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O argumento de «A Canção do Berço» - Parte III

 

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A primeira visita que Clara faz a Ashmore, resulta improfícua. O velho nega-lhe qualquer veracidade na palavra de Jim. Seu filho, sabia-o ela, devia estar crescidinho, meninote, mesmo. Mas não estava com ele e nem ele sabia nada disso. Desesperada, Clara procura o recurso extremo: um advogado. Ele resolveria o seu problema e tiraria o filho das mãos de Ashomre, se verdade fosse aquilo que Jim lhe havia dito. O advogado que ela procura é o Dr. Stanley, conhecido e proficiente jurisconsulto e, infelizmente para ela, advogado justamente do industrial Ashmore que ela queria processar. Desesperada, sem mais recursos, explica ela toda a sua situação de desespero ao Dr. Stanley e ele, sob sua palavra, lhe diz que tem a plena certeza de que o filho do casal Ashmore é deles, realmente, pois sempre acompanhara a vida de ambos e jamais haviam tido segredos para com ele. Suavizada, em parte, pelas declarações que lhe presta Stanley, Clara retira-se e, para melhor esquecer o seu infeliz passado e a eterna agonia da procura do filho, dedica-se com alma aos estudos musicais, até conseguir, depois de muita peripécia e esforço, um lugar saliente na ópera de Berlim. Artista célebre, em pouco tempo, Clara faz-se de viagem para os Estados Unidos, novamente e, sempre se lembrando do filho, torna a procurar o Dr. Stanley. Ele não a reconhece.

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  O episódio da criança dos Ashmore é que o põe ciente de quem se tratava. Não querendo acreditar, ainda, ele deixa-se engolfar pela impressão forte que lhe causa Clara, lindíssima, como nunca pensara que ela conseguisse ser e, saindo disso, continua a convence-la da quase inutilidade dos seus esforços. Clara, ali, tem, agora, outra recepção e outra atenção. Modificada, completamente, é uma mulher chique, cheia de fortuna e capaz de converter em admirador, qualquer homem, por mais sisudo que ele seja. A conversa recai sobre o filho dos Ashmore e como ela percebe claramente, que Stanley fora iludido pelo cunhado, ela lhe diz que a deixe falar com o pequeno e que, depois disso, dirá se é ou não o seu filho desaparecido. Um sinal que ele tinha seria o suficiente para provar o quanto ela dizia. Satisfeita a sua vontade, graças á intervenção de Stanley, já mais do que simples advogado dando conselhos úteis a uma cliente, consegue ela que os Ashmore lhe mandem o filhinho para um encontro. Madame Ashmore, entretanto, faz vestir o filho da cozinheira, um garoto mudo, da mesma idade de Bobby com as roupas dele e ela própria leva-o á presença de Clara. Desorientada, ela pede-lhe desculpas. Reconhece que o filho não é seu, Madame Ashmore é que se desculpa: - "Era por causa disso que tinha vergonha de lhe mostrar o pequeno..." E Clara ainda sente pena daquela " pobre" mãe. . . É na casa de Stanley que o primeiro encontro entre mãe e filho tinha que se dar. Ela, convidada por Stanley resolvera aceitar o convite para passar uma tarde na sua casa de campo. Stanley já a amava profundamente e ela também correspondia a esse puro afecto daquele distintíssimo cavalheiro. Bobby, por sua vez, ali se achava por ter discutido com seus pais e, genioso, correra para a casa do tio a fim de se vingar da hostilidade que lhe movera a mãe. Na lancha, á beira do rio, encontra-se ela com o garoto e é por este, convidada para um passeio. Aceita, sem saber que ele é seu próprio filho. Numa curva perigosa, a lancha tomba ao rio e ela, quase com sacrifício de sua vida, salva-se e salva ao pequeno. Ele, abatido, é acometido de uma violenta febre e, delirando, reclama por sua mãe. Defronte ao leito, Stanley compreende que Bobby é filho de Clara. Não podia haver duvida. E ele convida delicadamente Madame Ashmore a renunciar ao seu desejo cruel de separa-los. Ela aceita e o marido também. Com as melhoras de Bobby, Clara pode entregar- se com mais felicidade ao amor dedicado que lhe oferece Stanley. Era felicidade dupla. Encontrara seu filho e, ao mesmo tempo, o marido perfeito para seu coração amoroso. 3
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