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Cinema mudo

 

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Rino Lupo conduz «Os Lobos» com impecável justeza – quer no doseamento da tensão, quer na criteriosa ilustração das rudes massas arquitectónicas, e imponentes perfis montanhosos. Desde os primeiros instantes se define o clima incómodo, em desígnios funestos que, brutais, se desencadearão. Tanto mais que, partindo duma peça de Francisco Lage e João Correia de Oliveira, ambientada em Castro Laboreiro, o próprio Rino Lupo altera o esquema dramatúrgico, para uma confrontação latente, mantendo embora o espírito original de violência animalesca, que lhe sobrevirá. De facto, raramente o rigor a grandiosidade aliaram duma forma tão perfeita e eficaz, no cinema português. Se era famosa a caótica dispersão de Lupo, em termos de produção (ultrapassando, agora cinco vezes o orçamento previsto de cinquenta contos), o mesmo não decorre da dinâmica espectacular – quanto ao vigor da sequência ou ao conflito de sentimentos e valores.

26 Realizado pelo italiano Rino Lupo ao serviço da Ibéria Film no Porto, «Os Lobos» é, justamente considerada uma das mais empolgantes e autênticas, entre as nossas fitas mudas de ficção. A acção, além de evocações da Foz do Douro, decorre na serra da Cabreira – com rodagem na serra da Estrela, apenas em exteriores, durante dois meses e meio – numa aldeia dominada pela tradição patriarcal: a mulher ocupa-se da lida da casa ou recolhe lenha; o homem vela pelos rebanhos ou abate as árvores de que fará o carvão. Após cumprir pena por crime passional, Ruivo um marinheiro, chaga àquelas paragens, transformando-se em elemento de fascínio e desagregação para a estrutura arcaica. E não só a novidade, como perturba os corações femininos com as suas cantigas. A tragédia consuma, pois, agoiros e prenúncios de expiação, na hora de arrebatamento das paixões e dos instintos incendiados. «Lobos do mar não devem subir às serras» - afirma, com inquietante alegoria, o espantoso Gardunho, que partilha o covil das feras.  
lucrosilicitos_1b Segunda fita interpretada em Portugal - após «Cláudia» - pela esbelta atriz Francine Mussey, em 1923 para a Invicta Film, «Lucros... Ilícitos» voltou a ter argumento e realização de George Pallu, manivelada no complexo do Carvalhido. A ideia era, de novo, revestir um modelo internacional que, aliando sensação e cosmopolitismo, conflitos e controvérsia, atraísse o público português e vingasse no mercado estrangeiro. O elenco, um dos atributos mais notáveis, pela homogeneidade e nível de composição, incluía também António Pinheiro, Mário Pedro, Maria Vaz e Duarte Silva. Com distribuição a cardo de «Fomento Artístico», «Lucros... Ilícitos» teve a estreia no Porto, no Jardim Passos Manuel, no dia 6 de Novembro de 1923 e em Lisboa, nos cinemas Chiado Terrasse e Salão Foz a 26 de Novembro de 1923.
25 Em 1923, assinala-se uma radical alteração na Invicta Film, em perspectivas e temáticas. Embora com sucesso de público, os «assuntos portugueses», populares e realistas, cederam a uma produção artificiosa e cosmopolita, segundo requisitos internacionais que visavam outros mercados no estrangeiro. Procurando novos mercados para os seus filmes, a «Invicta Film» decide contratar para vedeta do seu novo filme a estrela do cinema francês Francine Mussey. É assim que em 1923 começam as filmagens  do filme «Cláudia» por Georges Pallu .  A experiência não correu mal, pois Francine Mussey obteve em «Cláudia» um magnífico triunfo de interpretação num papel difícil e diverso. O filme foi igualmente vendido para França. O elenco português desta película não desmereceu, da comparação, com a vedeta francesa. António Pinheiro, Emília de Oliveira, Mário Pedro, Flora Frizzo e Erico Braga, deram brilho às restantes personagens de «Cláudia». O filme era uma adaptação modernizada sobre o conto de Charles Perrault, «A Gata Borralheira» adaptada à protagonista.

