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Cinema Sonoro

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A preparação de «A Severa»

12 A 6 de Agosto de 1930, no final de uma reunião convocada pela Sociedade Universal de Superfilmes, levada a cabo nos seus escritórios da Avenida da Liberdade, é revelada a sensacional noticia: vai-se produzir o primeiro filme genuinamente português: «A Severa». É Leitão de Barros, com o seu espirito sempre alerta, o seu extraordinário poder de organização e invulgar sentido de espectáculo, quem, uma vez mais, e depois do seu excelente filme «Maria do Mar» e do curioso «Lisboa», lança mãos a este empreendimento de tão grande vulto e tão decisivo significado no nascimento da nossa indústria do fonocinema – a realização de «A Severa», segundo a obra celebrada de Júlio Dantas. Nessa tarde memorável, depois de o gerente da S.U.S., o escritor Álvaro Lima, haver referido á imprensa e demais entidades presentes o propósito em que aquela empresa distribuidora se achava de levar a efeito um largo plano de produção de «filmes falados e cantados», Leitão de Barros, director de produção daquela firma, após proferir judiciosas e pertinentes afirmações sobre as possibilidades e as vantagens da existência de uma produção nacional, faz larga exposição sobre o plano de trabalho encarado para a realização do primeiro fonofilme português. 36 Os propósitos iniciais da S.U.S. e os desejos pessoais de Leitão de Barros convergiam, como não podia deixar de ser, no sentido de o filme se realizar inteiramente em Portugal. No entanto, a construção de um estúdio de cinema adaptado ao sonoro estava ainda longe de ter viabilidade e a urgência daquela iniciativa não se compadecia de delongas ou incertezas.  E, por isso, houve que estabelecer o critério de todos os exteriores – que eram, aliás, em grande número – serem realizados no nosso país, enquanto os interiores teriam de ser filmados em França, nos estúdios da TOBIS, em Épinay, nos arredores de Paris. Os elementos responsáveis portugueses, procurando rodear-se, como é compreensível, do maior número de factores de segurança, e mercê da interferência dum compatriota nosso, o agente de filmes H. da Costa, confiaram a René Clair, que acabava de alcançar com o seu inesquecível «Sob os Telhados de Paris» uma justa consagração, a supervisão do argumento. 45 E, assim, aquele já então famoso realizador francês, o técnico Bernard Brunius, que viria a acompanhar em Portugal grande parte da produção, precisamente até ao momento de ter sido forçado a ausentar-se do país, por virtude dum artigo infeliz, de sua autoria, publicado no «KINO», e Leitão de Barros, trabalham durante todo o mês de Setembro desse ano, na residência de vilegiatura que René Clair possuía em Saint-Tropez, no sul de França, na planificação e na preparação do filme. 49
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As canções de «A Severa»

2 Continuando a falar do primeiro filme sonoro português, agora destacámos o seu valor musical. Em cima pode-se ver o cartaz que anunciava a partitura musical do filme. Embora a grande maioria das músicas por si só demonstrassem uma inigualável qualidade, é graças à colaboração de Frederico de Freitas, que com o seu génio artístico, tornou possível que as melodias do filme perdurassem por muito tempo nas bocas e ouvidos de todo o Portugal. Entre as várias músicas destacam-se: "O Fado da Severa", cantado por Dina Teresa;"O Solidó do Timpanas Boleeiro", cantado por Silvestre Alegrim; "O Vira", cantado por D. Paradela de Oliveira; "Arraial de Santo António", cantado por Mariana Alves e "O Fado da Espera de Toiros" que Dina Teresa também cantava. Salienta-se o facto que todas as canções tinham versos de Júlio Dantas. 3
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O argumento de «A Severa»

20 Argumento: A história da famosa cigana Severa e de seus amores por um jovem cavaleiro e fidalgo, D. João Conde de Marialva. O problema é que este está dividido entre a Severa e uma rapariga de sangue azul. Baseado na obra de Júlio Dantas onde ressaltam os costumes populares e a sociedade de 1848. 44
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«A Severa» o primeiro fonofilme genuinamente português

