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Cinema mudo

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 Neste ano fundam-se duas empresas produtoras de filmes, a «Caldevilla Film» e «Fortuna Film». Raúl de Caldevilla que se tinha especializado em questões publicitárias e com a comparticipação de capitalistas nortenhos funda em Lisboa, a «Caldevilla Film». Virgínia de Castro e Almeida, a conhecida romancista chegada havia pouco tempo de França, onde tinha acompanhado com vivo interesse o incremento cinematográfico francês, apaixonada pela 7ª arte e, com dinheiro seu, monta a «Fortuna Film». Mais duas empresas a juntar à próspera «Invicta Film» e que fizeram do ano 1922 um ano glorioso para o cinema português. Neste ano. Foram produzidas as seguintes películas:
«O Destino», obra melodramática com argumento do jornalista Ernesto de Meneses. Produção da «Invicta Film» e com realização de George Pallu, Á frente do elenco os nomes sonantes de Palmira Bastos, António Pinheiro, Henrique de Albuquerque, Maria Clementina, Maria Emília Castelo Branco, António Sacramento, entre outros.
49 Seguiram-se os filmes «Quando o Amor Fala», novamente da Invicta e realizado por George Pallu. Na interpretação os artistas: Duarte Silva, Maria de Oliveira, Maria Campos e Rafael Marques. «Quando o Amor fala» era uma despretensiosa comédia de curta-metragem e de pouco valor artístico e técnico. Seguiu-se «A Morgadinha de Val Flor», filme produzido pela «Lisboa Film» e dirigido por Ernesto de Albuquerque, que simultaneamente assinava a fotografia. O papel de Morgadinha era interpretado por Auzenda de Oliveira. Seguiam-se os actores Augusto de Melo, Erico Braga, Maria Sampaio, Mário Santos, Maria Pia de Almeida e Arthur Duarte, que aqui se estreava no cinema.  A última produção de 1921 foi «A Velha Gaiteira», filme com Emília de Oliveira, Otelo de Carvalho, Carlos Machado, Isaura Rocha e João Ataíde.
mulheresdabeira_1b Sinopse: História de Aninhas, uma jovem e bela camponesa com grandes ambições na vida, que despreza o amor de um pastor, André. Ao conhecer o Fidalgo da Mó, acede ao seu pedido de o acompanhar ao Porto, acreditando nas suas promessas de idílio amoroso e material. Mas o fidalgo cedo se cansa dela, trocando-a por uma amante, que recebe Aninhas na mansão onde vive. Humilhada, regressa a casa mas o ganancioso pai escorraça-a, desiludido por não ter trazido fortuna do fidalgo. Aninhas tenta refugiar-se no Convento, mas as freiras, sabendo do seu percurso, fazem-na beijar um crucifixo e a seguir recusam a sua presença. Desesperada, dirige-se para o precipício de Misarela, mas é avistada por André que, depois de muito procurar, a maldizeu ao saber que ela estava com o fidalgo. Impedindo-a, momentaneamente, de se atirar declara-lhe o seu amor. Aninhas, reconhece o amor que desprezara, mas agora sente-se, ela, indigna dos sentimentos de André.
13 Os restantes filmes desse ano foram: «Mulheres da Beira» filme realizado pelo Italiano Rino Lupo e para a «Invicta Film». Este filme tinha a acção passada em Arouca, e era baseado num conto de Abel Botelho e que a autor intitulava «A frecha de Misarela». A ficha artística era composta com os nomes de Brunilde Júdice, António Pinheiro, Rafael Marques, Maria Júdice da Costa, Ana de Oliveira, Mário Santos, Duarte Silva entre outros.
 

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Em 1921 concretiza-se a primeira versão fílmica do célebre clássico de Camilo Castelo Branco, «Amor de Perdição». Sem dúvida, uma aventura arrojada para a época, em esforço de produção e na precária dimensão da nossa indústria cinematográfica, devido aos cuidados postos pela «Invicta Film» em manter fidelidade ao espírito romanesco. A realização coube ao francês George Pallu, na altura a viver há cerca de três anos entre nós. Tadeu de Albuquerque foi interpretado por Pato Moniz, Simão Botelho por Alfredo Ruas, Mariana por Brunilde Júdice, Teresa por Irene Grave, João da Cruz por António Pinheiro, Baltazar Coutinho por Samwel Diniz, entre outros.
 

