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Criticas ao filme «A Minha Noite de Núpcias»

 

«Até ao meio deste ano, Brasil e Portugal deverão assistir á exibição do último filme falado em português aqui feito, intitulado "Noite de Núpcias", versão do original americano "Her Wedding Night", veiculo que serviu para um dos últimos trabalhos de Clara Bow. Dick Blumenthal, um dos directores dos Estúdios da Paramount aqui, fez uma recente viagem a Lisboa a fim de contratar elementos para esta mesma versão á qual me referi e, quando de lá voltou trouxe, entre outras figuras de mérito Leopoldo Fróes, um dos príncipes do teatro brasileiro. Ele, no argumento, desempenhará o primeiro papel masculino, isto é, o de maior realce. Os outros elementos dos quais se compõe o elenco são: Beatriz Costa, Alberto Reis, famoso actor e cantor, Estevão Amarante, Amélia Seixas Pereira, Seixas Pereira, Maria Emília Rodrigues, Maria Sampaio, Ferreira da Costa, elementos do teatro português e mais os brasileiros Francisca Azevedo, Madame Janocopulos e Mário Marano.

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  O papel de Loulou, francesa cheia de nervos que só sabe amar ao som de objectos quebrados, é interpretado por Genéviéve Félix, artista que já residiu muito tempo em S. Paulo e até filhos brasileiros tem, um elemento conhecido do Cinema francês. Os demais papéis são interpretados por franceses e húngaros. Este mesmo assumpto, feito em 14 versões, teve, nesta, a direcção do alemão Emerich Emo, que em mim, representante de Cinearte, teve um fiel intérprete de suas ordens aos artistas e das perguntas desses a ele. Isto para os ensaios que sempre precediam as representações.

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 Noite de Núpcias, que a Paramount fez com o mais esmerado dos caprichos, é todo feito para alcançar mais sucesso do que os precedentes filmes também falados em português, "Canção do Berço" e "Mulher que Ri". O assumpto, género "vaudeville", aborda as, aventuras de um compositor musical celebre que para fugir às perseguições das admiradoras, a todo instante exigindo-lhe autógrafos, deixa em seu lugar o seu amigo Raul Laforte. Há uma complicação com a "estrela" de cinema Gilberta Aragão e daí para diante tudo se complica até que um final interessantíssimo vem terminar com os "qui pró quós" curiosos de que se compõe o filme.» Critica publicada na revista «CINEARTE» no Brasil  
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