Username:

Password:

Perdeu a Password? / Ajuda

Personalidades

34 Maria Barbara Júdice da Costa nasceu em Lisboa a 12 de Junho de 1870. Era filha do Conselheiro António Júdice da Costa, de Setúbal e de uma senhora algarvia. Desde jovem começou a mostrar uma decidida vocação teatral. Mas vai ser na música e em particular no canto, que conhecerá toda a glória de intérprete. Maria Júdice da Costa começa o seu ensino musical e artístico aos nove anos no conservatório nacional, com a ideia de tirar o curso de piano. Mas um de seus professores apercebendo-se dos seus dotes vocais, convence-a a estudar canto. Assim durante dez anos estuda no conservatório não apenas canto, mas também aulas de declamação com o actor João Rosa. A sua estreia oficial dá-se a 31 de Janeiro de 1890 no Teatro S. Carlos na ópera «La Gioconda», embora um ano antes já tivesse aparecido a 12 de Abril de 1888 num espectáculo a favor das vitimas do incêndio do Teatro Baquet, do porto, que deflagrara a 20 de Março e causara a morte de 120 espectadores. Em Junho de 1890 parte para Itália onde dará início a uma longa carreira internacional. Fez assim uma carreira brilhante actuando em Roma, Nápoles seguindo-se as cidades de Moscovo, México, Madrid, Buenos Aires, Amesterdão, Málaga, Trieste, numa carreira apenas interrompida para ter os três filhos. 36   Foi mãe da actriz de cinema Brunilde Júdice, nascida em Milão. A sua carreira levou-a várias vezes a Madrid, Barcelona, Palma de Maiorca e esteve em Portugal no Coliseu dos Recreios, em 1906, durante dois meses, novamente em 1910 e 1913. Mas se é verdade que Maria Júdice da Costa foi grande no teatro lírico, também não é menos verdadeiro que ela foi enorme no teatro dramático, onde se estreou a 30 de Julho de 1921 com a peça «Os sedutores» integrada na companhia de Amélia Rey-Colaço-Robles Monteiro. Ainda nesse ano estreia-se no cinema com os filmes “Amor de Perdição” de Georges Pallu e “Mulheres da Beira” de Rino Lupo. No ano seguinte junto com a sua filha Brunilde, Maria Júdice da Costa acabaria por embarcar para o Brasil integrada no elenco do espectáculo “A Casaca Encarnada” de Vitorino Braga, produzido pela companhia de Lucinda Simões, onde conquistou uma enorme legião de admiradores, tendo ficado por lá durante um largo período após a digressão daquela peça. Em 1927 regressa a Portugal voltando ao cinema com o filme “Fátima Milagrosa” de Rino Lupo e ao teatro substituindo Palmira Bastos numa opereta do teatro da Trindade. Em 1933 regressa ao teatro lírico interpretando zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro São Carlos – que era afinal o seu verdadeiro universo artístico.

40Aos sessenta e três anos Maria Júdice da Costa abandonou de vez os palcos, depois de uma breve aparição no Teatro D. Maria II, no carnaval de 1938, na zarzuela “La Verbena de la Paloma” de Ricardo de la Vega, dedicando-se então ao ensino da música. Anos depois, retirou-se para Milão, onde foi aceite como pensionista na Casa de Repouso para Músicos fundada por Verdi. Mas, com a guerra, ela regressaria definitivamente a Portugal, onde o público a recordava fundamentalmente da sua brilhante participação nos espectáculos “A Grã Duquesa” de Offenbach e “Joana a Doida” de Manuel Tamayo y Baus. Viveu até aos noventa anos com a sua filha Brunilde Júdice, deixando-nos serenamente na noite de 16 de maio de 1960. Entre os papéis que a celebrizaram contam-se o de "Fedora", Amnerisna "Aida".