 

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No entanto e apesar do êxito destes filmes, a grande expectativa na altura era a realização de um filme genuinamente português. “A Severa" foi na realidade o primeiro Fonofilme genuinamente português, que Leitão de Barros realizou com habilidade e talento colocando a nossa técnica Cinematográfica num nível mais ou menos relativo ao do estrangeiro, onde o Cinema sempre singrou desanuviado. Para primeira fita falada, o fado não podia estar ausente, por isso Leitão de Barros decide transpor para a tela o célebre romance de Júlio Dantas sobre os amores de uma cigana, a severa, por um fidalgo, o conde de Marialva. Por isso o próprio Júlio Dantas escreveu os diálogos, o maestro Frederico de Freitas compôs a partitura, operou o filme Salazar Diniz e serviu de director assistente, António Leitão, director do filme “A Castelã das Berlengas”. A produção era da Sociedade Universal de Super-Films Limitada. Leitão de Barros, seu director, era além de amante do Cinema, um distinto Jornalista e trabalhava também como director do "Noticias ilustrado” de Lisboa. Era um aquarelista de valor e homem de teatro muito conhecido. A publicidade não enganava: Era o primeiro filme falado em Português, feito por Portugal. No entanto como na altura ainda não tínhamos um estúdio de cinema preparado para o sonoro, a sonorização teve que ser feita nos estúdios da Tobis em França, nos arredores de Paris. O filme deu aos portugueses um novo contingente de actores Cinematográficos, dentre os quais convém destacar duma maneira inconfundível Dina Tereza e Silvestre Alegrim que no primeiro filme sonoro dos portugueses triunfaram em toda a linha.

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Criticas ao filme «A Minha Noite de Núpcias»

 

«Até ao meio deste ano, Brasil e Portugal deverão assistir á exibição do último filme falado em português aqui feito, intitulado "Noite de Núpcias", versão do original americano "Her Wedding Night", veiculo que serviu para um dos últimos trabalhos de Clara Bow. Dick Blumenthal, um dos directores dos Estúdios da Paramount aqui, fez uma recente viagem a Lisboa a fim de contratar elementos para esta mesma versão á qual me referi e, quando de lá voltou trouxe, entre outras figuras de mérito Leopoldo Fróes, um dos príncipes do teatro brasileiro. Ele, no argumento, desempenhará o primeiro papel masculino, isto é, o de maior realce. Os outros elementos dos quais se compõe o elenco são: Beatriz Costa, Alberto Reis, famoso actor e cantor, Estevão Amarante, Amélia Seixas Pereira, Seixas Pereira, Maria Emília Rodrigues, Maria Sampaio, Ferreira da Costa, elementos do teatro português e mais os brasileiros Francisca Azevedo, Madame Janocopulos e Mário Marano.

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  O papel de Loulou, francesa cheia de nervos que só sabe amar ao som de objectos quebrados, é interpretado por Genéviéve Félix, artista que já residiu muito tempo em S. Paulo e até filhos brasileiros tem, um elemento conhecido do Cinema francês. Os demais papéis são interpretados por franceses e húngaros. Este mesmo assumpto, feito em 14 versões, teve, nesta, a direcção do alemão Emerich Emo, que em mim, representante de Cinearte, teve um fiel intérprete de suas ordens aos artistas e das perguntas desses a ele. Isto para os ensaios que sempre precediam as representações.

