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Cinema Sonoro

 

Embora digam que não. Eu sou boa rapariga. Embora digam que não. Eu sou boa rapariga. Trago o sol no coração. Trago a navalha. Trago a navalha na liga. Trago a navalha. Trago a navalha na liga. Quem tiver filhas no mundo. Não ria das desgraçadas. Quem tiver filhas no mundo. Não ria das desgraçadas. Porque as filhas da desgraça. Também nasceram, Também nasceram honradas. Porque as filhas da desgraça, Também nasceram, Também nasceram honradas.

   
 

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Cheira a rua a alecrim, A berlinda passa a trote. Vai a noiva de palmito, Vai o noivo de capote. Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho, Põe a tua capa, Mete-te ao caminho. Já lá tem lençóis de renda, A alfazema está a arder, Para divertir um homem, Não há como uma mulher, Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho, Põe a tua capa, Mete-te ao caminho. A menina vai deitar-se, Que a benzeu o padre-cura É melhor lá estar em casa Que espreitar à fechadura. Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho Põe a tua capa, Mete-te ao caminho. Ai o capote encarnado, Ai o lenço de cambraia. Ai a luz que se apagou, Quando ia a cair-lhe a saia. Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho, Põe a tua capa, Mete-te ao caminho.

 
   

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Novo cartaz da banda sonora de "A Severa", fazendo publicidade a uma das músicas mais populares do filme, "O Timpanas". Foi uma excelente criação do grande actor de revista Silvestre Alegrim. Esta como todas as canções do filme, tinham música de Frederico de Freitas e letras do próprio autor do romance, Júlio Dantas.

“Timpanas” Niza azul e bota alta A reinar com toda a malta É o rei das traquitanas O timpanas O pinóia na boleia De chapéu a Patuleia Faz juntar o mulherio No Rossio Quando levo as bailarinas Do teatro ao Lumiar Bailo eu e baila a Sege E as pilecas a bailar O bolieiro de Lisboa Não é lá qualquer pessoa Que as pilecas dão nas vistas São fadistas São cavalos de alta escola O das varas toca viola e o da sela que é malhado Bate o fado Quando bato prás marnotas Roda acima, roda abaixo Eu dou vinho aos meus cavalos Mas sou eu que vou borracho Instrumental Refrão Já andei por tanta espera Já levei tanto boléu Já conheço tantos os bois Que lhes tiro o meu chapéu Instrumental Refrão  

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Mais um cartaz publicitário á excelente banda sonora de "A Severa", desta vez dando relevo ao fado mais popular do filme: "O Novo Fado da Severa" cantado pela actriz Dina Teresa:

Oh rua do capelão, juncada de rosmaninho. Se o meu amor vier cedinho, eu beijo as pedras do chão, que ele pisar no caminho. Eu tenho um degrau no meu leito que é feito pra ti somente Amor, mas sobe-o com jeito Se o meu coração te sente Fica-me aos saltos no peito Tenho o destino marcado, desde a hora em que te vi. Ó, meu cigano adorado. viver abraçada ao fado, morrer abraçada a ti   60