jose ricardo O actor José Ricardo nasceu em Lisboa a 9 de Fevereiro de 1860. Era filho do ponto teatral António Ricardo, começando por isso desde muito novo a apanhar o vício do teatro. A sua estreia dá-se ainda criança, com quatro anos de idade, na revista «Fossilismo e Progresso». Com dez anos de idade surgia na peça «Morgadinha de Valflor» no D. Maria. Começou a sua carreira profissional como discípulo no Teatro da Trindade. Um ano mais tarde, Emília das Neves contrata-o para ir às províncias e às ilhas. No Porto, José Ricardo foi actor e ensaiador, nos vários teatros então existentes na capital do Norte. Mas várias vezes deslocou-se aos teatros de Lisboa alcançando sempre grande sucesso. Entre as várias peças em que participou, destacam-se: «Os Sinos de Corneville» em 1888; «Reino das Mulheres» em 1890; «Retalhos de Lisboa» revista levada á cena em 1897; «O Ano em três dias» em 1904; «O Testamento da velha» em 1913, entre muitas outras. Por três vezes foi ao Brasil, onde era aclamadíssimo. Em 1922, representa com enorme sucesso no Nacional a peça «O centenário» dos Irmãos Quintero. Tal foi o sucesso, que a peça foi filmada e estreada nos cinemas nesse mesmo ano por Lino ferreira. Em 1925 aparecia na peça «Os Dois Garotos», mas a morte acabaria por o levar a 3 de Agosto desse ano. 34566
brunilde2 Brunilde Júdice Caruson, de seu nome completo, nasceu em Milão, Itália a 11 de Maio de 1898. Era filha da grande cantora portuguesa Maria Júdice da Costa e do cantor Guglielmo Caruson. Com apenas 7 anos de idade vem para Portugal com os seus pais. Um ano antes da estreia de Brunilde Júdice no cinema, isto é em 1920, esteve em casa de seus pais uma senhora francesa que se dedicava à actividade cinematográfica. Falou-se muito de cinema e essa senhora convidou a pequena Brunilde, ao tempo com quinze anos, para entra num filme sobre motivos piscatórios de Portugal. Nessa altura já a jovem Brunilde estava entusiasmada com o cinema. Recebeu, pois o convite com bastante alvoroço. Mas o filme nunca chegou a se estrear. A sua estreia dá-se no cinema em 1921, com o filme «Amor de Perdição» de Georges Pallu. A crítica rende-se ao seu talento e beleza. Nesse mesmo ano filma «Mulheres da Beira» de Rino Lupo, filme que estreará apenas em 1923. Ainda em 1921, dá-se a sua estreia no teatro Politeama, com a peça «Sol da meia-noite», de Portinov.     29 Seguem-se várias peças teatrais tais como: «A casa Encarnada» e «Garçonne» e o filme «Tempestades de Vida» de Augusto de Lacerda. Entretanto parte para o Brasil, integrada na Companhia Erico Braga/Lucília Simões. Com o regresso da companhia a Portugal, Brunilde Júdice decide ficar a viver no Brasil, onde permanece até 1927. De regresso a Portugal volta novamente ao Brasil agora com a Companhia de Chaby Pinheiro. Em 1931 regressa ao cinema com o documentário «A Voz do Operário - catedral do Bem» de António Leitão. Embora considerada como uma Diva do Cinema Mudo Português, será no teatro que Brunilde Júdice triunfará, onde terá uma longa carreira. Chega a formar uma companhia com o actor Alves da Costa, com quem entretanto casa. Surge nas peças «O Noivo das Caldas» em 1932; «A Serpente» em 1933, entre outras. No cinema, participa nos filmes: «Ladrão Precisa-se» em 1946; «Amanhã Como Hoje» em 1948; «Ribatejo» em 1949; «O Cerro dos Enforcados» e «Quando o Mar Galgou a Terra» ambos em 1954 e despede-se das telas com o filme «Traição Inverosímil» em 1970. Em 1962 ganha o prémio «Lucinda Simões», como melhor actriz do ano. Morre a 31 de Dezembro de 1979. brunilde4
$(KGrHqUOKo4FIfV)OLOjBSSWO2py,!~~60_57 Augusto de Melo, nasceu em Lisboa a 13 de Julho de 1853, mas ainda criança, com três anos de idade, foi viver para Reguengos, no Alentejo, ao cuidado de um tio, Médico, que tomou conta da sua educação. Só regressa a Lisboa pouco antes da morte de seu pai, em 1861. Nessa altura emprega-se num escritório comercial. Mas a sua paixão era o teatro, acabando por ingressar no Teatro do Ginásio aos dezoito anos de idade, graças às suas relações de amizade com o actor Vale. É assim que se estreia a 11 de Junho de 1870 na comédia «As Informações». Entre As peças que participou destacam-se: «A Valsa»; «O Tartufo»; «A Condessa Heloísa», entre outras. Dedicou-se também à literatura e ao jornalismo, colaborando sobre assuntos teatrais em diversos jornais da época. Escreveu um romance «O senhor Alferes» e uma comédia «A Descoberta do Dr. Quaresma». Trabalhou em quase todos os teatros da capital. No cinema participou no filme «As Pupilas do sr. Reitor» de Maurice Mariaud, onde interpretou o papel de João Semana. Morreu em Lisboa a 29 de Janeiro de 1933. $T2eC16dHJI!FHR1ljTF!BSSwJVqc,g~~60_57
