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Cinema mudo

diaboemlisboa_01 Em 1926 começavam as filmagens por Rino Lupo do filme «O Diabo em Lisboa». O filme tinha Artur Costa de Macedo como director de fotografia e Artur Costa de Macedo na Produção. A história, uma fantasia, explorava o mito da severa ao mesmo tempo que procurava mostrar as belezas da Capital. Lúcifer vem a Lisboa para visitar a Mouraria, morada da afamada Severa, e observar as tipificadas gentes e costumes do bairro. No elenco surgiam os nomes de Beatriz Costa, Maria Emília Castelo Branco, Maria Sampaio entre outros. O filme teve fraca recepção pela crítica, não logrou expectativas comerciais entre os promotores, e surgiram problemas quanto à autoria entre realizador e produtor. Nunca teve estreia comercial, apesar de ter havido uma sessão especial em 1928 para críticos e outros convidados. O filme foi destruído em 1930. diaboemlisboa_03
afilhado_01 Em 1928 surge «O Afilhado de Santo António», com argumento, legendas e realização do grande escritor Afonso Lopes Vieira. A fotografia era de Artur da Costa Macedo. Filme infantil, de duas partes, realizado nos soberbos jardins do Palácio dos Marqueses de Fronteira, e pela primeira vez exibido, em público, numa festa de caridade, no Teatro Ginásio, na noite de 16 de maio de 1928. A interpretação foi completamente entregue a crianças. O outro filme desse ano é «Bailando ao Sol», o primeiro trabalho de realização de António Lopes Ribeiro, filme de curta-metragem, suficiente, contudo, para nos fazer adivinhar no seu realizador profundos conhecimentos técnicos e uma sensibilidade poética, elementos indispensáveis a um director cinematográfico. «Bailando ao Sol» mostra-nos lindos panoramas e enquadramentos, valorizados pela graça dos bailes das alunas da professora de dança M.me Britton. bailandoaosol_1b
fatima_milagrosa_02 Em 1928, Rino Lupo filma para a «Lupo Film», empresa que fundou com o apoio económico de Lello & Irmão, o drama de fé «Fátima Milagrosa». Os interiores foram filmados nos estúdios da Invicta Film do Porto, com exteriores no Minho (Guimarães, Santo Tirso). As previsões de que a fita «deve agradar plenamente, em especial a todo o mundo religioso», cumpriram-se em absoluto. Mas Rino Lupo, neste filme, não teve outra preocupação do que transigir com o «popularucho» e outro trabalho que não fosse o de procurar efeitos de agrado certo, em certas plateias, dando-nos por consequência uma fita sem qualquer interesse cinematográ fico e indigna de ser assinada pelo realizador, que já nos tinha mostrado peliculas com a categoria de «Os Lobos» ou «Mulheres da Beira». Na interpretação, a destacar a de Ilda Kruger, num papel difícil de paralítica miraculada. Em diversos papeis: Maria Júdice, António Faro, Amélia Figueiras e ainda no qual figuram os irmãos Casimiro, Beatriz Costa e Manoel de Oliveira. fatimamilagrosa_1b   Primeiro filme a tratar das aparições de Fátima em 1917 na tela. Visto à distância tem um extraordinário interesse histórico, pois insere largos excertos documentais da peregrinação a Fátima de 1927, onde podemos ver já o nível de devoção do povo, a multidão que enche a Cova da Iria, ainda um local ermo e sem construções, os peregrinos pelas estradas, o contraste entre a fé simples e a beatice sofisticada. Mas o filme marca ainda a presença de alguns jovens que viriam a ser nomes grandes do cinema português e que enfrentam as câmaras pela primeira vez: Manoel de Oliveira, que vemos em breves apontamentos de figuração, numa delas a dançar animadamente; Beatriz Costa, já de franjinha, numa cena de cabaret; e Dina Teresa, vestida - pasme-se! - de "Severa", numa curiosa sobreposição visual." Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986
maoenluvada Os restantes filmes de 1927 são para esquecer. «Aventuras do Tenor Romão» tinha realização de Rino Lupo com fotografia de Fernandes Tomás. Tratava-se de uma curta comédia, que tinha como protagonista Romão Gonçalves, uma curiosa figura popular de Lisboa. Também anunciado como “Dó de Peito Formidável”. Foi reapresentado em 1933 como “Romanini Milionário”. “O etéreo tenor Romão Gonçalves dá o dó de peito debaixo de água, e promete-o também por cima dum cálice de licor Romanini. Entra ele próprio, um casaco de peles bastante impróprio, e um cão que, pelas ruas de Lisboa, passeia com ele e o casaco...” [Rogério Perez – in “Kino”, 1930]. O Outro filme foi «A Mão Enluvada». Em fases diversas e pela ordem indicada, foi esta fita dirigida por António Lourenço, Aurélio Rodrigues e Eulóquio Silva. O argumento era de Antero Faro, que também interpretou um dos principais papéis. A fotografia era de Fernandes Tomás. Na interpretação, além de Antero Faro, participavam Ana da Gonta Colaço, Rafael Alves, João Quaresma, entre outros.
