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A década das co-produções com Espanha

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Durante os anos quarenta, Espanha e Portugal manterão uma série de contactos políticos e económicos que virão romper com a tradicional apatia que caracterizava as suas relações diplomáticas. As causas desta união são bastantes perceptíveis: ambos os países possuem uma cultura similar, e por sua vez são governados por uma ditadura que se manterá neutra perante um conflito mundial. Perante esta situação, decidem estreitar a sua amizade e suas relações comerciais. Estas conexões, no entanto, abrangem desde a alta diplomacia até a produtos de primeira necessidade, não sendo alheia a esta frutífera amizade a indústria cinematográfica. Porque será precisamente nesta altura que se realizará o maior número de co-produções luso-espanholas? Porque haverá nesta ocasião um intercâmbio constante de artistas e técnicos? Embora a Europa inteira estivesse em guerra com o irrompimento da 2ª Guerra Mundial, Espanha e Portugal declaram-se neutras perante o conflito.

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Posteriormente, Salazar e Franco assinariam um tratado de não-agressão e de amizade em 17 de Março de 1939. Este pacto foi o ponto de partida da transformação das relações de ambos os países, historicamente indiferentes e apáticas, em uma colaboração e amizade quase obrigatória, perante a aparente neutralidade da Península Ibérica. Os sucessos da linha central e os sentimentos germanófilos de alguns políticos fizeram com que Espanha saísse da neutralidade em Junho de 1940. Em consequência disso, o Embaixador Teotónio Pereira, a 29 de Junho de 1940, promove a assinatura de um protocolo adicional que rectificasse a amizade da Península Ibérica tranquilizando assim os portugueses. Quando os EUA entram na guerra em Dezembro de 1941, a Espanha adquire um papel mais moderado no seu posicionamento estratégico. Neste momento, uma aliança com Portugal, aliado histórico de Inglaterra, é fundamental para assegurar a continuidade da não agressividade entre ambos os Países. Neste momento, as relações cinematográficas entre ambos os Países multiplicam-se, começando assim uma política de colaboração, que vai levar ao início de inúmeras co-produções, embora seja digno de nota, que as relações cinematográficas entre ambos os Países já tivesse iniciado antes da guerra, no entanto foi durante e no após guerra que ela se vai intensificar. (Artigo baseado na obra de Isabel Sempere)

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