Amélia rey 2 Amélia Lafourcade Schmidt Rey Colaço de Robles Monteiro, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 2 de março de 1898.  Era a mais nova das quatro filhas de Alice Lafourcade Schmidt e de Alexandre Rey Colaço, pianista e figura de renome no meio artístico. Cresceu num ambiente economicamente confortável e culturalmente rico, em contacto com uma elite intelectual e artística. Em dezembro de 1911 foi com a irmã Maria para Berlim, para casa da avó materna, com o objetivo de estudarem música. Também aqui encontrou um ambiente cultural estimulante, nas constantes tertúlias em casa da sua avó, Madame Kirsinger, frequentadas por vários artistas da capital alemã. Foram os espetáculos de Max Reinhardt com o Deutsches Theater, que seguiu atentamente nas suas estadias em Berlim, que atraíram Amélia para a carreira de atriz. A grande amizade entre o pai de Amélia e Augusto Rosa (ator, co-fundador da Companhia Rosas & Brazão) determinou que fosse este a iniciar Amélia na arte teatral, com lições particulares de exigente disciplina. Então discípula de Augusto Rosa estreou-se no Teatro República com 19 anos, em 1917 em Marianela, logo despertando o interesse da crítica e do público. Amélia ficou no São Luiz até 1919, recusando convites para integrar companhias espanholas e só saindo para se juntar à Companhia de Lucinda Simões, no Teatro do Ginásio, que, de resto, abandonou em abril de 1920, porque fora entretanto contratada para a época estival do Teatro Nacional. Acabou por ficar como societária deste teatro na época de 1920-21. Através de Augusto Rosa, Amélia conheceu Robles Monteiro, ator e também discípulo daquele, e com ele casou em dezembro de 1920, de quem virá a ter uma filha que igualmente seguirá a carreira teatral, Mariana Rey Monteiro. Criou com o seu marido, a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, cuja longevidade – 53 anos, 35 dos quais à frente do Teatro Nacional – se mantém, até hoje, inigualável. Além da interpretação, destacou-se pelo requinte e bom gosto que aplicou à concepção plástica de grande parte dos seus espectáculos. Responsável pela gestão administrativa da companhia após a morte de Robles Monteiro, dirigiu este grupo até à sua extinção, em 1974. 53 Destacou-se em peças como Zilda (1921), de Alfredo Cortez, peça escolhida para a estreia da companhia, a 18 de junho de 1921, no Teatro de S. Carlos; A Castro (1934), de António Ferreira, Electra e os fantasmas (1943), de Eugene O’Neill, A visita da velha senhora (1960), de Dürrenmatt.  Como atriz, foi aplaudida nos mais variados géneros e papéis, como a sua personagem em O lodo (1923), de Alfredo Cortez, para a qual estudou as posturas e gestos de prostitutas, e com a qual escandalizou o público. A morte de Robles Monteiro em 1958 foi um golpe duríssimo para Amélia tanto a nível pessoal como profissional. Assumiu as responsabilidades de gestão administrativa até aí desempenhadas pelo marido e passou a partilhar a direção da companhia com a filha de ambos, Mariana Rey Monteiro. A situação da companhia ficou dramaticamente comprometida com o incêndio no Teatro Nacional, a 2 de dezembro de 1964, na medida em que, juntamente com o edifício, desapareceu todo o espólio da companhia, incluindo cenários, figurinos e adereços acumulados ao longo de 43 anos de atividade. Menos de duas semanas depois, a 15 de dezembro, Amélia e a companhia apresentaram Macbeth (o espetáculo em cena aquando do incêndio) no Coliseu dos Recreios, como prova da sua determinação em não desistir. No entanto, Amélia ainda teve que ultrapassar, em dezembro de 1967, outro incêndio no Teatro Avenida, onde a companhia estava instalada desde a sua saída do Nacional. Sem esmorecer, levou a companhia para o Capitólio (1968-70) e de seguida para o Trindade, que partilhou com uma companhia de opereta, apresentando apenas dois ou três espetáculos por temporada. Com a revolução de abril de 1974, com um panorama teatral mudado e crescentes dificuldades financeiras, Amélia encerrou a atividade da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Amélia Rey O seu interesse pelo teatro manteve-se vivo e voltou a pisar os palcos em 1985 no espetáculo El-Rei Sebastião, de José Régio, encenado por Carlos César. Fez também uma incursão pela televisão, na série da RTP Gente fina é outra coisa, experiência que muito a desiludiu. A sua paixão pelo teatro voltou a refletir-se, no final da sua vida, no apoio que deu à concretização do projeto do Museu Nacional do Teatro. Morreu em Lisboa a 8 de Julho de 1990.