 

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Além dos filmes «O Táxi nº 9297» e «Rita ou Rito?», e sempre em 1927, Reinaldo Ferreira dirigiu duas outras obras de ficção e um documentário, respetivamente «Vigário Sport Club», «Hipnotismo ao Domicílio» e «Entrevistas Cinematográficas com Escritores e Jornalistas de Lisboa». Um humor sarcástico, explorando a moda social da época, e encenado sob o efeito de equívocos, por ações paralelas, é patente em Hipnotismo ao Domicílio - que teve como título previsto Almas do Outro Mundo -, rodado nos estúdios da Invicta Film, sob influência de Mack Sennett ou Harold Lloyd. Reinaldo Ferreira concebeu o argumento deste e de «Vigário Sport Club», também designado «Vigário Foot-Ball Club», uma paródia ao mundo do desporto-rei. Quanto às Entrevistas..., apresentavam o testemunho de Norberto Lopes, Rocha Martins e Norberto de Araújo. Aqui se encerrou a actividade fílmica de Reinaldo Ferreira, que acalentaria outros projectos. Mas viciado em morfina, com a saúde arruinada, faleceu em 1935.

(Excerto do filme «Vigário Sport-Clube)

ritaourito_1b Os restantes filmes de Reinaldo Ferreira são: «Rita ou Rito?», «Hipnotismo ao Domicilio» e «Vigário Foot-ball Club». «Rita ou Rito» insere-se numa série cómica dirigida por Reinaldo Ferreira para a sua empresa, «Repórter X-Film», na sequência de «O Táxi nº 9297», e baseia-se num caso pitoresco que, efectivamente teria ocorrido em Aveiro. A acção é, de qualquer forma, deslocada para a povoação de Rio Tinto Maduro, em cujo Palace Hotel vamos encontrar alguns convivas característicos: a Dr.ª Pílulas, inventora das célebres ditas contra o fastio; o Coronel Peixe-Espada, que gosta de gabar-se das suas fantasiosas aventuras africanas; a esposa que é pior do que o marido quando a escamam; a filha Gabriela, de alto lá com ela; o Conde Pastel de Nata, a quem o Coronel gostaria de ter como genro. A partir dum equívoco aparentemente trivial, Reinaldo Ferreira demonstra em «Rita ou Rito?» uma faceta inesperadamente hilariante, irresistível, através de mise-en-scène movimentada e ágil, com princípio, meio e fim, o que é raro acontecer nas peliculas do género que importávamos, como salientou a crítica da altura. O filme trazia mais uma novidade para o cinema português, o travesti. Os actores destes três filmes eram praticamente os mesmos: Alves da Costa, Alexandre Amores e Fernanda Alves da Costa.
