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Cinema Sonoro

51 Um técnico francês de comprovada competência, A. P. Richard, foi convidado a visitar Portugal para, in loco e com a colaboração estreita do arquitecto Cottinelli Telmo, elaborar os projectos para a construção do almejado estúdio em terra portuguesa. Ao esboçar os planos de construção do estúdio português houve que tomar em linha de conta, segundo as próprias afirmações do especialista francês, os três seguintes aspectos: 1º a necessidade de tudo ser feito dentro da máxima economia; 2º dotar Portugal de um estúdio que pudesse acompanhar as evoluções da técnica e as exigências do cinema dentro dos anos mais próximos; 3º prever o facto de a produção portuguesa, não sendo de princípio numericamente grande, poder aumentar consideravelmente, de ano para ano, e vir a necessitar de mais vastas instalações para a sua expansão. Um problema, e de vulto, dadas as responsabilidades que a sua decisão poderia provocar, surge à Sociedade – a escolha da aparelhagem de captação de som com que o estúdio viria a ser equipado. As primeiras consultas foram feitas à representante na Europa da conhecida marca R.C.A. , tendo até um delegado dessa entidade, vindo propositadamente vindo a Portugal estudar o assunto. Contudo, a encomenda do equipamento de som acabou por ser entregue ao grande potentado europeu que era já, ao seu tempo, a Klangfilm Tobis, a qual apetrechava então, estúdios na Alemanha, Áustria, Suécia, França, Inglaterra, Itália e Hungria. Ainda mais, o trust Tobis associava-se à empresa Portuguesa, que passaria a denominar-se, por isso mesmo, Companhia Portuguesa de Filmes Sonoros Tobis Klangfilm. A 19 de Dezembro de 1932 o construtor Diamantino Tojal dava início na quinta das Conchas, à edificação do estúdio, cujos planos pertenciam, como dissemos, a Cottinelli Telmo, sob parecer técnico de A. P. Richard, os quais viriam a ser, posteriormente revistos pela Klangfilm Tobis, de Berlim.  
15 Os motivos que haviam levado á formação da empresa são esclarecidos num comunicado emanado daquela própria entidade. Fundamentavam-se no reconhecimento da importância social da cinematografia sonora como meio de educação e cultura, como instrumento de informação, documentação, propaganda e publicidade. E acrescentava-se: «Movemo-nos, muito mais de que quaisquer considerações de carácter industrial ou comercial, um pensamento eminentemente patriótico: o de tornar possível a criação de uma arte nacional que, em muitos aspectos e por muitos títulos, pode e deve ter uma vasta influência na vida e no progresso na nação». Dentro co conjunto de corpos gerentes da Companhia, o Conselho da Administração ficou constituído pelos Srs. Drs. António da Fonseca, como administrador delegado, Artur Campos Figueira, Caetano Maria Beirão da Veiga, Hildérico Cardoso, Inácio Teixeira, Ricardo Jorge e João Pereira da Rosa. Por sua vez, o Conselho de Produção apresentava-se com a seguinte composição: António Ferro, Ferreira de Castro, João Ortigão Ramos, J. Castelo Lopes, Leitão de Barros, Norberto Lopes, Dr. António da Fonseca e Silva Pereira. Imediatamente após a constituição da Companhia, deu-se início ao estabelecimento e ao estudo pormenorizado dos planos para a construção do estúdio, que viria a ser edificado na Quinta das Conchas, que acabava de ser adquirida por aquela empresa. 52
33 De facto, em Março de 1932, três meses depois, portanto, de ter sido apresentado o relatório da comissão nomeada para estudar as condições da industrialização da produção cinematográfica portuguesa, e através de uma campanha sabiamente lançada, nos grandes jornais como nas páginas da imprensa especializada, era trazida ao conhecimento do público a constituição de uma empresa – a Sociedade de Filmes Sonoros Portugueses, sociedade anónima, com o capital inicial de 1.000 contos, dividido em 20.000 acções de 50 escudos. Procurando interessar a massa enorme de público frequentador do espectáculo cinematográfico, era este convidado, muito especialmente a dar a sua colaboração à iniciativa pela subscrição de qualquer número de acções, para que o seu pagamento fora ainda facilitado, desdobrando-o em cinco prestações iguais, a pagar em outros tantos meses. A par disso, era dada a informação de que ninguém poderia desempenhar cargos ou funções, ou qualquer serviço remunerado, sem ser possuidor, pelo menos, de uma acção da Sociedade, como eram indicadas também outras regalias, tais como visitas ao estúdio durante as filmagens, o direito de assistir à apresentação prévia dos filmes produzidos nas suas instalações, etc. Em começos de Julho de 1932 acha-se definitivamente constituída a Companhia Portuguesa de Filmes Sonoros. 18
   