ShowInfographicImageAndResize Ângela Pinto nasceu em Lisboa a 15 de Outubro de 1869. Nasceu na rua do Arco da Graça, nº 30. Iniciou a sua actividade artística ainda muito nova, num teatro de feira de Setúbal. Com 20 anos de idade, a 29 de Outubro de 1889, estreia-se no teatro profissional, no teatro da Rua dos Condes na opereta «Lobos Marinhos». Brilhou tanto na comédia como na tragédia, participando nas peças «O Solar dos Barrigas» em 1892; «O Reino da Bolha» em 1897; em 1901 protagoniza um dos seus maiores êxitos artísticos ao viver o papel de Severa na obra de Júlio Dantas; «Amor de Perdição» em 1904; «Hamlet» em 1910, «Castelos no Ar», revista de sucesso em 1916, entre muitas outras. Em 1922 participa no filme «O Primo Basílio» ao viver o papel da criada Juliana. Numa noite de 1923, no Teatro D. Maria, acometida de uma síncope, cai redonda em palco. Hemiplégica, ficará inutilizada para o trabalho, e agarrada a uma cadeira de rodas até ao fim de seus dias. Os colegas organizam-lhe uma festa de homenagem no Teatro de S. Carlos, onde o então Chefe de Estado coloca-lhe no peito as insígnias do oficialato da ordem de Santiago. Morre em Lisboa a 9 de Março de 1925. ShowInfographicImageAndResize2
11 Margarida Adelina Abranches, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866. Foi criada entre oito irmãos, ao encargo de sua mãe, que, apesar de muito se esforçar, não conseguia suprir todas as necessidades financeiras da família. Foram estas dificuldades que levaram os seus irmãos mais velhos a ir trabalhar bem cedo e a sua mãe a aceitar a proposta de um vizinho – porteiro da caixa do D. Maria – que recrutava crianças para figurantes de um espetáculo no Teatro Nacional, pagando “seis vinténs por cabeça”. Estreia-se como figurante num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II, a 10 de janeiro de 1872: «Os meninos grandes», tinha então cinco anos de idade. Trabalhou, depois, numa série de teatros da capital, por vezes em simultâneo, representando frequentemente papéis masculinos infantis devido a um certo jeito arrapazado. Aos doze anos, Adelina já tinha trabalhado na grande maioria dos teatros da capital, como o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro do Príncipe Real, o Variedades, o Teatro do Rato, o Teatro D. Fernando e o Teatro da Rua dos Condes, mas aqui foi despedida por gostar muito de improvisar em palco. Apesar de sua escolaridade reduzida, devido à sua condição social familiar e à intensa atividade teatral precoce, frequentou, contudo, o Conservatório entre 1876 e 1878. 12 Desde cedo, fez várias digressões por Portugal – continental e arquipélagos – e pelo Brasil. Firmou a sua carreira no Teatro do Príncipe Real, onde trabalhou durante vários anos, tendo posteriormente integrado a Companhia Rosas & Brazão (1877), o elenco do Teatro Livre (1904) e do Teatro da Natureza (1911), bem como a Empresa Rey Colaço-Robles Monteiro. Foi empresária teatral da Companhia Adelina Abranches e da Companhia Adelina – Aura Abranches, esta última em sociedade com a sua filha. Contraiu matrimónio com o empresário Luís Ruas, com quem teve dois filhos, ambos atores – Aura Abranches e Alfredo Ruas – mas divorciou-se em 1902. Entre os seus maiores êxitos destacam-se: Maria da Fonte – onde representou o “Fagulha” – e O tipógrafo (mais conhecido como O gaiato de Lisboa) em 1882 no Teatro do Rato; a Rosa enjeitada, de D. João da Câmara, em 1901, no Teatro