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Eduardo Brazão

 

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Eduardo Joaquim Brazão de seu nome completo, nasceu em Lisboa, a 06 de Fevereiro de 1851. Na escola, foi colega do ator Augusto Rosa com quem brincava aos teatros. Enveredou, primeiro, por uma carreira na Marinha, mas rapidamente compreendeu que a sua verdadeira vocação era representar. Estreou-se, em 1867, numa companhia gerida por César de Lima, no Teatro Baquet do Porto, “fazendo um galã nos Trapeiros de Lisboa de Leite Bastos, e um criado numa comédia em um acto traduzida do francês: Precisa-se dum preceptor”. Do Porto veio para Lisboa, ainda em 1867, participou do elenco de Dois anjos de Dumas, no Teatro do Príncipe Real, e, a convite de Francisco Palha, integrou a companhia que inaugurou o Teatro da Trindade, a 30 de novembro de 1867, com os espetáculos A mãe dos pobres, de Ernesto Biester, e O xerez da Viscondessa. Brazão evidenciou-se como “Daniel”, numa adaptação de Ernesto Biester d’As pupilas do Senhor Reitor, e como Príncipe Saphir, na ópera cómica O Barba-Azul, de Offenbach, em 1868. Esta companhia passou depois para o D. Maria II e em 1870 Brazão foi contratado por Furtado Coelho para realizar aquela que foi a sua primeira digressão ao Brasil. No seu regresso a Portugal, em 1871, assinou contrato com a Empresa Santos & Cª por dois anos, desempenhando galãs em Bastardo e em Pedro, o Ruivo, bem como papéis de comédia em vários espetáculos, entre os quais se destaca a sua prestação em Fura-Vidas. Aquando da morte da sua mãe, Eduardo Brazão ficou responsável pelos seus sete irmãos, todos mais novos, visto que o seu pai havia falecido anos antes. Esta enorme responsabilidade – com implicações financeiras também – levou-o a fazer uma nova digressão pelo Brasil, em setembro de 1876, com Joaquim de Almeida, integrando a companhia de Isménia dos Santos. Estas digressões internacionais, bem como digressões pela província, repetiram-se várias vezes até 1921, ano da sua última visita ao Brasil. A 16 de Agosto de 1880 foi aberto um concurso para exploração do Teatro Nacional de D. Maria II. Foi então criada a Sociedade de Artistas Dramáticos, composta por Eduardo Brazão, João Rosa, Augusto Rosa, Virgínia e Rosa Damasceno, com quem veio a casar, Pinto de Campos, Emília dos Anjos, Emília Cândida e Joaquim de Almeida. Unidos, para fazerem face às pesadas exigência governamentais, conseguiram ganhar a exploração do teatro e a 30 de Outubro representou-se A Estrangeira de Dumas Filho. Em Dezembro de 1881, a Sociedade acrescenta ao seu elenco a veterana Gertrudes Rita da Silva e Amélia da Silveira. Em 1882, com a pretensão do Governo abrir novo concurso, a Sociedade consegue continuar na exploração do teatro por mais seis anos. Contudo, a Sociedade veio a dissolver-se por desentendimentos internos e em 1893 constitui-se a firma Rosas & Brazão, que explorou o Teatro Nacional de 1893 a 1898. João e Augusto Rosa e Eduardo Brazão passam a ser os únicos sócios.

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Em 1898, a companhia deixa o Teatro Nacional para passar a explorar o Teatro D.Amélia. Desentendimentos internos levam a que Eduardo Brazão deixe o D.Amélia e se volte a apresentar em 1905 no Teatro Nacional onde permanecerá até 1910. É de destacar a sua representação, em 1906, da peça Alfonso de Albuquerque de Lopes de Mendonça. Veio ainda a representar no Teatro do Principe Real para voltar mais tarde a integrar novamente o elenco do Teatro D.Amélia. Diagnosticado com um cancro na laringe em 1917, do qual recuperou, Eduardo Brazão passou por vários palcos entre 1917 e 1923: Ginásio (1918-19); Avenida (1919); Teatro Nacional D.Maria II (1922); Teatro Apolo (1923). O afastamento dos palcos, por motivos de doença, levou à sua última representação no dia 20 de Novembro de 1924, no Teatro S.Carlos, na peça Manhã de Sol, dos irmãos Quintero, onde contracenou com Lucinda Simões. Eduardo Brazão assinou algumas traduções para teatro e foi ator em filmes como Rainha depois de morta (1911), realizado por Júlio Costa, a versão muda de As pupilas do Senhor Reitor e O fado (1922), ambos de M. Mariaud, e Os olhos da alma (1923), realizado por R. Lion. Faleceu em Lisboa a 29 de maio de 1925.

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