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Maria Júdice da Costa

34 Maria Barbara Júdice da Costa nasceu em Lisboa a 12 de Junho de 1870. Era filha do Conselheiro António Júdice da Costa, de Setúbal e de uma senhora algarvia. Desde jovem começou a mostrar uma decidida vocação teatral. Mas vai ser na música e em particular no canto, que conhecerá toda a glória de intérprete. Maria Júdice da Costa começa o seu ensino musical e artístico aos nove anos no conservatório nacional, com a ideia de tirar o curso de piano. Mas um de seus professores apercebendo-se dos seus dotes vocais, convence-a a estudar canto. Assim durante dez anos estuda no conservatório não apenas canto, mas também aulas de declamação com o actor João Rosa. A sua estreia oficial dá-se a 31 de Janeiro de 1890 no Teatro S. Carlos na ópera «La Gioconda», embora um ano antes já tivesse aparecido a 12 de Abril de 1888 num espectáculo a favor das vitimas do incêndio do Teatro Baquet, do porto, que deflagrara a 20 de Março e causara a morte de 120 espectadores. Em Junho de 1890 parte para Itália onde dará início a uma longa carreira internacional. Fez assim uma carreira brilhante actuando em Roma, Nápoles seguindo-se as cidades de Moscovo, México, Madrid, Buenos Aires, Amesterdão, Málaga, Trieste, numa carreira apenas interrompida para ter os três filhos. 36   Foi mãe da actriz de cinema Brunilde Júdice, nascida em Milão. A sua carreira levou-a várias vezes a Madrid, Barcelona, Palma de Maiorca e esteve em Portugal no Coliseu dos Recreios, em 1906, durante dois meses, novamente em 1910 e 1913. Mas se é verdade que Maria Júdice da Costa foi grande no teatro lírico, também não é menos verdadeiro que ela foi enorme no teatro dramático, onde se estreou a 30 de Julho de 1921 com a peça «Os sedutores» integrada na companhia de Amélia Rey-Colaço-Robles Monteiro. Ainda nesse ano estreia-se no cinema com os filmes “Amor de Perdição” de Georges Pallu e “Mulheres da Beira” de Rino Lupo. No ano seguinte junto com a sua filha Brunilde, Maria Júdice da Costa acabaria por embarcar para o Brasil integrada no elenco do espectáculo “A Casaca Encarnada” de Vitorino Braga, produzido pela companhia de Lucinda Simões, onde conquistou uma enorme legião de admiradores, tendo ficado por lá durante um largo período após a digressão daquela peça. Em 1927 regressa a Portugal voltando ao cinema com o filme “Fátima Milagrosa” de Rino Lupo e ao teatro substituindo Palmira Bastos numa opereta do teatro da Trindade. Em 1933 regressa ao teatro lírico interpretando zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro São Carlos – que era afinal o seu verdadeiro universo artístico.

40Aos sessenta e três anos Maria Júdice da Costa abandonou de vez os palcos, depois de uma breve aparição no Teatro D. Maria II, no carnaval de 1938, na zarzuela “La Verbena de la Paloma” de Ricardo de la Vega, dedicando-se então ao ensino da música. Anos depois, retirou-se para Milão, onde foi aceite como pensionista na Casa de Repouso para Músicos fundada por Verdi. Mas, com a guerra, ela regressaria definitivamente a Portugal, onde o público a recordava fundamentalmente da sua brilhante participação nos espectáculos “A Grã Duquesa” de Offenbach e “Joana a Doida” de Manuel Tamayo y Baus. Viveu até aos noventa anos com a sua filha Brunilde Júdice, deixando-nos serenamente na noite de 16 de maio de 1960. Entre os papéis que a celebrizaram contam-se o de "Fedora", Amnerisna "Aida".

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