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«Os Olhos da Alma» marca o regresso de Roger Lion ao cinema português

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Após a «Sereia de Pedra», a Fortuna Films produziu, ainda em 1923, «Os Olhos da Alma», baseado numa outra obra de Virgínia de Castro e Almeida, novamente com a realização de Roger Lion. Em causa, a exploração de um tema definido pela própria escritora: «O homem, tornado presa das suas paixões, decide refugiar-se na floresta, densa, donde a cada passo sai coberto de sangue». A rodagem decorreu na Nazaré, em Alcobaça, Batalha e Lisboa, com um orçamento de seiscentos contos, sendo protagonistas: Gil Clary (Isolda), Maria Emília Castelo Branco (Rosária), Eduardo Brazão (Dionísio, o moleiro), Charles Maxudian (Diogo Sousa), João Lopes (Rodrigo de Meneses) entre outros. Numa comunidade da orla costeira sobressaem dois clãs – um pequeno mas influente, formado pelos proprietários dos barcos, que a família Sousa Lidera; outro maior, mas de baixos recursos, os pescadores cujas traineiras saem incansavelmente para o mar. Ambicioso e sem escrúpulos, Diogo Sousa provoca uma revolta, refugiando-se em casa do amigo Rodrigo de Meneses. Atraído pela sua filha Isolda, Diogo usa um terrível segredo – que Rodrigo lhe revelou, pouco antes de morrer – para forçá-la ao casamento. Ora, os acontecimentos precipitam-se, pondo Diogo em fuga. Apaixonada por um primo, Álvaro, Isolda viverá, porém, sempre atormentada pela ameaça de Diogo. O filme teve distribuição da Companhia Cinematográfica de Portugal, «Os Olhos da Alma», foi apresentado em Lisboa, no Tivoli, a 30 de Março de 1925, e no Porto a 13 de Maio do mesmo ano.

 
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