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16 A um elenco numeroso foi confiada a interpretação de «A Severa», cuja estreia para o público se realizou, a 17 de Junho de 1931, na tela do S. Luís. Dina Teresa, uma actriz de revista de segunda fila em quem o público mal reparara e que se veria elevada a um grande plano de popularidade vivia o papel de Severa, António Luís Lopes, o cavaleiro tauromáquico bem conhecido, que encarnava na tela a popular figura do Conde de Marialva e Maria Sampaio, artista inteligente e versátil, desempenhando o papel de Marquesa de Seide, constituíam o triângulo amoroso em volta do qual gira toda a trama dramática da obra. Rodeando-os, surge um bom núcleo de intérpretes, em que se destacam Ribeiro Lopes, que se incumbe de uma das maias celebradas personagens do romance, o Custódia; a actriz de teatro Maria Isabel, que faz a Chica; Silvestre Alegrim, na expressiva figura do Timpanas, em que alcança de um momento para o outro, uma celebridade de que a sua longa carreira no palco, porventura, nunca fora testemunha; António Fagim, jornalista e amador dramático, em Romão Alquilador; D. António Lavradio, que faz, por sua vez, o D. José; Augusto Costa, o popular Costinha, na burlesca figura do Marquês de Seide e Oliveira Martins, numa personagem episódica, seguindo-se-lhes, em outros papeis Mariana Alves, simpática rapariga possuidora duma voz quente e harmoniosa, evidenciada em dois números musicais do filme, Patrício Álvares, Regina Montenegro, o Dr. Paradela de Oliveira e o bailarino Francis, que prestava também, a sua colaboração dançando no filme um fandango e um vira. 34
  Já no fim destas filmagens, e depois de múltiplos contratempos, em que só a têmpera invulgar de Leitão de Barros, a sua perseverança e vontade férrea permitiram neutralizar e vencer todas essas contrariedades, surge o mais dramático acontecimento que assinalou a produção de «A Severa», a detenção sensacional do principal capitalista do filme, à ordem da direcção do Banco Nacional Ultramarino, onde exercia, de há muito, um lugar de importância e de confiança. Só algumas semanas mais tarde, aplicadas na árdua tarefa de conseguir a obtenção de três centenas de contos, verba indispensável para a conclusão dos trabalhos de montagem e de laboratório, Leitão de Barros pôde voltar aos estúdios da Épinay para pôr fim à temerária e grandiosa tentativa a que metera ombros, e que consistia na produção do primeiro filme sonoro da história do cinema português. Entusiásticas palavras da crítica e um êxito retumbante, sem precedentes nos anais do cinema em Portugal, premiaram o esforço e o engenho do realizador, coroando uma obra que tão funda repercussão iria ter na arrancada da nova indústria portuguesa do cinema. Nas legendas iniciais, a Inspecção-geral dos Espectáculos, que então superintendia na produção fílmica nacional, dava público testemunho de louvor a todos aqueles que haviam contribuído para a realização do primeiro fonofilme nacional.  
10 Em fins de Outubro, e depois de laboriosa escolha dos principais intérpretes, especialmente pelo que se referia à protagonista da obra, cuja descoberta foi tentada por todos os processos, desde já os cansados concursos para selecção de artistas até às pesquisas efectuadas nos mais variados sectores da vida Lisboeta, deu-se início aos trabalhos de filmagem de exteriores, estando a câmara confiada ao operador português António Salazar Dinis, que serviu, aliás, o filme, mormente nos exteriores, com uma excelente fotografia. A escolha da protagonista, finalmente, recaiu sobre uma modesta actriz de revista, a portuense Dina Moreira, que passou a usar no cinema o nome de Dina Teresa. Já dissemos que os exteriores do filme foram realizados no nosso país. De entre a série de passagens filmadas entre nós destacam-se, quer pela amplitude e dificuldade de encenação, ou pelo aparato e opulência do quadro em que decorriam, quer pelo movimento que as caracterizava, as sequências da tourada de gala, a festa nos jardins da Marquesa de Seide, o episódio da espera de toiros, em Queluz, e as cenas da feira das Mercês. De todos estes momentos, os dois últimos filmados, num dia chuvoso de Novembro, quando o argumento pedia um dia de sol radioso, o da festa da Marquesa de Seide, manivelado nos jardins do palácio Fronteira, em Benfica, que se viram povoados de fidalgos e de damas de alta linhagem, e o da tourada, onde decorrem algumas das cenas mais espectaculosas e de maior vibração, foi sem duvida este ultimo o que mais atraiu as atenções, tendo suscitado desusado interesse e entusiasmo, movimentando meia Lisboa. 