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A correcta fotografia das cenas de interior e as lindíssimas imagens escolhidas no exterior acreditaram António Salazar Dinis como um dos nossos maiores operadores. Por sua vez, Frederico de Freitas dá ao filme valiosa colaboração escrevendo uma inspirada partitura, onde ressaltavam alguns números que durante muito tempo andaram na boca e nos ouvidos do País inteiro. A existência de um estúdio permitindo a produção de filmes em Portugal constituía, no limiar da nova era cinematográfica, como vimos já, o problema número um. Esse facto afigurava-se, para todos aqueles que pelo futuro do cinema português, pelo estabelecimento duma indústria nacional de fonofilmes, vinham incansavelmente batendo-se, o elemento essencial para se poder criar, fixar e impor, enfim, uma cinematografia portuguesa. O exemplo de «A Severa», com todo o cortejo de dificuldades de ordem material, técnica e financeira encontradas quando dos trabalhos realizados em terra alheia, mais fazia arraigar ainda, no espírito daquela escassa dúzia de pessoas que por essas coisas se interessavam e lutavam já – despois de as terem estudado cuidadosamente, em todas as suas particularidades -, a necessidade da existência entre nós dos meios técnicos indispensáveis à complexa e, nesses primeiros tempos ainda mais, contingente e ingrata tarefa de produção de filmes. Deveria ser precisamente Leitão de Barros, o homem que havia dado ao cinema nacional nos últimos tempos do «mudo» uma das suas obras mais significativas e que, antes de alguém mais entre nós, ousara, podemos assim dizer, realizar o primeiro filme sonoro português, a personalidade em volta de quem deveria surgir a iniciativa chave da indústria de produção de fonofilmes em Portugal.

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Vi um toiro em salvaterra Matar dois cavalos velhos Vai eu cantei-lhe à guitarra E o boi caiu-lhe de joelhos. Á garupa do lazão Tanto o teu corpo me uni. Que o teu cavalo julgou, Que só te levava a ti. A tua cinta encarnada, Aperta-a bem no caminho, Coração que é de nós dois, Deve andar aconchegadinho. Vivam toiros e cabrestos, Viva a gente da cidade, Eu não troco dez moedas, Por um real de liberdade.    
 

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Menina tira chinela Menina descalce a meia Menina tira chinela Menina descalce a meia Venha aquecer ao braseiro Ó ai dois beijos, pra minha ceia Venha aquecer ao braseiro Ó ai dois beijos, pra minha ceia O amor é uma fogueira Braseiro da vida toda O amor é uma fogueira Braseiro da vida toda Os moços ardem nas brasas Ó ai ó moças bailai à roda Os moços ardem nas brasas Ó ai ó moças bailai à roda  

 

Embora digam que não. Eu sou boa rapariga. Embora digam que não. Eu sou boa rapariga. Trago o sol no coração. Trago a navalha. Trago a navalha na liga. Trago a navalha. Trago a navalha na liga. Quem tiver filhas no mundo. Não ria das desgraçadas. Quem tiver filhas no mundo. Não ria das desgraçadas. Porque as filhas da desgraça. Também nasceram, Também nasceram honradas. Porque as filhas da desgraça, Também nasceram, Também nasceram honradas.

   
 

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Cheira a rua a alecrim, A berlinda passa a trote. Vai a noiva de palmito, Vai o noivo de capote. Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho, Põe a tua capa, Mete-te ao caminho. Já lá tem lençóis de renda, A alfazema está a arder, Para divertir um homem, Não há como uma mulher, Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho, Põe a tua capa, Mete-te ao caminho. A menina vai deitar-se, Que a benzeu o padre-cura É melhor lá estar em casa Que espreitar à fechadura. Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho Põe a tua capa, Mete-te ao caminho. Ai o capote encarnado, Ai o lenço de cambraia. Ai a luz que se apagou, Quando ia a cair-lhe a saia. Nem uma te escapa, Ó Santo Antoninho, Põe a tua capa, Mete-te ao caminho.

 
   

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Novo cartaz da banda sonora de "A Severa", fazendo publicidade a uma das músicas mais populares do filme, "O Timpanas". Foi uma excelente criação do grande actor de revista Silvestre Alegrim. Esta como todas as canções do filme, tinham música de Frederico de Freitas e letras do próprio autor do romance, Júlio Dantas.

“Timpanas” Niza azul e bota alta A reinar com toda a malta É o rei das traquitanas O timpanas O pinóia na boleia De chapéu a Patuleia Faz juntar o mulherio No Rossio Quando levo as bailarinas Do teatro ao Lumiar Bailo eu e baila a Sege E as pilecas a bailar O bolieiro de Lisboa Não é lá qualquer pessoa Que as pilecas dão nas vistas São fadistas São cavalos de alta escola O das varas toca viola e o da sela que é malhado Bate o fado Quando bato prás marnotas Roda acima, roda abaixo Eu dou vinho aos meus cavalos Mas sou eu que vou borracho Instrumental Refrão Já andei por tanta espera Já levei tanto boléu Já conheço tantos os bois Que lhes tiro o meu chapéu Instrumental Refrão  
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