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Personalidades

16 José Ângelo Cottinelli Telmo nasce em Lisboa, a 13 de Novembro de 1897 Estudou Arquitectura na Escola de Belas Artes de Lisboa, curso que completou em 1920. No decorrer do curso colaborou com a Lusitânia-Film na produção dos filmes Mal de Espanha e Malmequer, de Leitão de Barros, realizados em 1918. Tendo colaborado na construção em 1932, do estúdio da Tobis, no bairro do Lumiar, em Lisboa, aí realizou, no ano seguinte, A Canção de Lisboa, que teve a participação de Vasco Santana, António Silva, Beatriz Costa e de Manoel de Oliveira. Foi o primeiro filme sonoro de longa-metragem inteiramente produzido em Portugal, que no cinema português se tornou modelo de humor. Foram no entanto as suas obras arquitectónicas que o tornaram verdadeiramente conhecido. No início da carreira, em 1922, concebeu o Pavilhão de Honra da Exposição do Rio de Janeiro e mais tarde, em 1929, o Pavilhão Português da Exposição de Sevilha. A fábrica da Standard Eléctrica, na Junqueira, em Lisboa, e a cidade universitária de Coimbra foram obra sua. Concebeu grande parte dos projectos arquitectónicos de edificações ferroviárias do seu tempo. Idealizou o edifício de passageiros de Barcelos, em Vila Real de Santo António e a torre de sinalização do Pinhal Novo, entre outros. Foi o arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português, em 1940. Traçou o plano da Praça do Império e da sua Fonte Monumental e ainda o Monumento aos Descobrimentos, assim como a Porta da Fundação. De 1938 a 1942 foi director da revista Arquitectos. Morreu em Cascais a 18 de Setembro de 1948 devido a um acidente marítimo. cottinelli
Ester Leão Ester Eusébio Leão, de seu nome completo, nasceu em Portalegre em 31 de Janeiro de 1892. A sua estreia no teatro dá-se em 1914 no Teatro Dona Amélia, ao lado de Augusto Rosa na peça «O Assalto». Trabalhou ao lado de Ilda Stichini em inúmeras peças de êxito tais como «Rainha Santa» ou «Os Hóspedes de D.ª Epifânia» e mais tarde ingressou na Companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro. Durante as décadas de vinte e trinta vai alcançar enorme prestígio teatral. Por esse motivo é convidada pela Paramount a integrar o elenco dos dois primeiros filmes sonoros portugueses: «A Canção do Berço» em 1930 e «A Dama que Ri» no ano seguinte. Em 1931 funda a sua própria companhia teatral. Em 1936 vai ao Brasil e rapidamente apaixona-se por aquele país, não mais voltando a Portugal. Nesse país continua com a sua carreira teatral sendo o primeiro espectáculo que dirigiu: “ Os Romanescos”, no TEB. Depois:” Leonor de Mendonça”; em 1939. Em 1940, dirigiu: “ O Jesuíta”. Ainda em 1940, foi convidada por Eva Todor e dirigiu: “ Feia”, de Paulo de Magalhães. Em 1941, dirigiu: “ Dias Felizes” e “ 3.200 Metros de Altitude”. Em 1945, ficou à frente do “ Teatro  Universitário” e dirigiu: “ Romeu e Julieta”. Em 1947, na “Companhia Alma Flora”, dirigiu: “ Seremos Sempre Crianças”. Em 1948, no TEB, esteve à frente de: “ Inês de Castro”. Em 1949, participou do “ Festival Shakespeare”. Dirigiu a seguir; “ Quebranto”, “ O Pai”,” A Dama da Madrugada”. “ Alegres Canções na Montanha”, “Surpresas de uma Noite de Núpcias”. Em 1951  Ester Leão foi contratada pela companhia de Jaime Costa e dirigiu a peça  “A Morte do Caixeiro Viajante”, obra do romancista e teatrólogo norte-americano, Arthur Miller. Ester Leão além de actriz e encenadora foi também professora de técnica vocal tendo dirigido muitos atores brasileiros e corrigido a voz de alguns, inclusive de políticos, entre os quais o famoso e importante Carlos Lacerda. Ela faleceu no Brasil, a 16 de Abril de 1971 aos 79 anos de idade. Ester_Leao1
Corina Freire Corina Carlos Freire de seu nome completo nasceu em Silves a 14 de Dezembro de 1897. Cursou o Conservatório Nacional. Iniciou a sua actividade artística como cantora lírica e folclórica em recitais e festas. A sua estreia no teatro dá-se em 1927 com a revista «Rosas de Portugal», no Éden Teatro. De seguida aparece no Maria Vitória na revista «A Rambóia», onde canta uma linda canção, «Camélias de Sintra», que ficará na memória e na boca de todos os que assistiram à revista. A sua lindíssima voz e presença levam a que seja constantemente solicitada para os elencos de Revistas da época. Muito elegante, com um ar moderno, o cabelo curtíssimo colado á cabeça em pastas, era uma mulher luxuosa, apta ao uso de diamantes e plumas, com uma voz mais educada do que o comum revisteiro, a quem o sucesso foi fácil. A sua popularidade leva a que seja convidada em 1930 a protagonizar