Username:

Password:

Perdeu a Password? / Ajuda

Cinema Sonoro

 660

Mais um cartaz publicitário á excelente banda sonora de "A Severa", desta vez dando relevo ao fado mais popular do filme: "O Novo Fado da Severa" cantado pela actriz Dina Teresa:

Oh rua do capelão, juncada de rosmaninho. Se o meu amor vier cedinho, eu beijo as pedras do chão, que ele pisar no caminho. Eu tenho um degrau no meu leito que é feito pra ti somente Amor, mas sobe-o com jeito Se o meu coração te sente Fica-me aos saltos no peito Tenho o destino marcado, desde a hora em que te vi. Ó, meu cigano adorado. viver abraçada ao fado, morrer abraçada a ti   60

6060

16 A um elenco numeroso foi confiada a interpretação de «A Severa», cuja estreia para o público se realizou, a 17 de Junho de 1931, na tela do S. Luís. Dina Teresa, uma actriz de revista de segunda fila em quem o público mal reparara e que se veria elevada a um grande plano de popularidade vivia o papel de Severa, António Luís Lopes, o cavaleiro tauromáquico bem conhecido, que encarnava na tela a popular figura do Conde de Marialva e Maria Sampaio, artista inteligente e versátil, desempenhando o papel de Marquesa de Seide, constituíam o triângulo amoroso em volta do qual gira toda a trama dramática da obra. Rodeando-os, surge um bom núcleo de intérpretes, em que se destacam Ribeiro Lopes, que se incumbe de uma das maias celebradas personagens do romance, o Custódia; a actriz de teatro Maria Isabel, que faz a Chica; Silvestre Alegrim, na expressiva figura do Timpanas, em que alcança de um momento para o outro, uma celebridade de que a sua longa carreira no palco, porventura, nunca fora testemunha; António Fagim, jornalista e amador dramático, em Romão Alquilador; D. António Lavradio, que faz, por sua vez, o D. José; Augusto Costa, o popular Costinha, na burlesca figura do Marquês de Seide e Oliveira Martins, numa personagem episódica, seguindo-se-lhes, em outros papeis Mariana Alves, simpática rapariga possuidora duma voz quente e harmoniosa, evidenciada em dois números musicais do filme, Patrício Álvares, Regina Montenegro, o Dr. Paradela de Oliveira e o bailarino Francis, que prestava também, a sua colaboração dançando no filme um fandango e um vira. 34
  Já no fim destas filmagens, e depois de múltiplos contratempos, em que só a têmpera invulgar de Leitão de Barros, a sua perseverança e vontade férrea permitiram neutralizar e vencer todas essas contrariedades, surge o mais dramático acontecimento que assinalou a produção de «A Severa», a detenção sensacional do principal capitalista do filme, à ordem da direcção do Banco Nacional Ultramarino, onde exercia, de há muito, um lugar de importância e de confiança. Só algumas semanas mais tarde, aplicadas na árdua tarefa de conseguir a obtenção de três centenas de contos, verba indispensável para a conclusão dos trabalhos de montagem e de laboratório, Leitão de Barros pôde voltar aos estúdios da Épinay para pôr fim à temerária e grandiosa tentativa a que metera ombros, e que consistia na produção do primeiro filme sonoro da história do cinema português. Entusiásticas palavras da crítica e um êxito retumbante, sem precedentes nos anais do cinema em Portugal, premiaram o esforço e o engenho do realizador, coroando uma obra que tão funda repercussão iria ter na arrancada da nova indústria portuguesa do cinema. Nas legendas iniciais, a Inspecção-geral dos Espectáculos, que então superintendia na produção fílmica nacional, dava público testemunho de louvor a todos aqueles que haviam contribuído para a realização do primeiro fonofilme nacional.  
10 Em fins de Outubro, e depois de laboriosa escolha dos principais intérpretes, especialmente pelo que se referia à protagonista da obra, cuja descoberta foi tentada por todos os processos, desde já os cansados concursos para selecção de artistas até às pesquisas efectuadas nos mais variados sectores da vida Lisboeta, deu-se início aos trabalhos de filmagem de exteriores, estando a câmara confiada ao operador português António Salazar Dinis, que serviu, aliás, o filme, mormente nos exteriores, com uma excelente fotografia. A escolha da protagonista, finalmente, recaiu sobre uma modesta actriz de revista, a portuense Dina Moreira, que passou a usar no cinema o nome de Dina Teresa. Já dissemos que os exteriores do filme foram realizados no nosso país. De entre a série de passagens filmadas entre nós destacam-se, quer pela amplitude e dificuldade de encenação, ou pelo aparato e opulência do quadro em que decorriam, quer pelo movimento que as caracterizava, as sequências da tourada de gala, a festa nos jardins da Marquesa de Seide, o episódio da espera de toiros, em Queluz, e as cenas da feira das Mercês. De todos estes momentos, os dois últimos filmados, num dia chuvoso de Novembro, quando o argumento pedia um dia de sol radioso, o da festa da Marquesa de Seide, manivelado nos jardins do palácio Fronteira, em Benfica, que se viram povoados de fidalgos e de damas de alta linhagem, e o da tourada, onde decorrem algumas das cenas mais espectaculosas e de maior vibração, foi sem duvida este ultimo o que mais atraiu as atenções, tendo suscitado desusado interesse e entusiasmo, movimentando meia Lisboa. 