49 Reinaldo Ferreira, embora alertando que não se trata de um decalque da vida real, pois recorreu à fantasia, inspirou-se no misterioso assassínio da actriz Maria Alves, que electrizara o grande público, até à surpreendente descoberta de que o criminoso era o seu empresário e amante, Augusto Gomes. Aliás, Reinaldo Ferreira participara nas investigações, como profissional da imprensa e brilhante espirito detectivesco, partindo para o argumento dos seus próprios trabalhos. O filme apresenta-nos um jovem oficial do exército americano, o Tenente Hair, que chega a Lisboa como adido militar e conhece casualmente Arsénio de Castro, que se apresenta como o homem de pior fama em Portugal. Este serve-lhe de cicerone, e em breve se tornam inseparáveis, sendo convidados pelo extravagante milionário Horácio Azevedo, a passar uns dias na sua propriedade de Bretolho, onde vegeta uma extraordinária fauna social. Tomam o táxi nº 9297, onde Arsénio pressente, por um vidro partido, que aquele automóvel fora já alvo de tragédia: ali mataram – em circunstâncias não aclaradas – a actriz Raquel de Montalverde, um ano atrás. O elenco era composto por Alves da Costa, Maria Emília Castelo Branco, Fernanda Alves da Costa, Henrique de Albuquerque, entre outros. Quando da estreia no Porto, a 9 de Julho de 1927, no Trindade e no Batalha, obteve esta pelicula um êxito enormíssimo, mantendo-se largo tempo em projecção. 48
47 Reinaldo Ferreira, grande jornalista e nome já conhecido no cinema, pois em 1923, capitalizado por espanhóis, já tentara realizar o «Groom do Ritz», que estreia em Lisboa, no Salão Central a 17 de Julho de 1924, decide, em 1927, fundar uma empresa cinematográfica produtora, à qual dá o nome que usa como pseudónimo literário. A «Repórter X-Film» tem como principal objectivo a produção de filmes de carácter policial, sendo o primeiro destes, o «Táxi 997». Já em 1918, a sua novela policial «O Mistério da Rua saraiva de Carvalho» publicada no jornal «A Capital», tinha sido adaptado por Leitão de Barros para o filme, entretanto inacabado, «O Homem dos Olhos Tortos».
desconhecido_1b Os dois restantes filmes de 1926 são «O Desconhecido» de Rino Lupo e «O Bicho da Serra de Sintra» de Artur Costa de Macedo e João de Sousa Fonseca. Todos os anos os veraneantes da praia da Ericeira costumavam escrever e ensaiar uma revista, que eles próprios representavam.  Neste ano, decidem ir mais longe e apresentarem uma fita cinematográfica. Como nenhum dos veraneantes se sentia abalizado a dirigir um filme, confiaram a realização deste a Rino Lupo. Para «O Desconhecido», escreveram propositadamente o Engenheiro Francisco Nobre Guedes e Ernesto de Menezes um argumento de feição policial. A fotografia foi confiada a Artur da Costa Macedo e a interpretação masculina esteve a cargo de Nobre Guedes, Eduardo Brazão (filho do talentoso actor), Eduardo Gomes, Francisco Sena, Álvaro Frade, entre outros. Dos papéis femininos encarregaram-se Maria Carlota Saldanha, Maria Fernanda de Almeida d’Orey e Maria da Graça da Camara Sequeira. A história era a seguinte: Filho dum pescador da Ericeira, João Balcote foi salvo em pequeno dum naufrágio e levado para a América, onde se converteria num aventureiro. A recordação de Maria da Graça, filha do Marquês de S. Sebastião e sua companheira de infância, estimula-o a tentar um regresso, como João do Vale. «O Desconhecido» foi estreado no S. Carlos, seguindo depois a sua carreira no cinema S. Luís. obichodaserradesintra_01 O outro filme «O Bicho da Serra de Sintra» teve realização de Artur Costa de Macedo e João de Sousa Fonseca, que também escreveu o argumento do filme. Originalíssima comédia à maneira de Pirandello, inspirada em "fait-divers" a que os jornais, principalmente o «Diário de Notícias» deram foros de sensação e mistério. Para entrar em casa da namorada, à noite, um rapaz disfarça-se de bicho… O filme teve ante-estreia a 17 de Abril de 1926 no Casino, em Sintra. Segue a sua carreira no Cinema Condes a partir de 8 de Outubro do mesmo ano.
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