o filme português «A canção do Berço». Quase de seguida filma «A Dama que Ri». Em 1931 regressa à revista com um enorme êxito, ao lado de Beatriz Costa, na revista «O Mexilhão». Mais uma canção que ficará na história, a célebre canção «Teodoro não vás ao sonoro». Em 1935 participa num espectáculo em Paris intitulado «Parade du Monde» no Casino de Paris. O sucesso é tal que é eleita «o mais belo sorriso de Paris». De regresso a Portugal participa nas revistas «A Arca de Noé», «Feira da Alegria», «Chá de Parreira» entre muitas outras. Na década de quarenta retira-se da vida artística dedicando-se ao ensino de canto. Um de seus alunos seria o célebre cantor António Calvário. Faleceu em 1986. MNT 145339
cavalcanti-01 Alberto de Almeida Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro, a 6 de Fevereiro de 1897. Em 1908, Cavalcanti entrou para o Colégio Militar, saindo no quinto ano para a Faculdade de Direito da Escola Politécnica, onde travou conhecimento com o dramaturgo Roberto Gomes, que o influenciaria bastante. Foi nesse momento que nasceu o amor pelo Teatro, logo seguido do entusiasmo pelo Cinema. Mas eis que um incidente com o professor de Filosofia do Direito, Nerval de Gouveia, terminou numa greve dos alunos com repercussão por toda a cidade. O pai do rapaz achou conveniente mandá-lo para o exterior, até que tudo tivesse sido esquecido. Em 1914, Cavalcanti chegou à Suíça e se matriculou na escola Técnica de Friburgo, escolhendo o curso preparatório de Arquitectura. Ainda no mesmo ano foi aprovado no exame de admissão para a escola de Belas-Artes de Genebra. Diplomado, resolveu assistir às aulas de Deglane na escola de Belas-Artes de Paris, ouvindo depois as lições de estética de Victor Basch na Sorbonne. Em seguida, obteve emprego no escritório do urbanista Alfred Agache que, mais tarde, se ocuparia de projectos de modernização do Rio de Janeiro. Após ter trabalhado dois anos com Agache, transferiu-se para uma firma de decoração, a Compagnie des Arts Français. alberto-cavalcanti01 Passado algum tempo, tentou ser representante dessa e de outras empresas no Brasil, abrindo um escritório da Rua do Ouvidor. Projectou cenários para cineastas experimentais franceses na década de 20 e dirigiu seu primeiro filme em 1926. Em 1926, Cavalcanti estreou como director em Le Train sans Yeux. Os dois filmes subseqüentes, En Rade e Rien que les Heures, considerados uns dos mais importantes do movimento vanguardista, firmaram-lhe a reputação. Sucederam-se mais alguns trabalhos e, com o advento do cinema falado, foi contratado pela Paramount, fazendo em Saint-Maurice / Joinville, versões de filmes de Hollywood. Depois disso realizou comédias de boulevard para outras produtoras e alguns curtas-metragens. Nos anos trinta seus filmes mais conhecidos no Brasil foram a versão portuguesa do filme americano Sarah e seu Filho / Sarah and Son / 1930, exibida com o título de A Canção do Berço e O Tio da América / Le Truc du Brésilien / 1932. Mudou-se para a Inglaterra em 1934, fazendo documentários e, depois, filmes influenciados por documentários nos Estúdios Ealing. 070310cavalcanti718 Em 1949, retorna ao Brasil e ajuda a organizar a Companhia Cinematográfica Vera Cruz (em São Bernardo do Campo, SP), sendo convidado a tornar-se o produtor-geral da empresa. Em Novembro do mesmo ano, vai à Europa e contrata vários técnicos para virem trabalhar na companhia. Na volta, escreve e produz os dois primeiros filmes da empresa, "Caiçara" (1950) e "Terra É Sempre Terra" (1951), e produz, até o meio, "Ângela" (1951). Por causa de desentendimentos com Franco Zampari, Cavalcanti abandona a Vera Cruz em 1951. Fora dos estúdios de São Bernardo, dedica-se à elaboração de um anteprojecto para o Instituto Nacional de Cinema, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. Na Cinematográfica Maristela (em São Paulo), o cineasta dirige "Simão, o Caolho" (1952). No final do ano de 1952, Alberto Cavalcanti e mais um grupo de capitalistas compram a Maristela, a qual muda de nome para Kino Filmes e passa a ter como diretor-geral, Cavalcanti. Nesta nova empresa, ele realiza as obras "O Canto do Mar" (1953) - refilmagem, no Recife, do europeu "En Rade" (1927) - e "Mulher de Verdade" (1954), dois grandes fracassos. Por não ter como continuar pagando as prestações, a Kino é devolvida aos antigos proprietários em 1954. Com o fim da Kino, ele vai trabalhar na TV Record e depois estreia, no Brasil, como director teatral. Em Dezembro de 1954, Cavalcanti parte para a Europa, contratado por um estúdio austríaco. Morre em Paris a 23 de Agosto de 1982.  
