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Cinema mudo

   

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O filme conta com a interpretação de dois jovens estreantes: Rosa Maria (Maria do Mar) e Oliveira Martins (Manuel), que vivem o casal apaixonado ao lado de actores consagrados tais como Adelina Abranches (Tia Aurélia), Alves da Cunha (Falacha) e ainda Perpétua dos Santos (Mulher do Falacha), Horta e Costa (“Perú”), António Duarte, Maria Leo, entre outros. maria-do-mar  
MariadoMar - Cópia Amadurecendo a experiência de «Nazaré, Praia de Pescadores» (1929), Leitão de Barros regressa àquela povoação, realizando uma obra de perturbante modernidade onde, numa singela intriga dramática com impressivos laivos sentimentais, desenvolve um ritmo de essência documental, sobre a dura labuta e heroísmo que modelam as fainas marítimas. Aliás este tema, variadamente ilustrado ao longo do cinema português (o próprio Leitão de Barros tornaria a ele em 1942, com «Ala-Arriba»), parece encontrar aqui as suas propostas mais vivas e enraizadas. As personagens são fortes, bem definidas, servidas por notáveis interpretações (com destaque para Adelina Abranches). 4
19 Influenciado, como salientou Roberto Nobre, pelo documentarismo alemão, Leitão de Barros soube transcender-se numa expressão pessoalíssima e vibrante da Lisboa característica, e convém recordar o corrosivo de sua sátira, a frescura desconcertante do humor e carga erótica de algumas sequências, que tanto seduziriam em «Maria do Mar»: basta sugerir as conotações fálicas dos alhos e dos peixes, respectivamente nas cenas da empregada doméstica e da varina. «Lisboa crónica anedótica» estreia a 1 de Abril de 1930 nos cinemas S. Luís e Tivoli em Lisboa. 20
17 Observações: "Lisboa é um filme sincero, um filme de arte. Leitão de Barros deve orgulhar-se de o Ter composto, e, com ele, todos os portugueses, porque Lisboa está cheia de alma e do sentimento português". (Brum do Canto, Cinéfilo) "Uma autêntica obra-prima do cinema português, verdadeiramente inovadora pela concepção e pela linguagem na história dessa arte, síntese de caminhos formais, lídima expressão da sua (Leitão de Barros) veia de cronista, talvez a mais sincera do seu brilhante espírito." (...) 21 "Leitão de Barros recriou, como ninguém, o que mais tarde chamou o lado "pobrete mas alegrete" do "fatalismo sem revolta" do "povo ribeirinho da velha Lisboa". Sob uma aparência desenvolta (o lado "quadro vivo") o que surge nessa "crónica" é o horizonte fechado de uma cidade sem saídas, presa das suas próprias manhas e armadilhas, que não mais deixaria de insinuar-se, em filigrana ou como nota dominante, em quase todos os filmes (comédias ou dramas) que tiveram Lisboa como cenário dominante. Se houvesse que opor um desmentido cabal à lenda da "ville blanche" (cidade branca), emblema fácil e superficial do filme de Tanner dos anos 80, havia que o buscar em todos esses filmes portugueses, em que nunca se pintou cidade mais "escura" e cujo fulgurante marco inicial é o filme de Barros, certamente um dos mais desapiedados olhares de nós próprios sobre nós próprios." 18
15 Esta transformação do documento em crónica, esta transfiguração anedótica do real, gerou alguns equívocos, pois se exigiu a Leitão de Barros uma maior dose de "verdade", de "verosimilhança", de "realismo", quando era outra coisa que estava em causa, do mesmo modo que uma crónica de um jornal não é uma reportagem. A nossa crítica mais responsável, durante muito tempo, preferiu "Nazaré" e "Maria do Mar" a "Lisboa, Crónica Anedótica", mas eu creio que este é muito mais moderno, muito mais imaginativo, muito mais original, muito mais "cinegráfico", se assim quisermos." Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986. 16
14 Alguns documentos visuais também denotam um extraordinário poder de observação e ganham um sentido profundo no contexto do filme, como esses velhos dos Inválidos do Trabalho construindo os seus caixões, cena que liga com a terra e , através dela, com uma criança, sintetizando o ciclo da vida. E o pitoresco - como ao longo do filme os mais variados tipos populares - alterna com imagens de beleza pura, de notável recorte plástico, como os marinheiros no veleiro e as suas fainas, ou como as imagens das diferentes formas arquitectónicas da cidade. Leitão de Barros não deixa de nos mostrar o bulício da cidade, o seu movimento, culminando o filme na viva descrição de um domingo lisboeta, onde, a par de uma captação insólita de costumes, se transmite um "domingo desportivo" cheio de interesse - corridas de out-boards, provas de atletismo, desafios de futebol, touradas, etc. 13
11 Não se pode deixar de referir um conjunto de apontamentos ligados a esses actores, velhos e novos, que ainda hoje dão ao filme a sua graça, já que a ficção envelhece menos que o documento: o saloio Estevão Amarante olhando os manequins na montra e replicando ao aviso da empregada Josefina Silva "Não pode ver sem tocar?" com o imediato "Eu até era capaz de tocar sem ver!"; Nascimento Fernandes e as suas mãos maravilhosas seduzindo com boquinhas e piscadelas de olho as bonitas condutoras de automóveis; Vasco Santana e Costinha, no eléctrico do Campo Grande, às voltas com um burro que impede a passagem; o grande Chaby Pinheiro, na sua única aparição cinematográfica, no papel de um vendedor da Feira da Ladra que mostra um corno aos compradores; Alves da Cunha, num momento dramático no Arsenal da Marinha, uma das melhores descrições de ambiente operário do nosso cinema; Teresa Gomes na inenarrável cena de "peixeirada" da Praça da Figueira, com evidentes alusões eróticas de peixes e alhos; Erico Braga, galã convencional, descendo a Avenida da Liberdade no seu carro e declarando-se às bonitas transeuntes; o conto do vigário da bilha quebrada, com Perpétua Santos. 12
9 A ideia de fragmentação, de pequenos apontamentos inventados e ligados a outros apontamentos puramente documentais, facilita a crónica (...), a sequência dos factos. E facilita também o trabalho de montagem, que era, de facto, o calcanhar de Aquiles do realizador. Tudo depende da pesquisa, da paciência e da invenção. Por outro lado, a presença de actores misturados com personagens da vida real permite a Leitão de Barros aproveitar a sua capacidade histriónica, digamos, para fazer melhor do que o real. 10
7 "A ideia central de "Lisboa" é juntar o documento e a ficção numa crónica fragmentada que, através de subtis ligações interiores, nos revele progressivamente aquilo a que poderemos chamar a "alma" da cidade e o seu tempo actual e passado, perene, se assim quisermos. Mas a crónica é também "anedótica", entendendo-se a palavra no seu duplo significado: vinha de "anedota", como episódio, e vinha de "anedota", como "história engraçada". Em nenhum momento, mesmo naqueles em que predomina uma certa forma verista, dura, recortada, claramente influenciada pela escola soviética, o filme se pretende "realista", voltando assim as costas à tradução directa e formalmente carregada do real, que era a regra da escola. Esse propósito é brilhantemente transmitido quando, através, de um simples e espontâneo efeito de distanciação, nos mostra a câmara de Costa Macedo e a sua equipa filmando algumas imagens no Saldanha. Diria que Leitão de Barros organizou um fundo de ficção, episódico, anedótico, é certo, para melhor nos revelar a cidade. 8
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