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Arquivo de April 2014

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A equipa Técnica do filme «João Ratão»

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Na longa lista dos colaboradores diretos da obra estão incluídos Aquilino Mendes, que soube servir o filme com excelente fotografia, mormente nos lindíssimos exteriores do Vale do Vouga, onde grande parte da ação decorria; António Melo e Jaime Silva Filho, autores da música; o arquiteto Raul Faria da Fonseca, responsável pelas construções para o filme, entre as quais se destacavam, pela sua amplitude, uma aldeia beirã, erigida em locais anexos aos estúdios da Tobis Portuguesa, em cujo estúdio o filme se realizou; Arthur Duarte como Diretor de cena; Fernando Garcia, assistente de realização; Antero Faro, assistente geral e como caraterizadores, Fernando Barros e António Vilar.

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«João Ratão» a segunda realização de Brum do Canto

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«João Ratão» foi levado à tela por Fernando Fragoso, especialista no difícil e importantíssimo sector da adaptação cinematográfica, e pelo próprio realizador, Jorge Brum do Canto, que foram, assim, os autores da adaptação cinematográfica, os quais se viram forçados a alterar sensivelmente o esquema da peça por forma a torná-la convenientemente cinematográfica, embora com a preocupação naturalíssima de manterem, tanto quanto possível, o entrecho de «vaudeville» e, sempre, o espirito da obra teatral donde provinha. «João Ratão» apresenta-se como o segundo trabalho diretivo de Jorge Brum do Canto. 1017
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«João Ratão» o primeiro filme da década de 40

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O ano de 1940 apresenta no seu ativo três produções - «Feitiço do Império», «João Ratão» e «Pão Nosso». «João Ratão», a peça célebre da parceria de João Bastos, Ernesto Rodrigues e Félix Bermudes, e que tinha sido um dos mais extraordinários êxitos do teatro musicado vinte anos antes, interpretada pelo grande Estevão Amarante e levada à cena pela primeira vez no teatro Avenida, em Lisboa, a 23 de Janeiro de 1920, andara durante muito tempo, como é compreensível, nos planos da produção portuguesa, mas é só neste ano que tem finalmente a sua transposição cinematográfica.

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A década das co-produções com Espanha

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Durante os anos quarenta, Espanha e Portugal manterão uma série de contactos políticos e económicos que virão romper com a tradicional apatia que caracterizava as suas relações diplomáticas. As causas desta união são bastantes perceptíveis: ambos os países possuem uma cultura similar, e por sua vez são governados por uma ditadura que se manterá neutra perante um conflito mundial. Perante esta situação, decidem estreitar a sua amizade e suas relações comerciais. Estas conexões, no entanto, abrangem desde a alta diplomacia até a produtos de primeira necessidade, não sendo alheia a esta frutífera amizade a indústria cinematográfica. Porque será precisamente nesta altura que se realizará o maior número de co-produções luso-espanholas? Porque haverá nesta ocasião um intercâmbio constante de artistas e técnicos? Embora a Europa inteira estivesse em guerra com o irrompimento da 2ª Guerra Mundial, Espanha e Portugal declaram-se neutras perante o conflito.

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Posteriormente, Salazar e Franco assinariam um tratado de não-agressão e de amizade em 17 de Março de 1939. Este pacto foi o ponto de partida da transformação das relações de ambos os países, historicamente indiferentes e apáticas, em uma colaboração e amizade quase obrigatória, perante a aparente neutralidade da Península Ibérica. Os sucessos da linha central e os sentimentos germanófilos de alguns políticos fizeram com que Espanha saísse da neutralidade em Junho de 1940. Em consequência disso, o Embaixador Teotónio Pereira, a 29 de Junho de 1940, promove a assinatura de um protocolo adicional que rectificasse a amizade da Península Ibérica tranquilizando assim os portugueses. Quando os EUA entram na guerra em Dezembro de 1941, a Espanha adquire um papel mais moderado no seu posicionamento estratégico. Neste momento, uma aliança com Portugal, aliado histórico de Inglaterra, é fundamental para assegurar a continuidade da não agressividade entre ambos os Países. Neste momento, as relações cinematográficas entre ambos os Países multiplicam-se, começando assim uma política de colaboração, que vai levar ao início de inúmeras co-produções, embora seja digno de nota, que as relações cinematográficas entre ambos os Países já tivesse iniciado antes da guerra, no entanto foi durante e no após guerra que ela se vai intensificar. (Artigo baseado na obra de Isabel Sempere)

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A década de 40 – 3ª parte

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Esta é também a década das co-produções com Espanha e com o Brasil, o que leva alguns actores portugueses a irem para lá para filmarem, e actores espanhóis a virem de lá para cá. E é precisamente com uma produção brasileira, "Vendaval Maravilhoso" que a década se fecha, o filme é um autêntico fracasso tanto no nosso país como no Brasil, e assinala o início da decadência do nosso cinema.