ip10virginia Virgínia de castro e Almeida Nasceu em 1874 em Lisboa. De uma família de aristocratas, começou a escrever composições dramáticas aos 8 anos e, em 1895, iniciou a sua carreira de escritora, utilizando o pseudónimo Gy, com o livro Fada Tentadora, que foi considerado como obra pioneira da literatura infantil, em Portugal. Em 1907, dirigiu a colecção "Biblioteca para meus Filhos" para a Livraria Clássica Editora, na qual foram publicadas várias obras suas. Com o objectivo de instruir as crianças, de forma fácil e divertida, Virgínia Castro e Almeida publicou, nessa colecção, livros com noções científicas, como Céu Aberto (1907), Em Pleno Azul (1907), Pela Terra e pelo Ar (1911) e As Lições de André (1913). Preocupada com as questões da educação e da formação da mulher, a escritora publicou: Como Devo Governar a Minha Casa (1906) e Como Devemos Criar e Educar os Nossos Filhos (1908). A partir de 1918, viveu durante bastante tempo, em França e na Suíça, onde difundiu a literatura e a história portuguesas, traduzindo obras de escritores, como João de Barros, Garcia de Resende, Camões, entre outros. Para isso, publicou Les Grands Navigateurs et Colons Portugais du XVe et du XVIe siècle – Antologie des Ecrits de l'Epoque (1936-1938, obra em 5 volumes), Conquests and Discoveries of Henry the Navigator e Itinéraire Historique du Portugal (1940). Como tradutora, verteu para português obras de Dickens, Georges Sand, Marco Aurélio, Cervantes, entre outros. Foi a primeira mulher a ter um papel relevante na nossa história de cinema. Virgínia de Castro e Almeida, escritora de renome, fundou em 1922 a Fortuna Filmes. A primeira produção da Fortuna Filmes tem por título Sereia de Pedra e foi extraída do romance de sua autoria intitulado Obra do Demónio. Os Olhos da Alma, segunda produção da Fortuna Filmes, era também baseado num argumento de Virgínia de Castro e Almeida e a acção desenrola-se na Nazaré, local que foi assim descoberto para o cinema pela primeira vez. Este filme foi exibido em França, com grande sucesso, sob o título Les Yeux d´Ame, e a sua estreia teve lugar no Ciné Select no dia 11 de Dezembro de 1923. Durante o período que viveu no estrangeiro, apercebeu-se da inutilidade das noções científicas que tentou introduzir nos seus livros infantis, passando, então, a incentivar a criatividade e a imaginação através de História de Dona Redonda e da sua Gente (1942) e de Aventuras de Dona Redonda (1943). Em Genebra, enquanto desempenhou o cargo de delegada do governo salazarista na Sociedade das Nações, Virgínia de Castro e Almeida escreveu também, em colaboração com o Secretariado de Propaganda Nacional, pequenos livros de difusão histórica e de doutrinação dos valores e da visão do Estado Novo. Virgínia de Castro e Almeida faleceu no ano de 1945 em Lisboa.  
