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Cinema Sonoro

1 Estamos em 1933, a Europa encontra-se politicamente dividida. Hitler havia levado ao poder na Alemanha o Partido Nazista em 1933. Esse novo partido, com as suas ideias opressivas leva a que muitos alemães, não só apenas de descendência judaica, fujam não só para os E.U.A, mas também para a Europa Ocidental, principalmente para França. Entre esses refugiados encontravam-se muitos técnicos e actores do cinema alemão. Em Portugal vivíamos também num regime totalitário. Em 1933 havia sido formado o Estado Novo, António de Oliveira Salazar havia sido nomeado Presidente do Conselho de Ministros, e o País vivia um tempo de recessão em todos os aspectos. No entanto, apesar de todas as dificuldades, quer a nível técnico quer a nível financeiro, o cinema português continuava a existir. Por isso, em 1934 é criado em Portugal o Sindicato Nacional dos Profissionais de Cinema, que enquadrava os profissionais de cinema de todo o País. Em 17 de Agosto desse ano é inaugurado os Estúdios da Tobis Portuguesa, na Quinta das Conchas, ao Lumiar. Em 25 de Agosto é assinado um contrato entre a Lisboa Filme e a Tobis através do qual, a Lisboa Filme fica encarregue de todos os trabalhos de laboratório e operações correlativas necessárias para os filmes produzidos pela Tobis. 99
 

(Beatriz Costa e António Silva numa cena do filme «A Canção de Lisboa»)

(Silvestre Alegrim no papel de empregado do Retiro do Alexandrino)

(Vasco Santana e Manoel de Oliveira)

 

(A cena final: Teresa Gomes de pé ao lado de António Silva, Beatriz Costa e Vasco Santana)

(Manoel de Oliveira e Ana Maria)

(Vasco Santana e Beatriz Costa)

(Sofia Santos e Teresa Gomes, as tias de trás-dos-montes)

(Uma pausa durante as filmagens)

 

(Vasco Santana e Beatriz Costa numa cena do filme «A Canção de Lisboa»)

(António Silva, Silvestre Alegrim e Manoel de Oliveira na cena do exame do Vasquinho)

(As tias e Vasquinho na cena após o exame final)

 

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Senhoras, tão encantadoras Tanta simpatia, quero agradecer Senhores, se tiverem dores Uma pneumonia, trato-os com prazer Lisboa já tem, agora em mim um doutor Para além de sábio, também, sou inventor Lá estou para os ver, para os injectar, para os abrir Para os retalhar, para os cozer, sempre a sorrir A minha satisfação, o meu calor e prosápia Estão nesta minha invenção, alegroterápia Curar a valer, não é para mim conseguir E então morrer por morrer, que seja a rir  
Umas das cenas mais célebres do filme, as mentiras de Vasquinho foram descobertas pelas tias, que o deserdam. A noiva Alice, havia rompido o noivado com ele. Tudo ia mal para Vasco. Carlos, o seu leal amigo de longa data, o leva ao Retiro do Alexandrino, com a intenção de arranjar emprego para Vasco como cantador de fados. Mas, a reacção de Vasco não é a melhor. Completamente embriagado grita em alto e bom som: "Abaixo os Fadistas", acabando por ser expulso de lá. Ao ir-se embora, já nas escadas, e ao ouvir o trinar das guitarras que vêm do retiro, Vasquinho começa a cantar este fado. 1264 "FADO DO ESTUDANTE" Que negra sina ver-me assim Que sorte e vil degradante Ai que saudades eu sinto em mim Do meu viver de estudante Nesse fugaz tempo de Amor Que de um rapaz é o melhor Era um audaz conquistador das raparigas De capa ao ar cabeça ao léu Só para amar vivia eu Sem me ralar e tudo mais eram cantigas Nenhuma delas me prendeu Deixa-las eu era canja Até ao dia em que apareceu Essa traidora de franja Sempre a tinir sem um tostão Batina a abrir por um rasgão Botas a rir, um bengalão e ar descarado A vadiar com outros tais E a dançar para os arraiais Para namorar beber, folgar cantar o fado Recordo agora com saudade Os calhamaços que eu lia Os professores da faculdade E a mesa da anatomia Invoco em mim recordações Que não têm fim dessas lições Frente ao jardim do velho campo de Santana Aulas que eu dava se eu estudasse Onde ainda estava nessa classe A que eu faltava sete dias por semana O Fado é toda a minha fé Embala, encanta e inebria Pois chega a ser bonito até Na radio - telefonia Quando é tocado com calor Bem atirado e a rigor É belo o Fado, ninguém há que lhe resista É a canção mais popular, tem emoção faz-nos vibrar Eis a razão de ser Doutor e ser Fadista Este fado ficou célebre na voz de Vasco Santana. A própria Amália Rodrigues, reconheceu que, embora ele não fosse fadista, Vasco Santana, cantou com alma e garra, como se fosse um profissional do fado. E ninguém mais voltou a cantar aquele fado como ele.