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Em 1920 produzem-se três filmes, dois pela «Invicta Film» e outro pela «Lusa Film», produtora de Lisboa. Os filmes foram: «O Amor Fatal» dirigido por George Pallu e com interpretação de Pato Moniz, Maria Emília Ferreira, Alfredo Henriques, Maria Campos, Duarte Silva e outros; «O Barba Negra», comédia policial novamente de George Pallu. Nesta movimentada pelicula participavam os actores Teodoro Santos, Maria Campos, Maria de Oliveira, Duarte Silva e o domador de leões Guido Fazio com as suas feras amansadas; o terceiro e a única produção de Lisboa desse ano era «O Condenado», cujo argumento fora extraído da peça, com o mesmo nome, de Afonso Gayo, sendo o filme dirigido pelo francês Mário Huguim.  No elenco artístico, contavam-se os nomes de Joaquim de Oliveira, no protagonista; Maria Sampaio, que fazia aqui a sua estreia no cinema; Joaquim Costa; Almada Negreiros, num papel de cínico; Joaquim de Albuquerque, entre outros. «O Condenado» agradou bastante na altura.
ShowInfographicImageBySizeFormatCA7BDTRR Nascimento Fernandes, no máximo da sua carreira teatral, figura obrigatória em todos os triunfos do nosso Teatro Ligeiro e grande entusiasta do cinema, desde que tinha interpretado uma das figuras de «Rapto de Uma Actriz», «sketch» cinematográfico da revista «Ó da Guarda», a que já nos referimos, funda uma sociedade com a actriz e sua esposa, Amélia Pereira, realizando e interpretando as principais figuras de «Vida Nova», «Nascimento Sapateiro» e «Nascimento Músico», três comédias que tinham como principal atractivo e merecimento, o grande sentido humorístico de Nascimento Fernandes. Todas estas peliculas foram filmadas em 1919 em estúdios espanhóis, mais concretamente em Barcelona.
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Nesse mesmo ano, além do clássico «A Rosa do Adro» ainda estreiam os filmes: «O mais Forte», uma obra dramática, que tinha como protagonistas Duarte Silva, Pato Moniz e Alfredo Henriques; «O comissário de Polícia», adaptado da obra, de idêntico nome, do escritor Gervásio Lobato em que participavam Duarte Silva, Rafael Marques e Maria de Oliveira. Henrique Alegria, então Director Artístico da «Invicta Film», decide mandar filmar a história do conhecido romance de Júlio Diniz. «Os Fidalgos da Casa Mourisca», representam um assinalável esforço da «Invicta Film», no sentido de corresponder ao bom acolhimento do público pelas anteriores produções. Os figurinos foram desenhados com esmero e mandados executar por Valverde, o competente costureiro portuense, e a adaptação musical foi escrita por Armando Leça. Grande parte dos exteriores foram filmados na Quinta do Colégio e na Companhia Hortícola Portuense, em Águas Santas. Novamente  a realização foi entregue a Georges Pallu, tal e qual os três filmes anteriores. A ficha artística era assim constituída: António Pinheiro (Tomé da Póvoa), Pato Moniz (Fidalgo), Duarte Silva (Frei Januário), Etelvina Serra (Berta), Adelina Fernandes (Baronesa de Souto Real), Erico Braga (Maurício), Mário Santos (Jorge), Maria Campos (Ana do Vedor), os primos do Cruzeiro foram interpretados por José Silva, Artur Sá e Salvador Costa.

(Fotos do filme «Os Fidalgos da Casa mourisca)

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8 «A Rosa do Adro» é a primeira produção que se utiliza dos novos estúdios. As personagens, que Manuel Maria Rodrigues fez viver no seu romance, eram interpretados no celulóide por Maria de Oliveira (Rosa), Carlos Santos (António), Erico Braga (Fernando), Duarte Silva (Padre Francisco), Manuel dos Santos Oliveira (José da Costa, O Lavrador pai de Fernando), Etelvina Serra (Deolinda), Georgina Gonçalves (Baronesa de Fontarcada) entre outros. A realização estava a cargo de Georges Pallu e a produção era da «Invicta Films». "A Rosa do Adro" foi um enorme sucesso (talvez o maior da Invicta) e circulou comercialmente, pelo menos, em França e no Brasil.  
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