do Príncipe Real; em 1902 participa na revista de sucesso À procura do badal; ainda nesse ano, no Teatro D. Amélia integra o elenco de As proezas de Richelieu, de Bayard e Dumanoir, e Uma anedota. No Teatro D. Amélia, Adelina brilhou em Ressurreição, espetáculo baseado no romance de Tolstoi, em 1903, interpretação que lhe valeu elogios de Joaquim Madureira, bem como em A cruz da esmola, de Eduardo Schwalbach, levada à cena no mesmo ano, e em O avô, de Pérez Galdós, em 1905. Nesse mesmo ano foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre, em papéis principais, como em Missa nova de Bento de Faria. 13 Após esta temporada, Adelina entrou para a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910 com êxitos como Afonso de Albuquerque, de Lopes de Mendonça (1906). Esteve, também, envolvida no projeto Teatro da Natureza, que, por motivos financeiros, foi extinto no mesmo ano da sua criação, em 1911. Durante as décadas de 1910 e 1920 Adelina Abranches envolveu-se, como empresária e atriz, em vários projetos levados a cabo em conjunto com sua filha Aura Abranches e Alexandre de Azevedo, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina – Aura Abranches. Na temporada de 1911-1912, Adelina regressou ao Teatro D. Amélia, entretanto nomeado Teatro República, o que entristeceu bastante a atriz, que era uma monárquica convicta. Aí representou Gil Vicente, pela primeira vez na sua carreira, destacando-se como “Brísida Vaz” no Auto da barca do Inferno. No fim da temporada do D. Amélia, Adelina, juntamente com a sua filha Aura e com Alexandre de Azevedo, rumou ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, para apresentar uma série de espetáculos de grand-guignol o que a levou, posteriormente, ao Brasil, numa digressão de um ano, entre 1913 e 1914. Foram, de resto, muitas as digressões que fez, entre 1886 e 1934, não só por Portugal, mas também pelo Brasil. Após o seu regresso a Portugal, em 1914, passou pelo Teatro Politeama, pelo Avenida e pelo Apolo (antigo Príncipe Real), antes de regressar ao Teatro Nacional para representar, entre outras peças, A mãe, de Russiñol, que constituiu um dos maiores sucessos da sua carreira. O êxito que se seguiu foi a sua criação da protagonista de O lodo, de Alfredo Cortez, no Teatro Politeama, em 1923. De nota é, também, a sua colaboração com a companhia organizada por Alves da Cunha, na temporada de 1926-27, para o Teatro Nacional, em que sob a direção de Araújo Pereira representou O Gebo e a sombra de Raúl Brandão. Trabalhou ainda com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro (1932-33, 1935-37 e 1940-41), concessionária do Teatro Nacional. Participou, em 1930, nos elencos dos filmes «Maria do Mar» e «Lisboa, crónica anedótica» de Leitão de Barros. E em 1938 despede-se das telas de cinema com o filme «A Rosa do Adro» de Chianca de Garcia. Morreu em Lisboa a 22 de Novembro de 1945. 14
as cidades e os filmes rino lupo Rino Lupo, aliás Cesare Rino Lupo de seu nome completo, nasceu em Itália, Roma a 15 de Fevereiro de 1888. Começou a actividade cinéfila em Itália, entre 1908 e1910. Terá entretanto estado em Espanha, onde lhe chamavam Cesarino e onde criou uma escola de arte dramática. Deambulou pela Europa, fazendo filmes em Copenhaga, em Moscovo, de onde saiu com a Revolução Russa de 1917 e na Polónia, onde fundou a Academia Cinematográfica de Varsóvia. Chegou a ser dirigente da revista polaca Kinema. Entre