37 Foram essas passagens filmadas no domingo 9 de Novembro, de 1930 na velha praça de touros de Algés, que se achava, para o efeito, majestosamente engalanada ao Agosto de 1840, e onde, a partir da manhã desse dia, começaram a ocupar os seus lugares alguns milhares de figurantes, que umas horas depois, se movimentariam diante de um pequeno exército de operadores – oito, nada menos -, no número dos quais se incluíam o operador chefe, António Salazar Dinis, Aníbal Contreiras, Nunes das Neves, o veterano Maurice Laumann, etc. À medida que faziam a sua entrada no recinto, as damas de categoria, os grandes senhores, os embaixadores, os oficiais e a gente da plebe, eram arrumados nos lugares mais convenientes, à força de megafone, por Leitão de Barros, sempre atento e dinâmico como nunca. 47 E esses três mil figurantes benévolos, com uma disciplina e um espirito de compreensão modelares, respondiam em uníssono às indicações do realizador, aplaudindo quando isso lhes era pedido, aluando nas ocasiões próprias, vibrando de emoção nos supostos momentos dramáticos. Concluías as filmagens em Portugal, toda a equipa demandou para Paris, onde no pequeno estúdio de Épinay, se realizaram os trabalhos de interiores. 38
12 A 6 de Agosto de 1930, no final de uma reunião convocada pela Sociedade Universal de Superfilmes, levada a cabo nos seus escritórios da Avenida da Liberdade, é revelada a sensacional noticia: vai-se produzir o primeiro filme genuinamente português: «A Severa». É Leitão de Barros, com o seu espirito sempre alerta, o seu extraordinário poder de organização e invulgar sentido de espectáculo, quem, uma vez mais, e depois do seu excelente filme «Maria do Mar» e do curioso «Lisboa», lança mãos a este empreendimento de tão grande vulto e tão decisivo significado no nascimento da nossa indústria do fonocinema – a realização de «A Severa», segundo a obra celebrada de Júlio Dantas. Nessa tarde memorável, depois de o gerente da S.U.S., o escritor Álvaro Lima, haver referido á imprensa e demais entidades presentes o propósito em que aquela empresa distribuidora se achava de levar a efeito um largo plano de produção de «filmes falados e cantados», Leitão de Barros, director de produção daquela firma, após proferir judiciosas e pertinentes afirmações sobre as possibilidades e as vantagens da existência de uma produção nacional, faz larga exposição sobre o plano de trabalho encarado para a realização do primeiro fonofilme português. 36 Os propósitos iniciais da S.U.S. e os desejos pessoais de Leitão de Barros convergiam, como não podia deixar de ser, no sentido de o filme se realizar inteiramente em Portugal. No entanto, a construção de um estúdio de cinema adaptado ao sonoro estava ainda longe de ter viabilidade e a urgência daquela iniciativa não se compadecia de delongas ou incertezas.  E, por isso, houve que estabelecer o critério de todos os exteriores – que eram, aliás, em grande número – serem realizados no nosso país, enquanto os interiores teriam de ser filmados em França, nos estúdios da TOBIS, em Épinay, nos arredores de Paris. Os elementos responsáveis portugueses, procurando rodear-se, como é compreensível, do maior número de factores de segurança, e mercê da interferência dum compatriota nosso, o agente de filmes H. da Costa, confiaram a René Clair, que acabava de alcançar com o seu inesquecível «Sob os Telhados de Paris» uma justa consagração, a supervisão do argumento. 45 E, assim, aquele já então famoso realizador francês, o técnico Bernard Brunius, que viria a acompanhar em Portugal grande parte da produção, precisamente até ao momento de ter sido forçado a ausentar-se do país, por virtude dum artigo infeliz, de sua autoria, publicado no «KINO», e Leitão de Barros, trabalham durante todo o mês de Setembro desse ano, na residência de vilegiatura que René Clair possuía em Saint-Tropez, no sul de França, na planificação e na preparação do filme. 49
2 Continuando a falar do primeiro filme sonoro português, agora destacámos o seu valor musical. Em cima pode-se ver o cartaz que anunciava a partitura musical do filme. Embora a grande maioria das músicas por si só demonstrassem uma inigualável qualidade, é graças à colaboração de Frederico de Freitas, que com o seu génio artístico, tornou possível que as melodias do filme perdurassem por muito tempo nas bocas e ouvidos de todo o Portugal. Entre as várias músicas destacam-se: "O Fado da Severa", cantado por Dina Teresa;"O Solidó do Timpanas Boleeiro", cantado por Silvestre Alegrim; "O Vira", cantado por D. Paradela de Oliveira; "Arraial de Santo António", cantado por Mariana Alves e "O Fado da Espera de Toiros" que Dina Teresa também cantava. Salienta-se o facto que todas as canções tinham versos de Júlio Dantas. 3
20 Argumento: A história da famosa cigana Severa e de seus amores por um jovem cavaleiro e fidalgo, D. João Conde de Marialva. O problema é que este está dividido entre a Severa e uma rapariga de sangue azul. Baseado na obra de Júlio Dantas onde ressaltam os costumes populares e a sociedade de 1848. 44
 