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O filme «As Pupilas do Sr. Reitor» de 1922 foi o segundo filme do francês Maurice Mariaud para a «Caldevilla Film». A adaptação do famoso romance ao cinema foi feita por Campos Monteiro, e no elenco surgiam os nomes de Maria Helena e Maria de Oliveira nas pupilas; Eduardo Brazão no Reitor; Duarte Silva no João Semana; Manuel de Oliveira no José das Dornas; Arthur Duarte como Daniel e Vasco Gondomar como Pedro. A filmagem de interiores concretizou-se na abegoaria da Quinta das Conchas, em Lisboa. Mas após este filme a «Caldevilla Film» encerrava as suas portas em um leilão publico.

 

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Nesse mesmo ano, de 1922, produzem-se os filmes «Tempestades da Vida» de Augusto de Lacerda, interpretado pelos actores Augusto de Lacerda, Brunilde Júdice, Fernanda Pereira, Duarte Silva e Aldina de Sousa. Segue-se o filme «Os Faroleiros» do francês Maurice Mariaud. Este realizador é contratado pela «Caldevilla Film» em 1922 para dirigir este filme cuja história incidia sobre um triângulo amoroso, vivida numa aldeia de pescadores, culminando num farol do litoral. Nos intérpretes surgiam entre outros os nomes de Maria Sampaio e Castro Neves. Os restantes filmes foram «Sereia de Pedra», produção da «Fortuna Film», adaptado do romance «Obra do Diabo» de Virgínia de Castro e Almeida. A realização coube a Roger Lion. Segue-se o filme «O Rei da Força» realizado por Ernesto de Albuquerque e protagonizado por Rui Cunha, Amélia Perry, Lina de Albuquerque, Duarte Silva, Maria Sampaio entre outros. «O Centenário» foi realizado pelo autor teatral Lino Ferreira, baseado numa peça escrita pelos famosos irmãos Quintero. O elenco era de primeira linha, com os nomes sonantes de Ilda Stichini, José Ricardo, Joaquim Costa, Rafael Marques e Jorge Grave. A terminar o ano, surgia a primeira versão do famoso romance de Júlio Dinis, «As Pupilas do Sr. Reitor».

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tinocoembolandas_01 Consequência dos inegáveis méritos artísticos do actor António Pinheiro, Castro Lopes, então director artístico da «Invicta Film», contrata por três anos aquele artista, como actor e encenador, a partir de janeiro de 1922. Em abril de 1922 foi dada a primeira volta da manivela de «Tinoco em Bolandas», primeira realização de António Pinheiro e engraçada comédia de quatro partes, extraída de «A Chávena de Chá», original de José Carlos dos Santos. O desempenho dos diversos personagens esteve a cargo do realizador, Maria Clementina, Otelo de Carvalho, Adriana Guimarães, Maria Campos, Aida de Albuquerque, Pedro Santos, entre outros. Apesar de ter sido produzida e montada esta pelicula em 1922, apenas foi estreada no dia 1 de Fevereiro de 1924.

 

O enredo gira em torno do adultério cometido por Luísa e seu primo Basílio, acabado de regressar do Brasil. Luísa está casada com Jorge há três anos, mas acaba por deixar-se seduzir pelo primo que fora o primeiro a fazer-lhe a corte, quando esta tinha apenas dezoito anos. Mas Basílio repudia Luísa depois de a ter seduzido e parte para Paris. Em casa, Luísa descobre que a sua Governanta apanhou as cartas de Basílio, fazendo chantagem do segredo em troca de jóias, vestidos e regalias, num crescendo de exigências. Jorge, desconfia e acaba por saber tudo. Luísa adoece gravemente e acaba por morrer.

 

   

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A Invicta Film assume a responsabilidade da cinematização de uma obra do imortal romancista Eça de Queiroz, responsabilidade que, até hoje, ainda não foi igualada por qualquer produtor. A tarefa era difícil e árdua, mas salvo certos deslizes, compreensíveis em obra de tal envergadura, a fita agradou a todos na época. A realização foi entregue uma vez mais a George Pallu. O papel da criada Juliana coube à imortal artista Ângela Pinto. Luísa, a simpática prima, foi interpretada por Amélia Rey Colaço. A completar o elenco: Raul de Carvalho como Jorge, Robles Monteiro como Basílio, António Pinheiro, Duarte Silva, Arthur Duarte, Regina Montenegro, Deolinda Sayal entre outros. Este filme estreou-se em Lisboa, no Salão central, no dia 16 de Março de 1923.

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