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Observações sobre «Maria do Mar»

6 "Foi a partir das obsessivas imagens de "Nazaré" - certamente - das mais obsessivas de todo o cinema português - que Leitão de Barros", crescentemente influenciado pelo cinema soviético (e obras de Pudovkine ou Eisenstein de menor conteúdo propagandístico) e que conhecera melhor numa viagem ao estrangeiro em 1929, empreendeu o "documentário romanceado" "Maria do Mar", estreado em 1930 e que foi unanimemente considerado o maior acontecimento havido até então no cinema português. Se a "parte romanceada" (particularmente aquela em que Barros recorreu a dois "monstros sagrados" do teatro português, como Adelina Abranches (1866-1954) e Alves da Cunha (1889-1956) desequilibra um pouco o conjunto, volta a afirmar-se a suprema maestria de Barros na captação da realidade humana dos pescadores da Nazaré.   (...) "Maria do Mar" (como "Nazaré") é sobretudo um soberbo fresco, onde o cinema português grava pela primeira vez uma tipologia humana dramática e por vezes trágica, com uma força telúrica esmagadora." João Bénard da Costa, Histórias do Cinema Português. "É um dos exemplos mais conseguidos, à época em que foi feito, de abordagem documental de uma ficção dramática e lírica, utilizando quer a ficção quer o documentário para criar um microcosmos, onde explodem, sem peias argumentativas, as grandes paixões do homem. Conseguiu-o através de uma encenação que é uma das sínteses mais poderosas e singulares do realismo expressivo germânico, do conceptualismo soviético e do cultismo representativo americano." João Bénard da Costa, Maria do Mar, Catálogo da Cinemateca Portuguesa.

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