105-00120226-90334-1-PB

No entanto e apesar do êxito destes filmes, a grande expectativa na altura era a realização de um filme genuinamente português. “A Severa" foi na realidade o primeiro Fonofilme genuinamente português, que Leitão de Barros realizou com habilidade e talento colocando a nossa técnica Cinematográfica num nível mais ou menos relativo ao do estrangeiro, onde o Cinema sempre singrou desanuviado. Para primeira fita falada, o fado não podia estar ausente, por isso Leitão de Barros decide transpor para a tela o célebre romance de Júlio Dantas sobre os amores de uma cigana, a severa, por um fidalgo, o conde de Marialva. Por isso o próprio Júlio Dantas escreveu os diálogos, o maestro Frederico de Freitas compôs a partitura, operou o filme Salazar Diniz e serviu de director assistente, António Leitão, director do filme “A Castelã das Berlengas”. A produção era da Sociedade Universal de Super-Films Limitada. Leitão de Barros, seu director, era além de amante do Cinema, um distinto Jornalista e trabalhava também como director do "Noticias ilustrado” de Lisboa. Era um aquarelista de valor e homem de teatro muito conhecido. A publicidade não enganava: Era o primeiro filme falado em Português, feito por Portugal. No entanto como na altura ainda não tínhamos um estúdio de cinema preparado para o sonoro, a sonorização teve que ser feita nos estúdios da Tobis em França, nos arredores de Paris. O filme deu aos portugueses um novo contingente de actores Cinematográficos, dentre os quais convém destacar duma maneira inconfundível Dina Tereza e Silvestre Alegrim que no primeiro filme sonoro dos portugueses triunfaram em toda a linha.

9ilust_31severa

 

 

«Até ao meio deste ano, Brasil e Portugal deverão assistir á exibição do último filme falado em português aqui feito, intitulado "Noite de Núpcias", versão do original americano "Her Wedding Night", veiculo que serviu para um dos últimos trabalhos de Clara Bow. Dick Blumenthal, um dos directores dos Estúdios da Paramount aqui, fez uma recente viagem a Lisboa a fim de contratar elementos para esta mesma versão á qual me referi e, quando de lá voltou trouxe, entre outras figuras de mérito Leopoldo Fróes, um dos príncipes do teatro brasileiro. Ele, no argumento, desempenhará o primeiro papel masculino, isto é, o de maior realce. Os outros elementos dos quais se compõe o elenco são: Beatriz Costa, Alberto Reis, famoso actor e cantor, Estevão Amarante, Amélia Seixas Pereira, Seixas Pereira, Maria Emília Rodrigues, Maria Sampaio, Ferreira da Costa, elementos do teatro português e mais os brasileiros Francisca Azevedo, Madame Janocopulos e Mário Marano.

94m95

  O papel de Loulou, francesa cheia de nervos que só sabe amar ao som de objectos quebrados, é interpretado por Genéviéve Félix, artista que já residiu muito tempo em S. Paulo e até filhos brasileiros tem, um elemento conhecido do Cinema francês. Os demais papéis são interpretados por franceses e húngaros. Este mesmo assumpto, feito em 14 versões, teve, nesta, a direcção do alemão Emerich Emo, que em mim, representante de Cinearte, teve um fiel intérprete de suas ordens aos artistas e das perguntas desses a ele. Isto para os ensaios que sempre precediam as representações.

 93

 Noite de Núpcias, que a Paramount fez com o mais esmerado dos caprichos, é todo feito para alcançar mais sucesso do que os precedentes filmes também falados em português, "Canção do Berço" e "Mulher que Ri". O assumpto, género "vaudeville", aborda as, aventuras de um compositor musical celebre que para fugir às perseguições das admiradoras, a todo instante exigindo-lhe autógrafos, deixa em seu lugar o seu amigo Raul Laforte. Há uma complicação com a "estrela" de cinema Gilberta Aragão e daí para diante tudo se complica até que um final interessantíssimo vem terminar com os "qui pró quós" curiosos de que se compõe o filme.» Critica publicada na revista «CINEARTE» no Brasil  
Put here your trakcing code, e.g. from Google Analytics.