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Roger Lion

Roger Lino Roger Lion, aliás Roger Juda de seu nome verdadeiro nasceu em Troyes, França em 27 de Setembro de 1882. Foi o fundador em França (1917 - 1918) da Société des Auteurs de Films, tesoureiro e secretário do Conselho Directivo da mesma organização desde 1919 até à sua morte, membro da Société des Auteurs et des Gens de Lettres e da Société des Auteurs Dramatiques. O primeiro trabalho realizado por Roger Lion foi L'Agence Cacahouète (1912). Lion é convidado a trabalhar em Portugal por uma portuguesa que reside em França chamada Virgínia de Castro e Almeida. Virgínia contrata então o realizador Roger Lion, que já tinha no seu currículo mais de uma dezena de filmes. Com ele são contratados dois operadores, um que vinha da importante firma Eclair, Daniel Quintin, e o outro, Marcel Bizot, que tinha trabalhado nos serviços cinematográficos do exército francês durante a 1ª Grande Guerra. Virgínia justifica deste modo a sua decisão: «Os filmes portugueses até agora produzidos não são perfeitos. Por vezes a acção é arrastada, o entrecho banal para as grandes plateias, acostumadas a ter sob os olhos beleza e arte, ouvindo uma música feita expressamente para o que estão vendo». Com Lion veio ainda a sua própria mulher, actriz profissional, e um outro actor, já com nome feito, Max Maxudian. O primeiro filme produzido pela nova empresa é A Sereia de Pedra, uma adaptação feita pelo advogado madeirense Alberto Jardim de um conto escrito pela própria Virgínia Almeida, intitulado a Obra do Demónio. O melodrama estreia em Paris no Cinéma Artistique e um crítico francês do Cinémagazine comenta: «A novidade e a originalidade empolgantes e aliciantes do assunto e das imagens, a perfeição de toda a realização suscitaram com efeito vivo interesse e e proporcionaram aos actores e aos seus intérpretes o mais franco dos sucessos». Em Lisboa, o filme é apresentado a 4 de Abril no cinema Olympia. Arthur Duarte – O Miguel no filme – desempenha na Fortuna Films o papel de assistente-geral. O gerente é José de Castro e Almeida, filho da afrancesada Dona Virgínia, que resolve escrever outra história para a tela: Os Olhos da Alma. Lion prossegue em Portugal a sua carreira trabalhando para a recém-formada produtora Pátria Film, de Raul Lopes Freire e de Henrique Alegria, que deixa a Invicta Film em 1922. Para esta nova firma Lion filma as "Aventuras de Agapito, Fotografia Comprometedora", com argumento do conterrâneo e colega Maurice Mariaud. Também a Pátria Film não sobreviverá após a conclusão desta obra. Roger Lion realiza entretanto em Portugal A Fonte dos Amores (1924), filme francês adaptado de um romance da escritora Gabrielle Reval e rodado em Coimbra. Reval viveu nesta cidade entre 1922 e 1923. Lion regressa a França nesse mesmo ano e retoma logo de seguida a actividade de realizador no seu país: J'ai tué! (1924). Depois de voltar a França fez documentários, comédias e filmes musicais. Era casado com a actriz francesa Gil Clary. Manteve-se activo até 1933 e morreu no ano seguinte com uma infecção dos intestinos. Morreu em Paris a 27 de Novembro de 1934.
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