1 (2) Ilda stichini foi uma das nossas maiores actrizes de teatro da primeira metade do século XX. De descendência Italiana, Ilda nasceu em 1895 na cidade de Elvas. Apesar da oposição de seu pai, Ilda integra uma companhia de declamação que percorria na altura o Alentejo e o Algarve. É assim que com apenas 14 anos de idade, se estreia em Cuba do Alentejo na peça «João José». Mais tarde muda-se para Lisboa. É aí que se estreia profissionalmente no teatro, pelas mãos de Eduardo Brazão, que quando escreveu as suas memórias afirmou: «Regozijo-me de ter sido o seu primeiro guia no Teatro. Stichini é a nossa melhor ingénua». Em 1922 protagoniza o filme «O Centenário». A 27 de Março de 1924, Ilda teve na interpretação do papel principal da peça «Ingleses», do dramaturgo Lorjó Tavares, posição de relevo. O seu notável trabalho, ao lado de José Ricardo, mereceu os maiores elogios da crítica e do público, que a clamou durante os dois meses que a comédia esteve no cartaz do D. Maria. Participou em inúmeras peças, sempre alcançando enorme sucesso: «Os Fidalgos da Casa Mourisca», «Se eu quisesse», «Um Bragança», «Sonho da Madrugada», «Rainha Santa», «A Morgadinha de Valflor», «O Meu Amor é Traiçoeiro», entre muitas outras. 2 (2) Formou uma Companhia teatral com que viajou por toda a província apresentando as peças «Simone», «O Centenário» e Os «Mosquitos». Os actores da Companhia eram Luz Veloso, Rafael Marques, Gil Ferreira, Joaquim d' Oliveira, Luiz Filipe, Maria Carlos e Maria Emília. Artista de extraordinária intuição e de incontestável talento soube através de uma carreira brilhantíssima, afirmar bem alto o seu valor de comediante, o seu temperamento de declamadora exímia, as suas qualidades para a difícil arte a que tanto se dedicou. Foi cantora lírica, pois possuía uma voz lindíssima. Em meados de 1931, Ilda stichini planeando uma tournée à província, pediu a Vasco de Mendonça Alves que lhe escrevesse qualquer coisa para ela e para Alves da Costa. Mendonça Alves acedeu ao pedido e escreveu um diálogo, que intitulou «Os Gatos», e em que um rapaz e uma rapariga do povo, ele serralheiro, ela vendedora de figos, se encontravam em plena rua, num derriço mais ou menos felino. Ilda Stichini, depois de ouvir ler o diálogo, lamentou que ele não tivesse uma segunda parte; escrita a segunda parte, comentou que era pena que não tivesse terceira; Vasco Mendonça Alves escreveu terceiro diálogo – e os três diálogos acabaram por constituir os três actos de uma peça, não com o título de «Os Gatos», mas com o título de «Meu Amor é Traiçoeiro». A primeira representação da peça efectuou-se em Leiria em princípios de Dezembro e a 13 do mesmo mês, subiu á cena em Lisboa, no Capitólio, com assinalado êxito. 4 Certo dia, em finais dos anos trinta, a América tentou-a. Para lá partiu. Lá como cá, os êxitos não pararam e, em recitais oferecidos à colónia portuguesa, Ilda Stichini soube provar que a Arte não tem fronteiras. A morar na Califórnia, passou a exercer a profissão de professora de português, francês, espanhol e arte dramática numa Universidade de Hollywood. Não mais voltou a Portugal. Faleceu em Setembro de 1977. 3
Ema de Oliveira Ema da Conceição Oliveira, nasceu em 1891. Actriz de teatro, deu os primeiros passos na Companhia de Teatro Rafael de Oliveira do qual tinha parentesco.  Fez inúmeras revistas, tais como «O Novo Mundo» em 1916; «O Ás de Oiros» em 1917; «Pé de Dança» em 1921; «Vida Nova» em 1924; «Cabaz de Morangos» em 1926; «A Rambóia» em 1928 onde alcança grande sucesso ao cantar «As lavadeiras de Caneças» e «Chá de Parreira» em 1929 onde ao lado de Hortense Luz contracena como Travesti e criam o famoso número «Recrutas e Sopeiras»; «Feira da Luz» em 1930; «A Festa Brava» em 1933; «Na Ponta da Unha» em 1939; «Boa Nova» em 1942 entre muitas outras. No cinema participou no filme «Fado», ainda no tempo do cinema mudo, em 1923 e «Lisboa Crónica Anedótica» em 1930. Já no tempo do sonoro, surge nos filmes «João Ratão» em 1940, «Lobos da Serra» em 1942 e «A Menina da Rádio» em 1944. Foi casada com o actor Manuel dos Santos Carvalho. Faleceu em 1951. Ema Oliveira2