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 Noite de Núpcias, que a Paramount fez com o mais esmerado dos caprichos, é todo feito para alcançar mais sucesso do que os precedentes filmes também falados em português, "Canção do Berço" e "Mulher que Ri". O assumpto, género "vaudeville", aborda as, aventuras de um compositor musical celebre que para fugir às perseguições das admiradoras, a todo instante exigindo-lhe autógrafos, deixa em seu lugar o seu amigo Raul Laforte. Há uma complicação com a "estrela" de cinema Gilberta Aragão e daí para diante tudo se complica até que um final interessantíssimo vem terminar com os "qui pró quós" curiosos de que se compõe o filme.» Critica publicada na revista «CINEARTE» no Brasil  
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O elenco de «A Minha Noite de Núpcias»

Os intérpretes eram: Beatriz Costa no papel principal de Gilberta;  Leopoldo Froes como João Pestana; Alberto Reis como Cláudio;  Estêvão Amarante como Raul; Maria E. Rodrigues no papel de Julieta; Amélia Pereira em D. Jerónima; Maria Sampaio em Melusina e ainda: Nita Brandão; Seixas Pereira; Ferreira da Costa e muitos outros... A Produção era da Paramount Filmes e a realização de E. W. Emo.

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O argumento de «A Minha Noite de Núpcias»

 

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Argumento: Cláudio, compositor musical, vê-se assediado pelas suas inúmeras fãs. Cansado desta situação, pede a um seu amigo, Raúl, que se faça passar por ele. O amigo aceita o embargo e partem ambos para a Checoslováquia, onde Raúl tem de se encontrar em certa praia de banhos, com a sua futura esposa. Numa estação do percurso, próximo da fronteira, Raúl apeia-se para ir comprar jornais e encontra Gilberta, uma actriz de cinema, que em Paris muito lhe interessara. Entretêm-se a conversar e perdem o comboio.

Gilberta e Raúl perguntam ao chefe da estação se ali perto não haverá um hotel onde se possam hospedar. Ele, porém, não os entende. Julgando que querem casar-se, porque se fazem ali os casamentos reduzindo ao mínimo as formalidades, condu-los à repartição de registo, que os dois viajantes julgam ser um hotel. E, sem saberem, assinam um grande livro. Raúl dá o nome de seu amigo Cláudio. Só depois de ouvirem o discurso do oficial do registo, em checo, é que se convencem que estão casados. E é aí que os problemas começam a surgir.  
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«A Minha Noite de Núpcias» estreia a 4 de Maio de 1931

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O 3º Filme e último destas produções foi a opereta "Minha Noite de Núpcias", uma comédia baseada no filme "Her Wedding Night" de Frank Tuttle, estreada a 4 de Maio de 1931 no Tivoli tendo como intérpretes Beatriz Costa, Estevão Amarante, Leopoldo Frois, Maria Sampaio, Amélia Pereira e Alberto Reis. O filme teve como realizador o alemão E. W. Emmo. Das três produções da Paramount, esta foi a que alcançou maior êxito de público e de crítica.

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Os intérpretes de «A Dama que Ri»

I0011489-12PX=000188PY=001556 Os intérpretes eram: Corina Freire como Helena Lee; Raul de Carvalho como Jorge Farland; Ester Leão no papel de Margarida Dell; Alexandre de Azevedo como Ernesto Lee; António Sacramento em Daniel Playgate; Alves da Costa como Alfredo Brown; a actriz Nirva do Rio como Mme. Carlton e ainda noutros papeis: Helena de Azevedo; Maria de Carvalho; Fernanda de Sousa e muitos outros...
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«A Dama que Ri» a segunda produção sonora da Paramount

6 Assim como «A Canção do Berço», o filme «A Dama que Ri» foi rodado nos estudos parisienses da Paramount em múltiplas versões linguísticas, com actores diferentes e ligeiras adaptações no argumento, estratégia corrente dos primeiros anos do sonoro europeu para conquistar os mercados nacionais. A notícia da vinda a Lisboa de responsáveis da Paramount para escolher os actores que participariam naqueles filmes gerou enorme comoção, não só entre os jornalistas cinematográficos, como entre os espectadores de cinema. Esta segunda produção voltava a agitar o nosso país que ansiava ouvir a sua língua nas telas de cinema. 7
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