os seus primeiros filmes, consta Wenn Volker streiken (Quando os Povos Lutam), filme alemão de propaganda de guerra. No início dos anos dez, Lupo, foi contratado pela produtora francesa Léon Gaumont. O responsável técnico e artístico da empresa era então Louis Feuillade, anti-academista encarniçado que se opunha ao Film d'Art, cultivado por elementos afectos à Comédie Française, que desenvolveram um conceito académico e elitista de cinema, decalcado da prática teatral, desprezando o uso do cinema como «espectáculo de feira» feito por Georges Méliès. A partir desse ano, até 1917, a segunda figura emblemática da companhia Gaumont é Léonce Perret, realizador de sucesso, que opta por começar a fazer filmes ao ar livre, na província, o que Lupo em Portugal também faria. Todo um grupo representativo de realizadores iria explorar no cinema, cada um deles a seu modo, esta forma de linguagem e este gosto pela imagem. Lupo chega a Portugal em Agosto de 1921. Ainda em Varsóvia, ouviu falar dos progressos da Invicta Film por um jovem português, um tal António da Silveira, e daí veio directamente para Portugal. Seduzido pelo sol do país, ofereceu os seus préstimos à Invicta Film. Foi aceite por reconhecido mérito. A decisão foi tomada por Georges Pallu, dirigente da firma e também realizador, que integrava o grupo de técnicos franceses que, com a colaboração da firma Pathé Frères, daria início ao relançamento industrial da Invicta. Rino Lupo explorou o melodrama rural e verista enquadrado em décors naturais da província, com fortes traços pictóricos, na mais pura linha do Film Esthétique. Mulheres da Beira (adaptação de um conto de Abel Botelho) é o seu primeiro trabalho. O segundo será Os Lobos (filme), ambos de 1923. São estas as suas obras de referência. Lupo abandonará a Invicta Film por desentendimentos, questões de dinheiro e incumprimento de prazos. Vem para Lisboa em 1923, cidade onde abre a chamada «Escola de Arte Cinematográfica», com sede no nº 182 da Rua da Palma. Instável, volta pouco depois para o Porto onde funda a «Escola de Cinema», da qual sairão formados os actores da melhor das suas obras, entre os quais Manoel de Oliveira. Sem trabalho em Portugal, Lupo tenta a sua sorte em França, provavelmente no seguimento da remontagem da segunda versão de Os Lobos na Gaumont (segundo semestre de 1923, inicio de 1924?). Sem sucesso em França, Lupo ruma até Madrid, onde reencontra um antigo aluno, António Teixeira Porto, como ele frequentador do café Maison Doré, conhecido pela tertúlia da comunidade cinematográfica madrilena. Parece ter sido graças a Teixeira Porto e a Manuel Fernandes Júnior, outro português frequentador do mesmo café, que Lupo viria a obter os contactos necessários para realizar o filme Carmiña, Flor de Galicia, rodado os exteriores na Galiza no final de 1925 e os interiores no Porto, na Invicta Filme. Rino Lupo dirigirá ainda em Portugal uma obra inacabada, O Diabo em Lisboa (1927), Fátima Milagrosa (1928) e uma primeira versão do José do Telhado (1929). Lupo deixa Portugal em 1931, já na época do sonoro. Após uma suposta passagem por Espanha, uma estadia em Paris e Roma, instala-se em Berlim, em 1932. Depois disso, perde-se o seu rasto. Nem a sua mulher, Aida de Oliveira (Aida Lupo, seu nome de casada), que o acompanhou no trabalho desenvolvido na escola do Porto, soube o que lhe aconteceu. Indícios apontam para o seu falecimento no ano de 1934.