palmira ferreira O actor Duarte Silva, aliás Francisco Duarte Silva de seu nome completo, nasceu a 26 de Setembro de 1863. Estreou-se no teatro, em 1890, na revista «Sarilhos» de Esculápio. Seguiram-se inúmeras peças tais como: «A Ferro e Fogo»; «A Viúva-alegre»; «As Pupilas do Sr. Reitor»; «O País do Vinho» entre muitas outras. No cinema estreou-se em 1918 com o filme «As Aventuras de Frei Bonifácio». Seguiram-se os filmes: «A Rosa do Adro», «O Comissário de Polícia» e «O Mais Forte» todos de 1919; «Os Fidalgos da Casa Mourisca», «O Amor Fatal» e «Barbanegra» todos de 1920; «Quando o Amor Fala» de 1921; «As Mulheres da Beira» e «O Rei da Força» ambos de 1922; «Tempestades da Vida», «O Primo Basílio», «Lucros Ilícitos», Tragédia de Amor», «A Morgadinha de Val Flor», «As Pupilas do Sr. Reitor» e «Fado» todos de 1923 e despede-se das telas em 1924 com o filme «Tinoco em Bolandas». Morre a 18 de Julho de 1927. 20

ReporterX

Reinaldo Ferreira, conhecido pelo pseudónimo de Repórter X, nasceu em Lisboa, a 10 de Agosto de 1897 - Lisboa, foi um repórter, jornalista, dramaturgo e realizador de cinema português. Iniciou a sua carreira jornalística aos doze anos de idade e foi, desde os vinte até à sua morte, considerado o maior repórter português. Em 1926, instalou residência permanente no Porto. A grande aventura de Reinaldo Ferreira no cinema concretizou-se no Porto, em 1927, através da empresa Repórter X Film - graças ao financiamento que logrou do comerciante Joaquim Alves Barbosa. Adaptando para título a sigla que o celebrizara, Reinaldo Ferreira tinha como primordial projecto a produção, na ambição duma actividade contínua, que não obstante ficaria circunscrita a cinco distintas metragens. Desde logo sobressai O Táxi Nº 9297, com argumento e direcção de Reinaldo Ferreira, assistido por Pedro Santos e Maurice Laumann como responsável pela fotografia. A rodagem de interiores decorreu nos antigos estúdios da Invicta Film e os custos ascenderam a setenta e cinco contos. Embora alertando que não se trata dum “decalque da vida real”, pois recorreu à fantasia, Reinaldo Ferreira inspirou-se no misterioso assassinato da actriz Maria Alves, que apaixonara a opinião pública, até à surpreendente descoberta de que o homicida era o seu empresário e amante, Augusto Gomes. Este nefando evento teve a participação de Reinaldo Ferreira nas investigações, como profissional de imprensa e brilhante espírito detectivesco. Do material que recolheu, partiria para o guião de O Táxi Nº 9297... O então jovem compositor René Bohet propôs sonorizar o filme, através dum “fundo musical”, mas a aposta não vingou pelo receio de que não aliciasse os espectadores. Na sequência de O Táxi Nº 9297 Reinaldo Ferreira dirigiu, ainda em 1927, Rita ou Rito?..., com base em caso picaresco que, efectivamente, teria ocorrido em Aveiro. De qualquer forma, a acção é deslocada para uma suposta povoação, Rio Tinto Maduro - com humor, eficaz construção e hilariedade, através de encenação movimentada e ágil. Além destes dois filmes, e sempre em 1927, Reinaldo Ferreira dirigiu duas outras obras de ficção e um documentário, respectivamente Vigario Sport Club, Hipnotismo ao Domicílio e Entrevistas Cinematográficas com Escritores e Jornalistas de Lisboa. Um humor sarcástico, explorando moda social da época, e encenado sob o efeito de equívocos, por acções paralelas, é patente em Hipnotismo ao Domicílio - que teve como título previsto Almas do Outro Mundo -, rodado nos estúdios da Invicta Film, sob influência de Mack Sennett ou Harold Lloyd. Reinaldo Ferreira concebeu o argumento deste e de Vigário Sport Club, também designado Vigário Foot-Ball Club, uma paródia ao mundo do desporto-rei. Quanto às Entrevistas..., apresentavam o testemunho de Norberto Lopes, Rocha Martins e Norberto de Araújo. Aqui se encerrou a actividade fílmica de Reinaldo Ferreira, que acalentaria outros projectos. Mas viciado em morfina, com a saúde arruinada, faleceu em 4 de Outubro de 1935.

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