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A década de 40 – 2ª parte

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Como não existia em Portugal actores de raiz de cinema, tinha que se ir buscar ao teatro os grandes actores de então, que acabam por trazer para o cinema a sua condição teatral. Mas, a partir de meados desta década começam a surgir os primeiros actores que não vinham do teatro, mas que eram escolhidos por concurso para entrarem no mundo do cinema, era o caso de Virgílio Teixeira, Milú, Leonor Maia, António Vilar, Julieta Castelo, Maria Eugénia, Fernando Curado Ribeiro, etc... Esta é a década das grandes produções históricas como Camões, Inês de Castro ou Vendaval Maravilhoso. É a década do surgimento de Amália Rodrigues no cinema, e o curioso é que são precisamente os seus filmes os que mais sucesso irão fazer.

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A década de 40 - 1ª parte

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Depois de uma década de ouro para o nosso cinema, na década de quarenta vai-se explorar até ao limite os géneros que tinham feito sucesso na década anterior. As produções de António Lopes Ribeiro vão apostar na comédia à portuguesa, bem como Arthur Duarte; Leitão de Barros vai apostar nas produções históricas; Henrique de Campos no filme rural e por aí adiante. O sucesso dos filmes deve-se muitas vezes aos grandes actores do teatro de então: António Silva, Vasco Santana, Teresa Gomes, Ribeirinho, Maria Matos, Lucília Simões, Maria das Neves, Erico Braga, entre muitos outros. Numa altura em que a Europa estava envolvida na 2ª Guerra Mundial, que Portugal vivia um período de racionamento de alimentos, o cinema era considerado como a grande distracção do povo. laura1254
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O elenco do filme «Gado Bravo»

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Por sua vez o elenco do filme incluía os nomes de Nita Brandão e Raul de Carvalho nos protagonistas; Olly Gebauer no papel de uma actriz estrangeira que visita Portugal em companhia de um secretário que Siegfried Arno personifica, e Arthur Duarte, Alberto Reis, Armando Machado e Mariana Alves, que voltava ao cinema depois da sua curta mas expressiva aparição em «A Severa». A distribuição ara a seguinte: Raul de Carvalho - Manuel Garrido; Nita Brandão – Branca; Olly Gebauer – Nina; Arthur Duarte - Artur ; Siegfried Arno – Jackson; Armando Machado – Joaquim; Mariana Alves – Mariana; Alberto Reis – Pascoal e ainda: José Santos; Rui Gastão da Silveira. Realização - António Lopes Ribeiro; Produção - Bloco H da Costa; Director de Fotografia - Heinrich Gartner; Som - F. Bermaldez e Luís Verol Frazão; Música - Luís de Freitas Branco.

 

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A equipa técnica do filme «Gado Bravo»

 

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António Lopes Ribeiro, Jornalista e crítico de cinema do maior prestígio, assistente de Leitão de Barros nos filmes «Lisboa» e «Maria do Mar», e também autor da planificação deste último, tendo dirigido já o documentário «Bailando ao Sol», bem como as cenas passadas em Portugal do filme alemão «Fraulein Lausbud», é o técnico escolhido para dirigir «Gado Bravo», sob a supervisão de Max Nosseck. Da equipa técnica fazem parte, ainda, Arthur Duarte, como assistente-geral, Júlio Vicente Ribeiro, como primeiro-assistente, António Vilar, que ocupava então, o modesto lugar de segundo-assistente e Francisco Correia de Matos Júnior, desempenhando as funções de director de produção. Colaboradores directos do operador Heinrich Gaertner encontram-se Manuel Luís Vieira e José Nunes da Neves.

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A preparação do filme «Gado Bravo» - Parte III

  O primeiro a chegar, a 16 de maio de1933, é Max Nosseck na companhia de sua mulher, a actriz Olly Gebauer, que fora três anos antes Miss Viena e que aparecera já em vários filmes alemães. Uma semana depois davam entrada no nosso porto, a bordo do Croix, Nita Brandão – uma jovem portuguesa que em Paris aparecera já em pequenos papeis nos filmes da Paramount e que vinha a Portugal para interpretar o principal papel feminino do filme do Bloco H. da Costa -, bem como Herbert Lippschitz. Em datas sucessivas, e a seguir, vêm juntar-se Heinrich Gaertner e o cómico Siegfried Arno, que gozava, nessa altura, de grande popularidade na Europa e que o público português muito apreciava, pois vários filmes em que aparecia tinham passado nas nossa telas. «Gado Bravo» é o titulo do filme, que seria um hino visual erguido em louvor da terra portuguesa, personificada por uma de suas mais típicas províncias – a do Ribatejo – contando-nos a história dum homem que vive preso à terra e em quem a graça estrangeira duns cabelos louros provoca uma fatal perturbação.

 

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