vamos. Tem coragem! Levanta-te, sai daí e vai trabalhar. És tão preguiçoso... - Falava Clara Serrano, diante de um fonógrafo, ensaiando os primeiros passos da nova dança que estudava para o acto de variedades ao qual pertencia. Já tinha cuidado de tudo, arrumado o quarto todo. Exercitava-se, pela luta da vida e aborrecia-se muito vendo a indolência de Jim, estirado sobre o leito, preguiçoso como ninguém e desalentado como nenhum outro. — Deixa-me em paz! Dança! Dança! até que te arrebentes... – diz-lhe o marido Eram palavras assim que ela ouvia sempre. Estavam casados há já algum tempo e embora amasse o marido com toda a sua força, nada mais fazia ela, do que sustenta-lo e ouvir-lhe os desaforos. Jim dormia e Clara fazia todo o serviço e ainda ensaiava para os bailados da noite. Ele tinha sido "chauffeur", mas depois de entrar para a vida de teatro, acha-a deliciosa e já não queria fazer mais nada. Mas o primeiro passo que ele e a mulher haviam dado para vencer, na arte, fora um tremendo fracasso. Clara conseguira colocar-se e ao esposo num número de variedades e, quando estrearam, foram os mais completos insucessos que já se haviam visto em todo o mundo. Ela desanimara um pouco. Passara a estudar com maior carinho, com maior dedicação. Ele, entretanto, vagabundo de origem, preferia continuar a dormir, sem ligar a nada, certo de que ela cuidaria de tudo, inclusive pela manutenção do lar... A vida, para ambos, faz-se um tormento. A senhoria não os deixa. E dinheiro não há para pagar os alugueres em atraso. A companhia de gaz acabara de cortar o combustível por falta de pagamento e, assim, nem sequer podem aquecer o leite do seu filhinho. Se ao menos tivesses o teu antigo emprego de "chauffeur”

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  "Chauffeur", eu?... Sei que agora só queres ser artista, bem sei... Mas o resultado é esta desgraça em que nos encontramos... E que culpa tenho eu? Sempre falavas num filho. Ele aí está. Sustenta-o! Depois, pensando melhor, dava a sugestão mórbida e inescrupulosa que lhe ditava o pouco escrúpulo de marido e a total ausência de amor de pai. — Queres-te ver livre dele? Interna-o num orfanato! Ninguém saberá. - Isso nunca! Eu dele jamais me separarei. E era a luta de todos os dias, a questão eterna que surgia por qualquer motivo. Levantava-se ele. Preparava-se, cantarolando, comia o pouco que havia por ali e saia. Á porta a mulher gritava-lhe, num assomo de desespero. - Sem o dinheiro do aluguer não me apareças aqui, Jim! E ele saia sem a menor intenção de lhe dar confiança...   A lembrança maior que acudiu ao cérebro de Jim, naquele instante, para ver se conseguia dinheiro, não para o aluguer da casa, não, mas para a jogatina que o espera, é procurar Ashmore, dono de uma importante fabrica e na qual seu pai fora empregado e pedir-lhe dinheiro. Ashmore, entretanto, veda-lhe todas as vasas e não lhe dá o menor "cêntimo" Aconselha-o a trabalhar e nem sequer dá ouvidos as lamurias dele quando cita a infelicidade da esposa e a fome do filhinho... CONTINUA...    
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