37 Foram essas passagens filmadas no domingo 9 de Novembro, de 1930 na velha praça de touros de Algés, que se achava, para o efeito, majestosamente engalanada ao Agosto de 1840, e onde, a partir da manhã desse dia, começaram a ocupar os seus lugares alguns milhares de figurantes, que umas horas depois, se movimentariam diante de um pequeno exército de operadores – oito, nada menos -, no número dos quais se incluíam o operador chefe, António Salazar Dinis, Aníbal Contreiras, Nunes das Neves, o veterano Maurice Laumann, etc. À medida que faziam a sua entrada no recinto, as damas de categoria, os grandes senhores, os embaixadores, os oficiais e a gente da plebe, eram arrumados nos lugares mais convenientes, à força de megafone, por Leitão de Barros, sempre atento e dinâmico como nunca. 47 E esses três mil figurantes benévolos, com uma disciplina e um espirito de compreensão modelares, respondiam em uníssono às indicações do realizador, aplaudindo quando isso lhes era pedido, aluando nas ocasiões próprias, vibrando de emoção nos supostos momentos dramáticos. Concluías as filmagens em Portugal, toda a equipa demandou para Paris, onde no pequeno estúdio de Épinay, se realizaram os trabalhos de interiores. 38
12 A 6 de Agosto de 1930, no final de uma reunião convocada pela Sociedade Universal de Superfilmes, levada a cabo nos seus escritórios da Avenida da Liberdade, é revelada a sensacional noticia: vai-se produzir o primeiro filme genuinamente português: «A Severa». É Leitão de Barros, com o seu espirito sempre alerta, o seu extraordinário poder de organização e invulgar sentido de espectáculo, quem, uma vez mais, e depois do seu excelente filme «Maria do Mar» e do curioso «Lisboa», lança mãos a este empreendimento de tão grande vulto e tão decisivo significado no nascimento da nossa indústria do fonocinema – a realização de «A Severa», segundo a obra celebrada de Júlio Dantas. Nessa tarde memorável, depois de o gerente da S.U.S., o escritor Álvaro Lima, haver referido á imprensa e demais entidades presentes o propósito em que aquela empresa distribuidora se achava de levar a efeito um largo plano de produção de «filmes falados e cantados», Leitão de Barros, director de produção daquela firma, após proferir judiciosas e pertinentes afirmações sobre as possibilidades e as vantagens da existência de uma produção nacional, faz larga exposição sobre o plano de trabalho encarado para a realização do primeiro fonofilme português. 36 Os propósitos iniciais da S.U.S. e os desejos pessoais de Leitão de Barros convergiam, como não podia deixar de ser, no sentido de o filme se realizar inteiramente em Portugal. No entanto, a construção de um estúdio de cinema adaptado ao sonoro estava ainda longe de ter viabilidade e a urgência daquela iniciativa não se compadecia de delongas ou incertezas.  E, por isso, houve que estabelecer o critério de todos os exteriores – que eram, aliás, em grande número – serem realizados no nosso país, enquanto os interiores teriam de ser filmados em França, nos estúdios da TOBIS, em Épinay, nos arredores de Paris. Os elementos responsáveis portugueses, procurando rodear-se, como é compreensível, do maior número de factores de segurança, e mercê da interferência dum compatriota nosso, o agente de filmes H. da Costa, confiaram a René Clair, que acabava de alcançar com o seu inesquecível «Sob os Telhados de Paris» uma justa consagração, a supervisão do argumento. 45 E, assim, aquele já então famoso realizador francês, o técnico Bernard Brunius, que viria a acompanhar em Portugal grande parte da produção, precisamente até ao momento de ter sido forçado a ausentar-se do país, por virtude dum artigo infeliz, de sua autoria, publicado no «KINO», e Leitão de Barros, trabalham durante todo o mês de Setembro desse ano, na residência de vilegiatura que René Clair possuía em Saint-Tropez, no sul de França, na planificação e na preparação do filme. 49
2 Continuando a falar do primeiro filme sonoro português, agora destacámos o seu valor musical. Em cima pode-se ver o cartaz que anunciava a partitura musical do filme. Embora a grande maioria das músicas por si só demonstrassem uma inigualável qualidade, é graças à colaboração de Frederico de Freitas, que com o seu génio artístico, tornou possível que as melodias do filme perdurassem por muito tempo nas bocas e ouvidos de todo o Portugal. Entre as várias músicas destacam-se: "O Fado da Severa", cantado por Dina Teresa;"O Solidó do Timpanas Boleeiro", cantado por Silvestre Alegrim; "O Vira", cantado por D. Paradela de Oliveira; "Arraial de Santo António", cantado por Mariana Alves e "O Fado da Espera de Toiros" que Dina Teresa também cantava. Salienta-se o facto que todas as canções tinham versos de Júlio Dantas. 3
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