Lembram-se desta cena, quando o Alfaiate Caetano (António Silva) obriga a filha, Alice (Beatriz Costa) a cantar a famosa música "A Agulha e o Dedal? É uma das cenas mais hilariantes do filme. Tente recordá-la:   "A AGULHA E O DEDAL" Vem cá minha agulha, tão meiga e tão fina Beijar os teus lábios de açucar pilé Então não me apanhas, sou esperta e ladina E mais retorcida, que as de croché Ai chega, chega, chega, chega ó minha agulha Afasta, afasta, afasta, afasta ó meu dedal Brejeira, não sejas trafulha Ó bela vem cozer o avental... - 1ª - Ó paizinho, eu bem te disse que esta do "a" que não dava - "a" - Mas isso é o paizinho que tem um vozeirão. ... do amor Ai chega, chega, chega, chega ó minha agulha Afasta, afasta, afasta, afasta ó meu dedal Brejeira, não sejas trafulha, oh não... És a mais bela fresca agulha em Portugal Bem sei que não me amas, por não ser de prata E que me desprezas por ser só de cobre Então tu não chores, bem sei que és de lata Também eu passajo na fralda do pobre Ai chega, chega, chega, chega ó minha agulha Afasta, afasta, afasta, afasta ó meu dedal Brejeira, não sejas trafulha Ó bela vem cozer o avental... - 2ª - Ai paizinho que esta agora ainda foi pior - Ó filha deixa lá o avental e continua ... do amor Ai chega, chega, chega, chega ó minha agulha Afasta, afasta, afasta, afasta ó meu dedal Brejeira, não sejas trafulha, oh não... És a mais bela fresca agulha em Portugal
 

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Todas nós temos na vida/ Uma ilusão mais querida/ Ilusão de amor/ Uma esperança mais formosa/ Um sonho cor-de-rosa/ Perturbador/ Também eu vivo a sonhar/ E vejo-me a passar/ Entre a multidão/ Quando um dia eu me casar/ Saindo com o meu par/ Cheia de emoção/ Pombas lindas, às centenas/ Vejo-as esvoaçar/ Pelo azul do céu/ Da cor das açucenas/ E do meu véu/ Julgo às vezes que é verdade/ E chego a creditar/ Que o bom deus o quis/ Que o meu sonho é realidade/ E que eu vou ser feliz/ Tem tanos encantos/ Sonhar castelos no ar/ Dormir, e não despertar/ Quem dera/ Viver no falso ideal/ Duma quimera/ Passar a vida a sonhar/ Logo após o casamento/ Eu sonho aquele momento/ Ideal para nós/ Em que iremos enlaçados/ Meigos namorados/ P’ra longe, a sós/ Num ambiente de ventura/ De paz, de frescura/ E de solidão/ Entre sombras de arvoredo/ Um beijo dado a medo/ Imagino então/ O aroma embriagador/ Da primavera em flor/ Embalsama o ar/ Desse jardim de amor/ Que vejo a sonhar/ E ele, o meu apaixonado/ Eu vejo-o ajoelhado/ Bem junto a mim/ Confessando, perturbado/ Uma paixão sem fim/  
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