 

 Eduardo Brazão (2)Eduardo Brazão2

Eduardo Joaquim Brazão de seu nome completo, nasceu em Lisboa, a 06 de Fevereiro de 1851. Na escola, foi colega do ator Augusto Rosa com quem brincava aos teatros. Enveredou, primeiro, por uma carreira na Marinha, mas rapidamente compreendeu que a sua verdadeira vocação era representar. Estreou-se, em 1867, numa companhia gerida por César de Lima, no Teatro Baquet do Porto, “fazendo um galã nos Trapeiros de Lisboa de Leite Bastos, e um criado numa comédia em um acto traduzida do francês: Precisa-se dum preceptor”. Do Porto veio para Lisboa, ainda em 1867, participou do elenco de Dois anjos de Dumas, no Teatro do Príncipe Real, e, a convite de Francisco Palha, integrou a companhia que inaugurou o Teatro da Trindade, a 30 de novembro de 1867, com os espetáculos A mãe dos pobres, de Ernesto Biester, e O xerez da Viscondessa. Brazão evidenciou-se como “Daniel”, numa adaptação de Ernesto Biester d’As pupilas do Senhor Reitor, e como Príncipe Saphir, na ópera cómica O Barba-Azul, de Offenbach, em 1868. Esta companhia passou depois para o D. Maria II e em 1870 Brazão foi contratado por Furtado Coelho para realizar aquela que foi a sua primeira digressão ao Brasil. No seu regresso a Portugal, em 1871, assinou contrato com a Empresa Santos & Cª por dois anos, desempenhando galãs em Bastardo e em Pedro, o Ruivo, bem como papéis de comédia em vários espetáculos, entre os quais se destaca a sua prestação em Fura-Vidas. Aquando da morte da sua mãe, Eduardo Brazão ficou responsável pelos seus sete irmãos, todos mais novos, visto que o seu pai havia falecido anos antes. Esta enorme responsabilidade – com implicações financeiras também – levou-o a fazer uma nova digressão pelo Brasil, em setembro de 1876, com Joaquim de Almeida, integrando a companhia de Isménia dos Santos. Estas digressões internacionais, bem como digressões pela província, repetiram-se várias vezes até 1921, ano da sua última visita ao Brasil. A 16 de Agosto de 1880 foi aberto um concurso para exploração do Teatro Nacional de D. Maria II. Foi então criada a Sociedade de Artistas Dramáticos, composta por Eduardo Brazão, João Rosa, Augusto Rosa, Virgínia e Rosa Damasceno, com quem veio a casar, Pinto de Campos, Emília dos Anjos, Emília Cândida e Joaquim de Almeida. Unidos, para fazerem face às pesadas exigência governamentais, conseguiram ganhar a exploração do teatro e a 30 de Outubro representou-se A Estrangeira de Dumas Filho. Em Dezembro de 1881, a Sociedade acrescenta ao seu elenco a veterana Gertrudes Rita da Silva e Amélia da Silveira. Em 1882, com a pretensão do Governo abrir novo concurso, a Sociedade consegue continuar na exploração do teatro por mais seis anos. Contudo, a Sociedade veio a dissolver-se por desentendimentos internos e em 1893 constitui-se a firma Rosas & Brazão, que explorou o Teatro Nacional de 1893 a 1898. João e Augusto Rosa e Eduardo Brazão passam a ser os únicos sócios.

  ShowInfographicImageAndResizeShowInfographicImageAndResize1

Em 1898, a companhia deixa o Teatro Nacional para passar a explorar o Teatro D.Amélia. Desentendimentos internos levam a que Eduardo Brazão deixe o D.Amélia e se volte a apresentar em 1905 no Teatro Nacional onde permanecerá até 1910. É de destacar a sua representação, em 1906, da peça Alfonso de Albuquerque de Lopes de Mendonça. Veio ainda a representar no Teatro do Principe Real para voltar mais tarde a integrar novamente o elenco do Teatro D.Amélia. Diagnosticado com um cancro na laringe em 1917, do qual recuperou, Eduardo Brazão passou por vários palcos entre 1917 e 1923: Ginásio (1918-19); Avenida (1919); Teatro Nacional D.Maria II (1922); Teatro Apolo (1923). O afastamento dos palcos, por motivos de doença, levou à sua última representação no dia 20 de Novembro de 1924, no Teatro S.Carlos, na peça Manhã de Sol, dos irmãos Quintero, onde contracenou com Lucinda Simões. Eduardo Brazão assinou algumas traduções para teatro e foi ator em filmes como Rainha depois de morta (1911), realizado por Júlio Costa, a versão muda de As pupilas do Senhor Reitor e O fado (1922), ambos de M. Mariaud, e Os olhos da alma (1923), realizado por R. Lion. Faleceu em Lisboa a 29 de maio de 1925.

 Eduardo BrazãoShowInfographicImageAndResize

 
Pages:1234
Put here your trakcing code, e.g. from Google Analytics.